33 estupradores e uma vítima: O que pode estar por trás disso?

O sagrado número 33 é perturbado pela mídia. Eu estava em um local onde mulheres discutiam o caso estourado na mídia brasileira sobre um suposto estupro coletivo envolvendo 33 homens e uma mulher, menor, de 16 anos, ocorrido no Rio de Janeiro.

Uma das moças informava que um dos violentadores havia sido preso e que ele andava delatando os outros. Ela tentava imaginar o que aconteceria ao homem tanto dentro da prisão, tendo que encarar os outros presos, quanto fora dela, quando ele estivesse ao dispor dos líderes da facção criminosa da qual provavelmente fizesse parte os violentadores.

Confesso que eu só soube desse caso recentemente, aleatoriamente, pela TV publicitária que circula dentro de uma linha de ônibus em BH. E vi, de ontem (1/6/2016) pra hoje, em um canal de televisão desconhecido, o resumo da notícia, com o parecer da polícia do Rio, que estaria tendo cobrada pela população — movida pela mídia como sempre — a tomada de providências.

A polícia, obviamente, não se rende ao calor das emoções e é cautelosa quanto a apurar os fatos. Ela é correta em não aceitar acusações precipitadas, prender suspeitos irresponsavelmente e fazer interpretação do vídeo, que teria sido usado para divulgar o acontecimento, com a ótica difundida pela mídia e pela massa que frequenta as redes sociais.

A autenticidade do vídeo é duvidosa, conforme a instituição. A polícia levanta severos questionamentos — entre eles ausência de sangue na vítima no momento da agressão — quanto a natureza não espontânea do ato e sem interesses póstumos da filmagem. Colocando o material como suspeito de ter sido preparado para causar furor nos noticiários.

Mas, claro! Por que não? Uma cabulosa notícia que prenderia atenções, enquanto coisas que devessem ser noticiadas fossem tapadas, serviria bem a propósitos atualmente. Mas, o que por exemplo?

Todos achavam que tirar Dilma Rousseff do Poder fosse um supra-sumo, correto? No entanto, o tiro saiu pela culatra de uma forma que não se omite assim tão facilmente.

Michel Temer enfrenta dificuldades com a economia. Terá que fazer cortes de direitos de trabalhador e de consumidor, tomar algumas medidas que Dilma já vinha tomando e que a oposição criticava, e ele ainda enfrenta o dissabor de ver seus tidos como honestos ministros caírem a cada nova fase aberta da Operação Lavajato. De um jeito que não dá nem para os chatos jornalistas golpistas, simpatizantes oportunistas do governo, que acham que disfarçam seu interesse em manipular a opinião pública, manterem sua oratória que diz que a equipe que Michel Temer montou é indubitavelmente íntegra e eficiente.

Mas, o que mais incomoda e precisa urgentemente ser tapado para esses conspiradores, são as novas gravações e delações que agora aparecem na Lavajato. Elas apontam o dedo, quase sem como tirá-lo da reta, para tucanos e pmdbistas de peso — desses que até aqui são blindados pela mídia e têm as denúncias contra eles arquivadas —, nomes importantes de grandes instituições financeiras do país e mais a confirmação de políticos e empresários que estão enfiados até o pescoço nessa lama e que conseguem adiar as investigações contra si até o momento. Parar a Lavajato tem sido, aparentemente, o grande propósito desse governo que está aí. E sem fugir dos olhos do povo, que não desprega o olho da televisão para saber o que mais se vomitará, não será possível fazer isso.

Mas, e a polícia, com quem essa cúpula sempre conta, não está avisada sobre o possível golpe midiático para servir como tapume, que pode estar por trás desse caso de estupro coletivo? Por que ela causa dificuldades produzindo desconfianças contra a integridade do vídeo?

Muito simples: o comportamento ético da Polícia é um bom álibi para desencorajar a crença popular em teorias que contestam o fato e o colocam como produto para desviar atenções. Polícia que é vista como parceira costumaz da elite que conspira contra o brasileiro e que está entalada na corrupção que assolava os noticiários enquanto Dilma ainda estava de pé. Elite que anda de mãos dadas com o crime organizado e que não tem dificuldade nenhuma de contar com o apoio de membros da facção na produção de notícias como a veiculada. A mocinha que tentava imaginar o que aconteceria com o suposto estuprador preso, na minha opinião errou na previsão: nada vai acontecer com ele, pois ele também é parceiro nessa trama. Nem preso (fora do material de imprensa) ele vai.

PS: Sempre que olho as estatísticas dos textos que publico aqui, constato a visita regular de duas ou três pessoas. Portanto, se você for uma dessas três que vêm aqui ler o que posto, não se esqueça: escrevo para mim mesmo, não se espante!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: