A corrupção por trás da redução da internet

A Globo tem seu público cativo. E para ele, através do Jornal Nacional, ela dá a explicação mercenária para os fatos que aparecem. E o fato da vez é a redução do fornecimento de banda de internet. Pretendem fazer com que o acesso para o consumidor comum não seja mais ilimitado.

Quem vem acarretando prejuízos com a internet ilimitada? Com toda certeza a redução da internet visa reduzir os prejuízos que esses estão tendo.

Por exemplo, as operadoras de telefonia móvel têm dificuldades para fornecer o serviço para aqueles que necessitam de internet quando estão em trânsito. Elas bloqueiam o fornecimento quando certa quantidade de dados disponibilizados para o usuário é atingida. Além de o sinal sumir, por ineficiência técnica em conduzir a operação de disponibilização, por mal aparelhamento ou por safadeza mesmo.

Dá calote nos clientes é com as operadoras de telefonia móvel mesmo!

Elas também perdem para a internet ilimitada que as operadoras de telefonia fixa oferecem. Perdem na competição pelo fornecimento, perdem com a realização de serviços que antes eram de domínio da telefonia móvel, como as ligações de voz, que agora podem ser feita facilmente pelo WhatsApp ou pelo Skype via wi-fi.

Além das operadoras de telefonia móvel, as agências de mídia informativa e de entretenimento veem na democracia existente na internet um calo no pé. Qualquer um pode produzir e fornecer conteúdo. Inédito ou apropriado.

Até transmissão de jogos de futebol ao vivo, às vezes de badalados campeonatos europeus, o povo consegue acessar e até disponibilizar pela internet, sem depender da Globo para fazê-lo, arrancando a audiência da emissora.

Tem muita gente realizando produções em vídeo, por exemplo, cujas transmissões demandam banda em larga escala. Gente que saiu de alguma faculdade ou até mesmo que possui o dom de elaborar, apresentar ou editar vídeo, e que poderia estar no elenco de alguma produtora ou veículo de comunicação se tivesse algum padrinho. E essas produções assustam as emissoras de televisão a qualidade com que são feitas. Assusta também a riqueza do conteúdo informativo.

A mídia hegemônica acostumou-se a monopolizar a informação. A mascará-la, a selecionar e explorar com exclusividade determinados assuntos, a moldar a opinião do público com a sua didática de apresentação de notícias.

E de repente, o que elas tinham de furo aparece na rede discutido livremente, com sinceridade, com grande eloquência e profissionalismo, sem engalobações e tirando da Mídia toda a exclusividade. Chegando até mais rapidamente ao consumidor de entretenimento e de noticiários de mídias diversas. De um jeito que não mais se separa o público em A, B ou C. Com direito a imagens veiculadas sem censura se alastrando numa velocidade que nem a TV, nem o rádio e nem a imprensa escrita conseguem acompanhar.

O poder de oferecer um produto ou um serviço ou fazer propaganda também tornou-se democrático. Quem precisa destinar rios de dinheiro para uma emissora de tv ou de rádio ou uma revista apresentar seu produto? E aqueles que antes anunciavam nos canais de mídia tradicionais, se não quiserem utilizar somente em seus próprios canais a sua propaganda, têm como melhor opção o site ou blog ou até um perfil em rede social de alguém que pode ser um anônimo. Alguém que tem carisma e que não esteve ao longo do tempo associado a máfias ou aliado a golpistas por depender do dinheiro deles. Alguém que virou cult na internet, devido a alguma mirabolante meritocracia ou habilidade nata de se promover e de romper os monopólios da visibilidade.

Além da mídia e das operadoras de telefonia móvel, outro censor aparece nessa história: o Governo. As travessuras que o governo e os políticos fazem caem por terra facilmente com a democracia da internet. Minam-se falcatruas, minam-se popularidades, minam-se votos.

Com a câmera de um celular na mão e uma cena pra gravar ou uma ideia na cabeça, o povo está mais armado do que um grande exército. E com banda larga de internet e veículos para apresentar sua filmagem, para tecer sua opinião ou para expor suas ideias, segredos alastram-se como um furacão. A polícia não pode mais espancar uma multidão, pois alguém vai registrar e espalhar o registro sem dar tempo para a mídia pragmática mascarar o ocorrido ou tapar a denúncia.

A gente viu nessas últimas manifestações a PM contar com a imprensa para desvirtuar a intenção do povo nas ruas. O mais comum era a má vontade com que era dada a informação sobre as manifestações que apoiavam o governo Dilma. Era de praxe suspeitar de se estar a ver a PM manipular a contagem desse público manifestante. 100.000 virava 5.000 fácil fácil na boca de âncoras de telejornal da Rede Globo. Nas redes sociais, as fotos e vídeos espalhados mostravam outra realidade.

Esse poder de comunicação e de desmantelar de golpes conferido aos grupos que são oprimidos pelos grupos hegemônicos é possível ainda que com a internet reduzida. Porém, para afetar governo, midiáticos e empresários é preciso de banda larga para garantir a rapidez que não deixa os conluios de imprensa maiores agirem a tempo de danificar as articulações populares.

Serviços como o Netflix precisam que o usuário tenha banda larga para que funcionem. Eles aquecem certos mercados e os proprietários de alguns deles participam das elites dominantes. Mas, o conteúdo que esses serviços distribuem não ameaçam aqueles que preocupam com a democracia na internet e por isso não deve sofrer restrições.

Já o YouTube, da Google, o Twitter ou o Facebook, que permitem que materiais sejam colocados pelo público para serem exibidos para qualquer pessoa, devem ser desencorajados. Já é comum ouvirmos a mídia reportar notas de acontecimentos negativos ocorridos no Brasil com alguns dos executivos dessas empresas. Casos que provavelmente sejam farsas ou armadilhas bem sucedidas.

Eis o que está por trás da redução da internet, que ilustra mais um capítulo da série “A corrupção nossa de cada dia”. Aqui, mais uma vez realçando a corrupção da opinião pública, praticada por aqueles que se dizem estar a combater a corrupção.

Esta é a minha opinião.

Uma consideração sobre “A corrupção por trás da redução da internet”

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