Por que o impeachment da Dilma é golpe

Já encontrei as mais estranhas opiniões para justificar que o impeachment da Dilma não é um golpe. Algumas consideram que o Supremo Tribunal Federal é que tem condições de julgar se o motivo que enquadra a presidente no processo fere as bases da Constituição Nacional e se ela teria praticado. Visitei várias outras opiniões contrárias e teci essa explanação compilando tudo o que encontrei. Para mim faz bastante sentido as opiniões que conheci.

Sim, o impeachment da Dilma é um golpe de estado. Tudo começou quando Lula foi eleito pela primeira vez. Para criar bases no senado, Lula fez alianças com os piores políticos que lá existia. Sarney, Lobão, Renan Calheiros, Eduardo Cunha. Direcionando cada um deles ou indicações deles para uma presidência nas empresas estatais.

Nessas empresas, a roubalheira teria comido solta. E a troco disso, Lula conseguia migalhas, dava para o povo e se tornava popular. Era Bolsa Família, era FIES, era ProUni, era Minha Casa Minha Vida, era Fome Zero. De outra forma nada disso existiria. Os deputados e senadores corruptos, que iriam aprovar esses projetos na Câmara e no Senado, não votariam a favor sem uma propina. Pois, além de cada um desses projetos necessitar de uma estrutura que utiliza arrecadação pública, alguns deles desvia dinheiro e clientes da iniciativa privada. Os políticos do PSDB e do PMDB representam os empresários e são apoiados por eles em suas campanhas eleitorais.

Lula conseguiu se reeleger. E quando esteve prestes para sair da presidência, pois já não dava mais para continuar no poder, ele preparou uma correligionária para o suceder. Sua popularidade poderia ser suficiente para ajudar na eleição dela. A elite da politica brasileira não acreditou que isso fosse acontecer, mas viu o efeito causado pelas cessões que fizeram ao ex-presidente. Trataram, então, a partir de meados do governo Dilma, de macular a imagem do governo petista, para assim conseguir voltar ao poder.

Porém, com a propaganda de moralizar o país, focando no fantasma da corrupção, que assombra o país e quando bomba na mídia faz com que todos os brasileiros fiquem facilmente com uma pulga atrás da orelha contra os políticos, destamparam o Mensalão, esquema de corrupção que teria iniciado no governo FHC, solicitando a mídia que enfatizasse o PT nesse esquema, jogando assim a opinião pública contra o partido.

Isso funcionou, mas, a presidente resolveu tomar providências para acabar com a corrupção na sua raiz. Ela tirou da gaveta um projeto antigo de reforma política. Um dos pontos cruciais da reforma política é o fim do investimento da iniciativa privada em campanhas eleitorais de políticos. Isso é a maior fonte da corrupção.

Apesar do forjado 7 a 1 da Alemanha em cima do Brasil na Copa 2014, que tinha o objetivo de desacreditar o povo para com a presidente, com a mídia fazendo associações ligando a tragédia ao governo, reforçando as notícias sobre corrupção que já vinham acontecendo desde o ano anterior, coisa que o frágil povo deixa se enganar facilmente, a popularidade da presidente não caiu.

A direita teria tentado novamente se livrando de Eduardo Campos e fazendo pacto com Marina Silva, o que ocasionou pelo menos o segundo turno da eleição presidencial 2014, uma vez que se essa manobra não tivesse sido feita, Dilma levaria fácil fácil a faixa logo no primeiro turno. Mas, mesmo apertado, depois de vários golpes proporcionados pela mídia, como o caso do carteiro entregando panfletos do PT que correu o WhatsApp e do Aécio Neves exaltado na capa da revista Veja, Dilma ganhou nas urnas. O tiro saiu pela culatra e a presidenta foi reeleita.

Os políticos corruptos, dependentes das empresas que os patrocínam, foram à forra para impedir que o projeto fosse sancionado. Convocaram novamente a mídia e exploraram o assunto corrupção na Petrobras. Intensificaram a moldagem de opinião pública, foram bem agressivos nesse novo item de marketing de guerrilha e de assassinato de reputação.

Quando se viu cercada, Dilma começou a tirar ministros e secretários de sua administração. Ela precisou, então, desfazer as alianças que Lula havia feito quando era presidente. O grande erro de Dilma foi quando tirou a galinha dos ovos de ouro de Eduardo Cunha. Afastou o político da presidência de Furnas, onde ele estaria a fazer um grande rombo. Cunha teria jurado assassinar a carreira política de Dilma. E até aqui ele conseguiu.

Se os juízes do Supremo Tribunal Federal estivessem mesmo agindo com honestidade, eles levariam tudo isso em conta para dar seu veredito em um caso onde julgam ter analisado a incidência ou não de agressão à Constituição Nacional e com isso concluir se houve ou não um crime de responsabilidade para encaixar Dilma Rousseff em um processo de impeachment.

Em eles não tendo tido a hombridade de não ceder às pressões políticas que receberam, fica visível que eles são condescendentes com os golpistas, que por questões pessoais e nada honestas decidiram recrutá-los para conseguir o pleito que era tirar o PT do governo e evitar a sanção da reforma política e decretar a vingança de Cunha. O  motivo encontrado para enquadrar Dilma, pedaladas fiscais, até mesmo Michel Temer, que assumirá o posto de Dilma, teria cometido enquanto presidente em exercício.

Para bom entendedor isso é golpe.

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