A conspiração contra a MPB

Nos anos 1970, a MPB, música popular brasileira, se encontrava avariada e apagada. Sucesso era o que a mídia lançava, à base de forte marketing.

Os artistas brasileiros que conseguiam notoriedade só o conseguiam porque tinham o apadrinhamento da mídia. Os demais eram apagados. Se via a ascensão e assimilação indiscutível da música industrial internacional. Mais precisamente a norte-americana, a britânica e as gravações de europeus que não eram do Reino Unido, mas que cantavam na língua inglesa.

Essa colonização tinha um propósito e como patrocinador   uma elite global oculta. Se tratava de um plano político de colonização através da cultura, promovido por estrangeiros e com a condescendência do governo militar no caso do Brasil. Essa trama teria sido registrada no livro “Firework operation”, de Neil Jackman. Obra que teria sido desaparecida do acesso público, por causa do seu conteúdo denunciativo.

O samba brasileiro era o ritmo que estava em alta no momento em que essa conspiração entrou em vigor, 1968. O Brasil exportava sambistas e sambas. Gravações nacionais competiam lá fora com o produto euro-norte-americano. Atrapalhava o faturamento das gravadoras e a consecutiva remessa de dinheiro para suas matrizes. Prática que em outros segmentos de mercado era comum no Brasil, uma vez que a maior parte do produto nacional era realizado por empresas estrangeiras, que aqui se instalaram e exploravam a mão de obra quase escrava a que se submetiam os brasileiros, que não tinham a tutela do governo militar para libertá-lo, já que esse governo estava corrompido pelas elites que existiam às suas costas.

Combater essa exploração, cumprir o papel que os militares não cumpriam, era um dos motivos de luta dos tantos grupos guerrilheiros de então. Alguns dos políticos e veículo de comunicação de hoje estavam nesse cenário defendendo os interesses das elites escravocratas e outros defendendo os interesses da população, mediante incursões em lutas armadas. Os que defendem o golpe contra a democracia hoje no Brasil são os que estavam ao lado dos militares. Os demais brigavam pela Liberdade.

No panorama interno, junto com outros movimentos, como o Clube da Esquina e a Tropicália, uns chamando atenção por causa da musicalidade e outros por causa do conteúdo letrista politizado, o samba incomodava a indústria fonográfica internacional. Vários músicos, querendo resgatar o original estilo Partido Alto, tendo no entanto que tapear o esquema conspiratório, decidiram empregar instrumentos sofisticados no samba e com isso abriram novamente as portas para artistas nacionais que não quisessem se render aos comerciais estilos importados. Nisso, muitos desses, como Martinho da Vila e Beth Carvalho, ganharam destaque e viraram produtos de exportação. Dando resposta imediata ao que cantava Paulinho Soares se dirigindo à conspiração anti MPB: “O patrão mandou tirar o samba da Parada. Very good macacada.”.

O livro “Os meninos da Rua Albatroz” deslancha essa conspiração contra a música brasileira e explica os motivos da ascensão do funk, outro golpe utilizando a música, dessa vez por razões também políticas e não só mercadológicas.

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