Ordem e progresso

Um registro importante deixado na narração do primeiro capítulo do livro “Os meninos da Rua Albatroz” é o fato de nos tempos do Governo Militar, pelo menos em Belo Horizonte as pessoas, por pressão do regime, comportarem-se de maneira a não ser confundidas com marginais procurados pela Polícia. Por essa razão não era comum encontrar andarilhos ao léu em áreas residenciais, ocupando as ruas sem ser morador delas, convidado de um morador, vendedor ou trabalhador em alguma das residências. E, ainda que nessa situação de andar por uma via sem ser um real utilizador, para não ser importunado por ninguém e ter restringido o direito de ir e vir, ninguém andava em público descamisado, vestido de maneira repugnante ou conduzindo na mão objetos intimidadores, como um pedaço de pau. Estando nessas condições era chamar para si abordagem policial. Também não era comum grupos de pessoas, mesmo que moradores da localidade, sentarem-se junto as esquinas para bater papo em horários noturnos.

Essa mesma preocupação é retratada em um capítulo do livro “Contos de Verão: A casa da fantasia” e não se trata de fazer apologia, mas para garantir a tranquilidade de moradores e transeuntes nas regiões, o que traz ordem e progresso, o modelo de contenção apresentado vale um crédito para o regime militar. Durante todo o livro, enquanto o conto se desenrola, são registrados prós e contras dos “generais”, de seus adversários e também da sociedade em geral.

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