Você quer que o diabo seja adorado, dê um Nobel pra ele

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Perdi meu tempo assistindo ontem a um programa de televisão, o qual prometia debater sobre o terrorismo cultural do momento: o medo da Nova Ordem Mundial. Perdi tempo porque eu quis ver o que iam debater, ou levar ao ar, sobre o assunto que é menosprezado pela Grande Mídia, como medida de combate, pois, esta, a mando dos verdadeiros conspiradores, tem o compromisso de evitar que se espalhe muitas verdades que são ditas pelos porta-vozes desse terrorismo, os que iam participar da entrevista anunciada com estardalhaço pelo canal de VHF pouco assistido, provavelmente sem eles terem o conhecimento do que dizem nas entrelinhas da cultura que enaltece a antiga e pouco registrada ordem Illuminatti, a tornando poderosa no imaginário dos incautos. Esses porta-vozes fazem parte do grupo de gente que sai do anonimato para lançar produtos amadores de alta qualidade na internet e fica famosa sem dar a devida receita ou passar pelo crivo daqueles que gostam de controlar a popularidade e a influência junto ao público que os que ficam famosos alcançam. Essa é outra preocupação da grande mídia que a faz tentar inibir esse pessoal.

Muita gente, dos que não vê novela da Globo, se interessou não só pela constatação do que seria a discussão, como também em participar através do Twitter enviando perguntas e pontos de vista para ser lido ao vivo no programa, o que gerou uma profunda decepção, pois, não foi dada importância alguma aos tweets enviados e o programa não passou de uma sessão de apresentação do comum televisivo dos programas de variedades, incluindo música e artistas que  a mídia tenta empurrar para o público e trocas de farpas do tipo “Casos de Família” ou “Programa do Ratinho” entre os convidados da discussão e muito, muito merchandising aproveitando a rara audiência. Devem fazer outro programa desses, mas o próximo já sei que não valerá a pena perder tempo.

Alguns pontos do pouco que foi debatido  – sem chegar ao fim, pois, as interrupções e troca de assunto em cima de outro não era mediada pelo apresentador do programa e tomavam conta – me arrancaram vontade de enviar questionamentos, mas, como eu já mencionei no texto, não foi dado espaço para os tweeteiros e nos sobra, a cada um de nós, utilizar o espaço que temos para expormos o que gostaríamos de ver exposto. Vou dissertar nessa postagem apenas uma das questões, que foi levantada por um dos caricatos participantes que faziam o papel da oposição. Havia dois youtubers, supostos estudiosos do assunto e muito populares na disseminação do terrorismo discutido na TV, e dois frenéticos religiosos, um padre e um pastor, que estariam preocupados com a evasão de fiéis de suas igrejas devido ao contato com os vídeos propagados pelos conspiracionistas em seus muito visitado por gente de todas as crenças canais de comunicação na internet.

A questão era se seria possível um grupo de famílias estar por trás de toda conspiração que há no mundo, dentro da qual a chamada Nova Ordem Mundial. Na minha opinião, se olharmos só para dentro do nosso país, veremos que todo tipo de ação que visa uma reação, quer seja popular, quer seja do governo, tem por trás empresas. Desde a organização de um megaevento, como vamos ver nos próximos dias a Olimpíada do Rio, até golpes de estado, como foi o impeachment de Dilma Rousseff. E empresas são instituições que pertencem a famílias. Empresas unindo forças para garantir intocável a  própria sobrevivência, para garantir o poder sobre as populações, com foco nos mercados e no consumo, e para garantir outros interesses, na prática é isso, famílias entrando em cooperação para se manterem dando as cartas e lucrando, colocando o mundo a seus pés. Logo, é sim possível que famílias possam estar por trás das conspirações que assolam o mundo. Eu acredito que boa parte delas estejam no controle das maiores companhias petrolíferas do mundo (as seis irmãs) e ainda companhias como a Nestlé, a Coca-Cola, a Monsanto, laboratórios farmacêuticos e outras gigantes. Ah, e muito se inclui nas suspeitas de serem os conspiradores as sociedades secretas. E sociedades secretas não passam de grupos de proprietários de empresas que se reúnem em secreto para conspirar em favor de si próprio e da fraternidade.

Acho que os conspiracionistas adentram em caminhos tortos, mas conseguem ao longo dele endireitá-los. Porém, deviam trabalhar para retirar de seu público o medo da ordem illuminatti, parar de enaltecer esse termo como um brinquedinho que garante a popularidade de quem o explora, e focar nos que seriam os verdadeiros conspiradores. O uso do termo deve ter sido infiltrado na sociedade tão somente para desviar atenções. A estratégia seria fazer com que conspiracionistas aparecessem suspeitando dele e buscando combatê-lo. Os pobres illuminatti levam a culpa de todo processo catastrófico e suspeita de plano diabólico e atividade de atentado enquanto os verdadeiros mantenedores da agenda da NOM ficam livres para agir. Quando se quer reclamar da tinta que escapou, deve-se apontar o dedo para o pintor e não para o quadro.

E, para finalizar, só uma pequena reflexão sobre embasamento. Um dos convidados do programa à discussão insistia em dizer que as acusações dos dois teoristas não tinham fundamento – que ele chamava de fundamentação científica. Para ele, todas as denúncias feitas pelos conspiracionistas precisavam ter uma referência bibliográfica creditada pelas instituições regulamentadoras, ou uma matéria registrada na revista Science ou nos compêndios de uma universidade famosa mundialmente, ou pertencerem a trabalhos realizados por detentores de prêmios Nobel, para serem aceitas e obterem permissão para serem levadas à luz e instigar o público com teorias que causam pânico. Não pode ser “eu simplesmente canalizei isso, acredito nisso e vou informar aos que quiserem versões diferentes da oficial para consultar antes de tomar decisões”. Afinal, todos os seres humanos são iguais e da mesma forma que Isaac Newton observou a maçã cair todos nós observamos. Da mesma forma que lhe surgiu uma inspiração naquele momento, noutro pode ser a nossa vez. Se tem uma coisa que ninguém sabe a fundamentação definitiva é sobre o poder do cérebro humano.

Eu simplesmente duvido de tudo que passa por essa aceitação e nos é entregue para assimilar e defender. Fundamentação para mim só tem aquilo que experimento. Duvido mesmo da integridade e da intenção com que tudo que é acadêmico é liberado para ser dado fé e ser conservado. Pode ser, sim, que em alguma coisa o que aprendi na escola me tenha servido e serve para eu chegar às minhas próprias conclusões, via empirismo, sobre o que acredito. Pra eu duvidar, por exemplo, eu li sobre David Hume. Mas não sou presa fácil para essa elite que comanda as escolas, os institutos de pesquisas, o Nobel e outros prêmios que dão introspecção e status aos trabalhos e às pessoas que os recebem. Pra cima de mim não! Quem financia esses pesquisadores são essas mesmas instituições com fins lucrativos que os dois cavaleiros conspiracionistas atacam. Por mais que os pesquisadores sejam íntegros e seus trabalhos honestos, na hora que vão ser publicados os estudos, isso sairá conforme a conveniência de seus financiadores. As verdadeiras descobertas, o trabalho integral ou real, só serão conhecidos e ministrados, quando e se conveniente ministrar, pelos investidores. Virarão royalties. Aos pesquisadores caberá a boa remuneração que ganharam, a fama dada pela autoria e o silêncio. Ainda assim, o que não falta é caso de pesquisador renomado que em algum momento luta contra a opressão que o sufoca e dá com a língua nos dentes quando um trabalho seu é desvirtuado e usado contra as pessoas comuns. Esses que aparecem chacotados na mídia, vítima de alguma notícia mentirosa que os macula a imagem e os priva a liberdade por jogar contra ele a opinião pública, ou senão mortos misteriosamente.

Esta discussão está presente nas páginas do livro “Os meninos da Rua Albatroz”, o livro que discute as principais teorias conspiratórias conhecidas, as desmistifica e decreta o fim de todos os problemas. Leia-o e aprenda a se defender do Sistema.

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