Liberdade para José Dirceu

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O assunto nas redes sociais de esquerda no momento é esfregar na cara da mídia hegemônica brasileira a hashtag #LiberdadeParaJoséDirceu. E eu aderi, obviamente!

Os motivos para o pedido de liberdade do ex-ministro, preso por suposta participação no esquema de corrupção batizado pelos conservadores brasileiros como “Mensalão vermelho”, são diversos. Alguns são protestos altamente contundentes, como por exemplo, os que atacam a mediocracia.

No Brasil, qualquer um pode ser preso por envolvimento em corrupção, ou por qualquer outro motivo de apelo popular, se não tiver ao seu lado a mídia hegemônica. Esta é que estabelece os crimes e condena as pessoas, e não quem deveria: o sistema jurídico do país. E como garantir ter a mídia ao seu lado, se esta é mercenária e aceita contrato de Deus ou do Diabo e o preço que ela cobra para fazer esse trabalho de massacrar a imagem e e de tirar a liberdade de alguém moldando a opinião pública é astronômico?

Se para conseguir essa proeza tiver que ser pago por partido político, só mesmo os mega partidos, que recebem dinheiro dos grandes conglomerados econômicos para lhes prestar favores, é que podem arcar com a conta. E José Dirceu e outros petistas, avermelhando o Brasil e dando condições aos mais humildes de ascenderem socialmente e tornar o país cada vez mais independente, estavam na mira desses conglomerados.

Pois bem, se é essa a condição para não ser alvo da mídia brasileira – não mexer com esses grupos e ter grana para se blindar contra o veneno do sr. William Bonner e Cia. -, se explica a razão de não haver tucanos encarcerados. Este é o outro motivo bem contundente dos protestos que originaram a hashtag. Ora, os tucanos são mencionados em esquemas de corrupção múltiplos – mensalão tucano, trensalão, Furnas, citação na Lavajato – e logo seus nomes são esquecidos por causa do acobertamento da mídia e os processos arquivados sem que ninguém suspeite de nada de errado havendo no Supremo Tribunal Federal, e é só o testa de ferro do José Dirceu que paga o pato? Ou pagam todos ou paga nenhum!

Como sempre, pelo menos ultimamente, minhas postagens sobre política vêm de presença em fóruns de debate em redes sociais e esta é mais uma. E no que estive opinando e que originou esta postagem alguém quis bancar o sarcástico querendo provocar os que defendiam a liberdade do Dirceu, dizendo que contaria lá em Portugal que no Brasil em vez de colocarem o resto da quadrilha no xadrez eles querem é tirar os que lá já estão. A maldade, você já sacou: o brasileiro adora duvidar da inteligência dos portugueses e nessa ele não estaria nem se equiparando à deles. Gente da direita, especialista em humilhar os outros usando a ironia para assim lhes mudar a opinião, deve ser o infiltrado.

Tá, mas, o que seria colocar o resto da quadrilha no xadrez para fazer companhia ao que lá já está? Escolher pelo partido que o político faz parte ou por sua inclinação política de esquerda só porque isso incomoda a elite que escraviza os brasileiros, deixando a mídia, que pertence a essa mesma elite, encarregada de apontar as cabeças? Isso é inteligente?

Bom, se isso é inteligente, então, vamos combinar uma coisa: Brasileiro gosta de achar que o que os norte-americanos fazem é que é inteligente. Se o cara vai contar lá em Portugal que aqui no Brasil se tira da cadeia por meio de ativismo popular alguém que o sistema penal colocou é porque ele acha que isso é uma coisa que sociedade inteligente não deveria ter na sua história. Vou recorrer a dois fatos passados nos Estados Unidos, que utilizei em um dos capítulos do livro “Os meninos da Rua Albatroz“, que você não deve deixar de ler se quiser aprender a se defender do sistema da Nova Ordem Mundial.

Angela Yvonne Davis é uma professora e filósofa socialista estadunidense que alcançou notoriedade mundial na década de 1970 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos e dos Panteras Negras e por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos.

Tá aí uma comparação com o crime que José Dirceu talvez tenha cometido: militar pelo socialismo em terra que se curva ao capitalismo.

Em 18 de agosto de 1970, ela tornou-se a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI, ao ser acusada de conspiração, sequestro e homicídio, por causa de uma suposta ligação sua com uma tentativa de fuga do tribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marin, em São Francisco. 

Com sua prisão decretada pelo estado da Califórnia e o FBI em seu encalço, Angela fugiu do estado e desapareceu por dois meses, sendo alvo de uma das maiores caçadas humanas do país na época, acompanhada dia a dia pela mídia, até ser presa em Nova Iorque em outubro. O julgamento de dezoito meses que se seguiu, colocou uma mulher negra, jovem, culta, assessorada por uma equipe brilhante de advogados, no centro das atenções da imprensa mundial. Nos longos debates na corte, não apenas o caso criminal envolvido veio à tona, mas uma grande discussão sobre a condição negra na sociedade norte-americana foi travada. Manifestações diárias por sua libertação e absolvição ocorriam do lado de fora do tribunal e por todo o país, transmitidos ao vivo pela televisão.

Angela foi absolvida, mas, como todos sabemos, os conservadores norte-americanos se acham donos do país, assim como os daqui se acham. E eles não conseguiram engolir a derrota nos tribunais. Por força do poder deles junto às instituições repressoras e de manipulação midiática, Angela, então, teve que cumprir exílio em Cuba, onde foi recebida de maneira tão magnânima que ela nem teve voz para discursar. Ficou melhor instalada, na minha opinião!

John Sinclair é um poeta norte-americano. Envolvido com a cena de Detroit, ele já foi empresário da banda MC5 e, de novembro de 1968 a julho de 1969, líder do White Panther Party — um grupo militante antirracista contracultural de socialistas brancos com o objetivo de ajudar os Panteras Negras no movimento dos Direitos Civis.

Esse perfil incomoda bastante os conservadores dos Estados Unidos. Intelectual, mesmo se branco, que luta contra desigualdades sociais e discriminação racial é alvo da mídia norte-americana para manipulação em pró da cassação de sua liberdade. Isso faz lembrar quem?

Depois de uma série de tramadas condenações por posse de cannabis para tirar o cara do caminho, Sinclair foi sentenciado a dez anos de prisão em 1969, depois de ter dado dois cigarros de marijuana a um agente do departamento de narcóticos que estava disfarçado. Essa sentença inspirou Abbie Hoffman a pular no palco durante a apresentação do The Who no Festival de Woodstock para protestar. Isso também deu origem ao “Free John Now Rally”, uma reunião de shows e discursos na Crisler Arena em Ann Arbor realizada em dezembro de 1971 para pedir a liberdade de Sinclair. O evento reuniu um público de esquerda, incluindo os músicos pop John Lennon (que gravou a canção “John Sinclair” em seu álbum Some Time in New York City), Yoko Ono, David Peel, Stevie Wonder, Phil Ochs e Pete Seeger, os músicos de jazz Archie Shepp e Roswell Rudd, e Allen Ginsberg, Abbie Hoffman, Rennie Davis, David Dellinger, Jerry Rubin, e Bobby Seale, os quais foram oradores durante o evento.

Três dias depois da reunião, Sinclair foi libertado da prisão, quando o Supremo Tribunal de Michigan regulou que as leis do estado sobre a marijuana eram inconstitucionais. O #FreeForSinclair cravado sem a hashtag e com espaço entre as palavras em faixas de cidadãos indignados com a arrogância do sistema punitivo atrelado a uma elite interessada em destruir a possibilidade de um sujeito branco e popular inspirar negros e socialistas a ganhar notoriedade e mudar os parâmetros sociais naquele país foi determinante para que pelo menos a ética saísse vitoriosa.

Por esses dois relatos se vê que no Brasil tudo é copiado dos “states”. Da mídia ao crime organizado, do sistema jurídico à futilidade do show business: todos só copiam. Os portugueses vão é dar risadas de alguém que vai lá contar para eles que querem tirar da cela um preso que eles sabem mais do que quem foi contar pra eles a notícia, que periga o cara que tá preso não ter culpa nenhuma no cartório e que ele livre há muito mais chance de se prender os outros. Quem quer e mantém o Dirceu preso são os ladrões que estão aqui fora. Ele livre é um perigo pra eles!

Costumo dizer que o PT pecou foi por excesso, deu poder aquisitivo demais para o pobre e não o preparou para usar esse poder. E no caso do petista encarcerado o pecado foi o mesmo, pois, Dirceu só está preso porque da administração do PT para cá é que no Brasil a corrupção começou a ser destampada e punida e político e gente graúda começaram a conhecer presídios como sentenciados.

#LiberdadeParaJoséDirceu

* Os parágrafos em itálico foram extraídos e adaptados da Wikipédia.

3 comentários em “Liberdade para José Dirceu”

  1. e cadê as contas na suíça do Dirceu?
    e cadê as contas “trust” do Dirceu?
    e cadê as obras de arte do Dirceu?
    e cadê as pedras preciosas do Dirceu?
    e cadê os iates do Dirceu?
    e cadê os helicópteros do Dirceu?
    e cadê os jatinhos do Dirceu?
    e cadê as Ferraris do Dirceu?
    e cadê os apartamentos em Miami do Dirceu?
    e cadê os apartamentos em Nova York em Paris do Dirceu?
    e cadê as amantes do Dirceu?
    e cadê os Michelzinhos do Dirceu?
    Vai para 10 anos virando a vida do avesso do Dirceu e até agora só encontraram bens que qualquer classe média conquista ao longo da vida…
    E daí será que valeu a pena destruir um país para pôr o Dirceu na cadeia??????
    E daí será que mudou a tua vida com o Dirceu na cadeia??????
    Alguém duvida que o Moro não seja mais rico do que o Dirceu?
    (compartilhe) #LibertemZeDirceu

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  2. Dilma, Lula, o PT e os brasileiros foram golpeados para acabar com a corrupção e os verdadeiros bandidos estão saqueando o Brasil com o profundo silêncio do judiciário.

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