E se eu morresse agora?

Sozinho em casa tenho mais condição de fazer certas reflexões. A minha natureza já é a de refletir o tempo todo. Eu me pus a pensar, solitariamente, se eu morresse agora, o que eu me daria por satisfeito por ter feito e com o que eu estaria profundamente decepcionado por não ter conseguido atingir o objetivo de realizá-lo?

A gente é levado a imaginar que temos que chegar ao fim da vida tendo obtido sucesso em algumas coisas que são nos impostas e que não sabemos bem ao certo se elas são irrelevantes para nós. Sofremos sem precisão por nao ter atingido todas as metas. Coisas como termos conseguido adquirir um imóvel ou um automóvel, formado em alguma profissão, feito grandes viagens, ganhado muito dinheiro, tendo ainda um bom montante à disposição a qualquer hora, graças ao bom cargo seguro que ocupamos em alguma companhia ou à prosperidade alcançada nos negócios. Ter chegado ao matrimônio e construído uma família.

Mas, é quando você está solitário é que aparecem algumas percepções sobre a grandeza do Universo. E inevitavelmente se constata que nenhuma dessas coisas vale o esforço e a perda de tempo gastos para realiza-la.

Qualquer um concorda que todo momento de satisfação é bastante efêmero. Você regozija-se por causa do êxito em alguma coisa, durante instantes, e logo o motivo da satisfação se acomoda. Virando uma mesmice, à qual fomos doutrinados a pensar que precisamos estar sempre a superar o que já foi conquistado para que possamos saná-la e o tal sucesso fazer sentido.

Isso, para mim, é tormenta. O que está imperando nessa situação é a insatisfação. Ela leva tempo para ser desfeita e logo que isso acontece é certo de ela aparecer novamente.

Devemos o sucesso aos insatisfeitos.
(Aldous Huxley)

Sim, concordo com a aplicação dessa frase aqui também. Se nos acomodarmos com o sucesso, após a chegada dele nada avançará. Com o tempo, virará rotina e quem o obtém passará a viver como um robô, sem o objetivo de avançar, apenas o de manter o status configurado, que obviamente não incide o surgimento de inovações para ser sustentado.

Para que serve o progresso se ele só produz insatisfação? Para que serve o progresso se for para apenas gerar mais progresso?

A gente olha para o alto e vê as nuvens ou as estrelas. E parece que o que enxergamos é o limite da Terra para nós. Embora estejamos convencidos de que há muito mais além do que vemos, sabemos que tudo é ampliado imensamente quando em nível de galáxias. Aliás, infinitamente.

E quanto mais se distancia do chão, menos perceptíveis somos. Chega-se a um ponto em que o maior de nós parece tão insignificante, dimensionalmente expressando, quanto é uma formiga lava pé ou um ser microscópico aos nossos olhos. Em algum lugar do espaço, o tanto que estamos reduzidos em relação a ele, nos faz sermos comparados com aquilo que chamamos de vácuo quântico. O menor espaço que poderíamos imaginar. A condição de ser nenhuma coisa ou energia pura, devido à minuscularidade percebida. É assim que provavelmente somos vistos por uma consciência ou um observador existente em algum lugar distante esse tanto. As coisas só ganham proporções palpáveis e significados quando um observador se aproxima delas.

Aí nesse momento é que paro para pensar: que importância tem qualquer conquista ou qualquer feito diante da imensidão do Universo? No que eu ser capaz de ganhar muito dinheiro ou de ter uma invejável ocupação social e patrimônio pode mudar qualquer coisa no curso do Universo? Na Terra, sim, alguma coisa pode representar minha arrogância, meu fascínio por material ou minha soberba.

O tempo de existência na Terra é bastante curto. Pense nisso em relação à eternidade, que é o próprio Universo que sugere haver!

Se você elimina das suas crenças os dogmas que o sistema impregna, o que o sistema considera que você deve prezar para se sentir satisfeito, você, então, cria seus próprios valores para sentir satisfação, orgulho de si mesmo e gozar plenamente da curta existência que nos é proporcionado. E não diferencia em nada daqueles homens bem-sucedidos e afamados de quem procuramos, coordenados por nossos instrutores, traçar os passos.

E com relação a deixar contribuições para as gerações futuras, no que se refere ao planeta — pois para o cosmos nada podemos contribuir, apenas desvendá-lo —, viver sem molestá-lo é o bastante. O que é ter o seu nome atribuído a um grande feito, um pensamento esclarecedor
ou até mesmo a uma frase inspiradora, perto da imensidão do Universo? Da Incerteza e da eternidade do Universo? Nenhuma verdade é imutável nesse nível. Uma lei estabelecida para o planeta pode muito bem não servir para nada se um poderoso corpo celeste vir a colidir com a Terra e varrê-la ou mudar seu funcionamento para todo sempre da realidade universal.

Ainda que ser honrrosamente ou devidamente creditado a um grande feito não dependesse da boa vontade daqueles que ao longo das épocas constroem a história monopolizando as informações, procurar viver intensamente o que puder viver, livre e sem se esforçar tanto ou perder tanto tempo com preliminares que supostamente são viabilizadoras de grandes feitos, é muito mais compensador.

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