O brasileiro precisa de educação ou de intelectualidade?

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O Governo brasileiro esta semana deu uma exibição de como gosta de duvidar da inteligência de seu povo: Bloqueou o Whatsapp sob a alegação de grupos terroristas planejarem através do aplicativo um atentado que aconteceria durante as olimpíadas. Ou seja, a inteligência militar e política de qualquer outro país, incluindo Portugal, que gostamos de chacotear a inteligência de seu povo, faria o contrário, como ensinam os dez mandamentos do hacker e da espionagem: Daria corda para aqueles que conspiravam, pois, se já sabiam que eles existiam, logo, tinham acesso ao ambiente de troca de informações deles. Tem até nome essa tática: Honey Pot.

Empresas como a Google, quando querem saber se um novo empreendimento localizado na internet e que requer privacidade total é seguro contra invasão, deixam portas abertas para sofrerem invasões e com isso conhecer-se as técnicas de ofensa que o mesmo estará exposto e trabalham para aniquilá-las e poder, enfim, disponibilizar para o público, com segurança, o projeto. Pra que expulsar o inimigo de onde se tem conhecimento do que ele planeja? O Facebook é um lugar assim e no entanto a preocupação do Governo não se estendeu a essa rede. Se o Governo não tinha o acesso mencionado e por isso teve que bloquear todo mundo, então, como chegou a levantar tal alegação para bloquear o Whatsapp? E hoje em dia, quem conspira não faz isso onde se sabe que tem gente xeretando. Nem por telefone se faz mais, sabendo-se que o Moro pode estar de ouvido em pé e a Rede Globo de prontidão para pegar com ele o seu furo de manipulação… ops: de reportagem e o seu troco.

Eu, particularmente (como gostam de dizer), não engulo o que mastigam para mim assim sem analisar prontamente. Há muitas razões para o Governo querer bloquear o Whatsapp. E governo que eu escrevi não é aquele grupo de políticos come-quietos que aparecem promulgando leis ou virando notícia absurda não, me refiro a quem governa mesmo, a quem está por trás desse grupo, ao patrão dele. Me refiro ao empresariado brasileiro (ou abrasileirado). A comunicação fácil, descompromissada e supostamente anônima feita através do Whatsapp é o que menos preocupa essa gente. O calo no pé é a grana que sai das mãos das operadoras de telefonia móvel e fixa, devido ao fato de quase ninguém querer usar o aparelho descendente da invenção de Grahan Bel para falar em tempo real pagando taxas exorbitantes por minuto e sujeito aos truques abusivos das operadoras, como derrubar a ligação no meio da conversa, para faturar mais com ela, caso essa seja tarifada sem duração de chamada. Fora as outras perdas que acontecem neste e em outros nichos de mercado, que com um pouco de intelectualidade as percebemos facilmente.

E por falar em intelectualidade, cheguei ao ponto que eu desejava discutir nesta postagem. Muito se fala que o Brasil está do jeito que está ou que o povo é do jeito que é porque não há investimento em Educação. Eu sou daqueles que acha que Educação não é a panaceia que vai libertar o Brasil e o brasileiro de seus males. Sempre que ouço isso eu pergunto para o falante: “Defina educação”. Geralmente o povo acha que educação diz respeito às atividades acadêmicas exclusivamente. Mas, existem vários tipos de educação. Há a importantíssima educação social (ou doméstica), que tem a ver até com boas maneiras e que sem ela nenhuma outra tem qualquer valor; a educação física; a educação alimentar; a educação no trânsito. Quaisquer dessas o brasileiro precisa e muito. E essas não são todas, são só alguns exemplos.

E educar alguém é trazê-lo para um pensar pré-determinado. Esta particularidade da Educação é suficiente para derrubar a mística de que educação é o mais importante dos serviços e incentivos que os governos podem prestar à sociedade, pois, este, com o uso de educação, pode educar o povo para os seus caprichos. Cada governo educa seu povo para a sua forma de governar, para aceitar as questões que são de seu interesse que as pessoas aceitem. No Governo Militar, por exemplo, se via nas escolas aulas de Moral e Cívica e de OSPB, que preparavam o povo para adorar as armas e a seguir certo padrão de comportamento. No Governo do PT, civil, cogitou-se levar para as salas de aula material para aceitação do estilo de vida LGBT. No primeiro regime de governo citado se incentivava a austeridade paterna como meio de formar pessoas respeitosas e ordeiras e no segundo se tirou dos pais a condição de manter seus filhos na linha com uso da palmada. Use sua predisposição para a intelectualidade para entender que não critico nas referências de cada regime os seus valores, só os cito para exemplificar o uso da Educação para governar.

O que o brasileiro precisa, na minha opinião, é que investissem na intelectualidade dele. Ou seja, torná-lo capaz de analisar os fatos e as propostas que aparecem e de formar uma opinião independente, formada por ele próprio, sem que ninguém lhe seja didático. A mídia morre de medo de que o povo atinja essa condição. A mídia só tem futilidades ou mentiras e golpes para oferecer e isso não é aceitável para quem possui intelectualidade privilegiada. Fecundando esse interesse, seria o fim do futebol artesanal que vemos desfilar para nós sob a alcunha de disputa; o fim da formação de opinião feita pelos jornais; o fim da moda e do entretenimento nocivo. É a treva para a indústria de alimentos, de remédios e de objetos que nada acrescentam a quem consome seus produtos e só o faz por causa de propaganda, que é outra coisa que quem desperta a intelectualidade tem condição de se defender de suas artimanhas para fazê-lo refém do consumo. É o fim da música imbecil; das sugestões das telenovelas, dos programas de auditório, dos reality show. Nada disso é tolerável para quem enxerga muito além do que é mostrado e ouve muito além do que é falado. Anarquia geral. E é a volta dos livros como meio de passatempo e de absorção de informação. Ser intelectual ou ter intelecto que funciona é um perigo para esses que estão no poder por trás dos poderosos.

Pode até ser que um dia a classe política brasileira tome jeito e entregue projetos de suma importância para o povo e que a Educação de qualidade esteja entre estes. Mas, melhorar a intelectualidade do povo, pode esquecer! Não fariam isso nunca! Tiraria deles (políticos, mídia e empresas) o ato de governar. Só o excesso de questionamentos que surgiria, os quais deixariam essa gente com uma pulga atrás da orelha e um calcanhar de Aquiles inchado, já seria o motivo pra não vermos essa possibilidade realizar-se. O bom da intelectualidade é que você pode desenvolvê-la sem a ajuda de ninguém, basta querer e investir em ações que patrocinam essa condição. E depois, contaminar quem estiver ao seu redor para que ele faça o mesmo é o mais fácil.

Quando uma coisa evolui, tudo ao seu redor evolui“.
(Paulo Coelho)

Comece a desenvolver a intelectualidade lendo o livro “Os meninos da Rua Albatroz“.

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