Aulas de revolta

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Cena do filme “Diário de uma motocicleta”, de Walter Salles.

Em 1985 eu fechava o Segundo Grau na escola e ia prestar o Vestibular no final do ano. E naquele ano eu estava muito influenciado pelas informações que eu recebia dos professores que lecionavam matérias de estudos sociais. Houve o primeiro Rock in Rio e eu já era bastante motivado com o mundo da música, principalmente com o do Rock and Roll. E já compunha algumas coisas, letra e melodia, pois, eu ainda não tocava violão, teclado ou gaita, como depois me foi possível.

Também aconteceu em janeiro daquele ano, a volta da democracia brasileira. Me lembro de ter visto a Paula Toller, o George Israel e o Leoni da banda Kid Abelha e os Abóboras Selvagens subirem no palco do Rock in Rio debaixo da bandeira do Brasil para comemorar o ensejo. Foi a forma triunfante que a banda encontrou para abrir seu show, embora não tivesse conseguido conter as vaias dadas no decorrer da apresentação por aquele público ainda colonizado musicalmente pela música estrangeira e que se achava nacionalista.

Meus professores de história e de geografia caíam de pau no colonialismo que sofria a sociedade brasileira durante os tempos militares, o que está exposto neste episódio acontecido com o Kid Abelha. E eles se sentiam seguros para lecionar suas disciplinas sem cortes e sem ter que dar a interpretação oficializada pelo regime sobre certos acontecimentos e seus expoentes. Estratégia granciana de seletividade editorial, que é de praxe acontecer com a didática e o conteúdo disciplinar regido pelo governo em qualquer que seja o regime. Estratégia que está em uso atualmente, que é fácil notar quando vemos a mídia determinar os assuntos a serem discutidos, quem são os heróis e quem são os bandidos.

Che Guevara, por exemplo, nas aulas que eu recebia pôde ser elevado a herói da resistência contra as ditaduras políticas e contra o imperialismo norte-americano, no qual as elites burguesas por trás das ditaduras se amparavam para garantir seu status quo e seus colonos. Fato que evidencio no Livro “Os meninos da Rua Albatroz”.

E meus professores não deixavam por menos. Íam à forra nos fazendo, nós alunos, admirar os ícones da luta contra o sistema capitalista e aspirar, com a chegada do regime civil, o ideal socialista. E disso saíam minhas letras, que hoje ganharam cifras e partituras e que aguardo publicar.

Aí vai uma, feita em 1985, aproveitando a temática apresentada.

O sol está se pondo devagar
E a lua surge pra retomar seu lugar
Lápis e caderno na pasta, beijo na mamãe
Novidade no caminho pra contar

[refrão]

Aulas de História, doses de revolta
Todo um presente pra reformar
O passado que tivemos, que a nação onde vivemos
Nega os olhos a se olhar

Menino cabeludo que anda de moto
Calça desbotada, cigarro e bota
Tem um rosto agressivo e um coração passivo
Esse médico tem o que falar
Auto-estimas pra remediar
E palavras de ordem que fazem libertar

[refrão]

Aulas de História, doses de revolta
Todo um presente pra reformar
O passado que tivemos, que a nação onde vivemos
Nega os olhos a se olhar

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