Como são despreparados os nossos políticos, militantes socialistas e empresários

Segundo o site da Agência Brasil, http://www.agenciabrasil.ebc.com.br, o MPT, Ministério Público do Trabalho, de Minas Gerais, solicitou ao prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, do PSB, o veto do projeto de lei PL 1.881/2016, do vereador Autair Gomes, do PSC, que visa exterminar a função de agente de bordo (cobrador) nos ônibus coletivos da cidade, a substituindo pela bilhetagem eletrônica.

O vereador — que apesar de ser do PSC demonstra não ter relação coerente com o socialismo e com o cristianismo — alega que a implantação do projeto iria reduzir a violência dentro dos ônibus, por causa da utilização de cartão eletrônico, que é diferente do dinheiro em espécie, pois só serve para o uso dentro de veículos de condução pública — ou seja: não se compra outra coisa com ele. A proposta de extermínio de posto de trabalho que o vereador apresentou desemprega cerca de seis mil trabalhadores, conforme levantou o MPT.

Vivemos um tempo, nas grandes cidades brasileiras, em que o emprego se tornou escasso. Mas, a necessidade de trabalhar para com o dinheiro ganho fazer girar o consumo, além de arcar com a sobrevivência de si e dos seus, permanece. O maior problema do capitalismo atualmente é empregar pessoas em idade ativa para o trabalho. Ao mesmo tempo que a industrialização e automação de tarefas tornam mais fácil a relação entre os indivíduos e melhora a qualidade de vida, sabota-se o sistema, que é mantido essencialmente pela instituição do trabalho. Sem trabalhadores em massa, sem consumo e também sem arrecadação de impostos. De que valeria então a industrialização e a automação que a cada dia que passa tomam o lugar dos trabalhadores?

Infelizmente, o capitalismo atingiu um ápice, no qual é necessário fingir necessidades. Podemos colocar uma moeda no buraco de uma máquina e a mesma nos liberar uma lata de refrigerante ou um jornal; podemos fazer o mesmo com a bomba de gasolina e enchermos, nós mesmos, o tanque do nosso carro, assim como fazemos quando queremos encher os pneus. Não precisamos mais, então, do balconista, do jornaleiro e do frentista. Estes, trabalhadores que não precisam ter alta qualificação, terão que se ajeitar se empregando em setores que ainda empregam em massa, se estes também já não tiverem atingido sua capacidade de empregar.

Há aqueles que dizem que a saída para o problema é as pessoas se qualificarem. Estes, iludidos, não sabem ou ignoram que nos postos de trabalho populares há muita gente qualificada os ocupando. Por falta de oportunidade, gerada muitas vezes por causa de preconceitos contra o trabalhador, ou por causa do obsoletismo causado pela industrialização e automação de tarefas nos setores em que eles atuam.

O vereador tem seu emprego garantido pelo voto popular, às vezes dado até por quem atua como profissional do cargo que ele quer extinguir, e quer tirar a oportunidade dos outros. As empresas que o vereador provavelmente representa, buscando redução de custos com a redução de funcionários, não estão atentas quanto ao funcionamento do consumo. Elas contam com que os trabalhadores que ela concorda em desempregar, vá conseguir operar em outros setores para que eles possam consumir entre outras coisas o próprio produto delas. Será que haverá onde eles trabalhar?

O melhor exemplo de solução para essa questão do capitalismo pode-se observar no setor que compreende as centrais de atendimento. Os Call Centers hoje assemelham-se ao que foi no passado a indústria de automóveis em matéria de empregabilidade. Em média, suponho, uma unidade de call center possui mil postos de trabalho. A maioria esmagadora realiza a função de atendente. Gente qualificada, em qualificação, excluídos da sociedade para certas empresas — como velhos, aprendizes, homossexuais, negros e índios, religiosos fundamentalistas, deficientes físicos —, que só precisam aprender a função, cujo treinamento é prestado pelas próprias empresas do setor, e providenciar o atendimento, que não incide contato pessoal e pode muito bem ser realizado por sistemas eletrônicos. Principalmente nos dias de hoje em que existe a possibilidade de auto-atendimento mediante unidades eletrônicas. É claro que existem incentivos fiscais para que as empresas de call center aceitem admitir tanta gente em vez de reduzir os custos empregando a automação. Os governos contam com esse procedimento por parte delas exatamente para evitar desemprego em suas gestões.

Que governante permanece no poder tendo existido em sua gestão a figura do desemprego? Tendo ele contribuido para isso é menos de se esperar ainda essa permanência. Por isso, o prefeito Marcio Lacerda, condizente com suas acepções socialistas, faz bem em vetar o projeto de lei e em buscar alternativas para a suposta preocupação com a violência dentro dos ônibus alegada pelo vereador suicida. Aqueles que fazem oposição ao prefeito simplesmente por fazer, para tentar denegrir sua imagem e com isso tomar-lhe o posto ou o de seu partido nas próximas eleições, muitos destes, que se dizem militantes, partidos e políticos de esquerda, precisam rever seus conceitos, pois nesta questão estão priorizando apenas sua guerra particular pelo poder e se lixando para o trabalhador.

A condução nos coletivos sem uso de cobrador e a catraca eletrônica, aberta mediante apresentação de cartão magnético, já são aplicadas em muitas empresas de transportes em Belo Horizonte e nem por isso essa violência deixa de existir. Uma sociedade sem dinheiro, pretendida por muitos idealistas, tem que antes passar pela realidade de uma sociedade sem emprego — que se sustenta sem a necessidade de empregos em massa — para, então, se cogitar ufanar a modernização dada pela industrialização e pela automação de tarefas.

Sou do ramo de automação comercial e militante do PCdoB. E esta é a minha opinião.

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