O engodo chamado pesquisa de opinião

Não há nada mais propício a induzir pessoas a constituir crenças falsas e a tomar procedimentos autossabotadores do que os resultados dados à população sobre algum assunto tidos como oriundos de uma pesquisa de opinião pública. Existem empresas que ganham dinheiro promovendo essas pesquisas. Só o fato de se poder ganhar dinheiro com isso já dá margem para descrédito.

O trabalho contratado, teoricamente pode mesmo ter sido realizado. O resultado correto do que foi coletado, só será conhecido pela instituição contratadora da pesquisa, além da promotora. O que é divulgado é o que o contratador decidir que seja. Ninguém joga pra perder. Muito menos investe.

O próprio formato em que a pesquisa ocorre é frágil à corrupção, pois o pesquisador pode anotar o que lhe convier; ou interpretar erroneamente a resposta dada; o entrevistado pode dar informação errada ou descompromissada; ele pode ter sido induzido a optar por certa alternativa; ele pode ter sido contratado para responder de acordo com um combinado; há também fragilidades possíveis de acontecer durante a apuração das respostas. Nisso, todo mundo corrompe, mas ninguém é corrupto, só o PT (não resisti à espetadinha).

As pesquisas de opinião pública são muito usadas para obter do público respostas de cunho moral. Por isso elas são perigosas quando envolve decisões para o social. As pessoas tendem a se orientar, descriteriosamente, de acordo com o resultado dado de uma pesquisa. Equivale à mística de se considerar verdade aquilo que é informado como resultado de um estudo científico, dando inclusive nomes de institutos e de prêmios tidos como confiáveis.

No passado, para conseguir ascensão na política, os políticos se reuniam nas associações de bairro, nas associações comerciais ou nas igrejas e centros culturais para conhecer os problemas da comunidade e reivindicar votos, disponibilizando-se para resolvê-los. Eles mobilizavam as massas em passeatas e iam com o povo reivindicar direitos.

Hoje, os políticos não conhecem os problemas do povo. A maioria Jamais foi povo e teve que fazer coisas corriqueiras como andar de ônibus, como disse formidavelmente a Luciana Genro para o político de caráter duvidoso Aécio Neves; não se mistura com aqueles de quem é esperado votos; não vai à frente na multidão com peito aberto para o que der e vier fazer reivindicações.

O político de hoje, apenas contrata marketeiros e institutos de pesquisas para bolar para eles suas campanhas e sua forma de se apresentar em público. Neste conjunto constam as promessas que fazem. Que na verdade não passam de objetos — em vez de objetivos — de eleição. Após eleito, ele perde completamente o vínculo com esses objetos.

Segue uma ilustração do fenômeno causado pelo trabalho de uma pesquisa de opinião pública:

Um frigorífico enfrenta a concorrência de produtos de granja (ovos e carne de frango) e precisa mudar os hábitos alimentícios do consumidor da região em que opera. Ele, então, contrata a um instituto de pesquisa uma coleta de informação para conhecer a real situação do mercado onde ele está, mas divulga o resultado que lhe convier, caso o real não lhe determinar outro caminho. A sua estratégia de divulgação conterá expressões como “o consumidor da região, conforme pesquisa realizada, prefere mais carne de boi do que ovos por ser a carne…” e preenchidas as reticências com aquilo que ele quer fixar na mente das pessoas e criar aceitação (e o consumo que lhe favorece). Os que se submeterem ao resultado divulgado terão esse efeito moral, que é uma manipulação de comportamento.

Essa crítica e mais como foi o nascimento das pesquisas de opinião pública no Brasil são levados ao leitor no livro “Os meninos da Rua Albatroz”, que também cita o engodo por trás dos estudos científicos propagados de forma a ser dado-lhes fé, bem como os prêmios e premiações mais prestigiados, como o Oscar, no caso do cinema, ou o Nobel, por exemplo.

Se você quiser tornar popular um estadista medíocre, dê um Nobel pra ele.

Foi o que fizeram com Barack Obama dando a ele o Nobel da Paz.

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