Como disciplinar os políticos e as empresas

Revolução é quando o exótico passa a ser o corriqueiro. Fraseou Che Guevara. É quando o mundo está bom de ser vivido até pelo plebeu, não só pelo playboy. E, a bem da verdade, revolução quem faz não é estadista, não é militar, não é cientista, escritor ou idealista. É certo de dizer que revolução quem faz é o povo com as atitudes que toma. Com o que reivindica e com o que boicota. Quando houve a Revolução Russa se achou que com o trabalhador invertendo de papel com o patrão estaria definida a fórmula da igualdade social. Mas, não, ainda assim formou-se uma elite. Ainda assim houve distinção entre classes de operários.

O trabalhador continua sendo uma força viva importante no processo de inversão de prioritários para se estabelecer uma sociedade justa. Mas, porém, ele deve ser visto com mais ênfase como parte da classe de consumidores. Estes, sim, intimidam em qualquer meio social em que há necessidade de balanceamento. Se o consumidor não consome, o patrão não vende; Se o patrão não vende, não existe emprego. Ficam o patrão e o empregado com fome no caso do capitalismo. A faculdade de por a sociedade conforme se quer está nas mãos dos consumidores. Não é na dos trabalhadores, não é na dos estudantes, nem da família, nem dos políticos e nem da força patronal ou da bélica. Todos estes são consumidores também, porém, o grosso da categoria se concentra na classe de trabalhadores que não possuem privilégios ou têm influência como têm, por exemplo, os políticos e os empresários e sua burguesia.

A outra força viva bastante coercitiva – e que não sabe disso – é o eleitor. O eleitor de porte de sua arma, o voto, pode delegar poderes a um estadista, que se souber fazer uso desse poder e for fiel àquele que lhe deu a chance de representá-lo pode elevar a nação ao lugar onde os poderosos do mundo estão estacionados dando as cartas. E povo de nação que dá as cartas tem regalia.

E é exigindo honestidade por parte daqueles que oferecem seus produtos e ou serviços para os consumidores que se obriga as empresas a concordar com a distribuição justa de renda para toda a população. É exigindo prestação de serviços úteis e idoneidade por parte dos políticos e seus partidos que se obriga essa classe a comportar-se de modo a se ver o país soberano e seu povo feliz.

E a melhor forma de exigir de uma empresa ou de um político é expondo-os. Expondo, por exemplo, se uma empresa trata seus funcionários como escravos, se ela atua no mercado engalobando os clientes, fazendo-os ter prejuízos e posando de qualidade total com a ajuda da mídia, que lhe tapa a sujeira e só exibe seus dotes, mesmo se não existirem. É expondo uma administração pública que não produz ou fiscaliza obras, que não autua infratores.

Havendo um lugar onde todos os consumidores – sem exceção – fosse se informar sobre as manchas de empresas e de políticos – e também de outras instituições públicas como a Polícia Militar -, o público reagiria contra aqueles cujos nomes estão manchados no mural do local. Por exemplo: um site. Um site onde qualquer um pudesse colocar sua denúncia e expor uma companhia ou um gênero da administração pública. E quem lesse a denúncia se aborrecesse com a vítima dela e boicotasse seu consumo e seu voto e ainda colaborasse replicando o que fosse denunciado para aqueles que não chegam até o mural. Quanto mais popular se tornasse o site e o ativismo daqueles que o visitam, mais comportados ficarão os que ali estariam expostos. Doidos para a mancha sair e sempre cuidando para nunca mais ser manchado. E os que nunca tiveram seus nomes escritos na lista negra do site ficariam pianinhos para jamais o terem, caso isso significar algo bastante amedrontador.

As pessoas poderiam fazer suas denúncias anonimamente, mas, apenas no lado público. No lado privado, cada denúncia tem que ter um dono e o dono deve arcar com as consequências da denúncia. Se ele revela uma falcatrua realizada por uma companhia e esta revelação se alastra, movendo pessoas a agirem contra a companhia, caso a companhia se sinta injustamente lesada ela terá o direito de chamar quem a lesou à responsabilidade. Por isso não seria bom denunciar certas particularidades de políticos, partidos ou corporações, pois, nada acontecerá com eles, mesmo se o que for denunciado for verossímil e contraventor, porque eles têm a seu favor todos os instrumentos que podem ceifar a liberdade de alguém e fazer da denúncia uma calúnia apenas. Desde a mídia até o sistema jurídico. Entretanto, a maior parte do que tenho em mente que seria as exposições de empresas e de políticos é coisa que não incidem processo, pois, serão chamadas à análise da audiência pela ótica do consumidor e do eleitor.

As queixas seriam coisas como alguém revelar que desceu uma rua e foi sufocado por uma corriqueira fumaça de um lixo inconsequentemente sendo queimado e chamar a atenção da prefeitura do município, que não educa, fiscaliza ou pune os moradores contra o ato de colocar fogo em locais públicos, o que faria a gestão ficar com a orelha em pé por causa das próximas eleições municipais; coisas como se sentir indignado com a incomodação de um motorista que passa descriteriosamente com seu carro com o som em alto volume, vomitando aquelas canções indecentes ou que fazem apologia a crimes ou a drogas, e não ver a Polícia disciplinando o infrator do art. 228 da Lei 9.503/97 do Código de Trânsito. Coisas como levar ao conhecimento da população sobre o abuso que é as operadoras de telefonia móvel forçar o cliente a ativar assinaturas de serviços que eles não se interessam, o que pode ser um relato próprio comprovado pelo próprio SMS enviado para o seu celular, ou sobre a exploração que sofre o operador de telemarketing nos call center das operadoras para lhes entregar ativação de planos e impedir cancelamentos, de forma que lesa o consumidor – quem vive essa rotina consegue comprovar isso facilmente. Coisas como expor a negligência de um ou mais políticos que deixam de votar propostas que beneficiam a população ou que votam outras que favorecem a si ou a grupos de empresários. Isso é só o começo, você mesmo consegue imaginar milhões de outros apelos que podem ser cadastrados no site de denúncias e ficar no mural acumulando adesões e comentários dos visitantes e sendo compartilhado por e-mail, pelas redes sociais e até mesmo por meio de panfletagem, pois o mural poderá ser impresso em formato tabloide, pelo próprio observador do site, até que seja mandado retirar a denúncia devido ao ganho de causa.

Um site desses não pode ser colocado em locais gratuitos como os serviços de blogs mais famosos ou as redes sociais idem, pois, todos estes são empresas sólidas, dependentes do capital empregado pelas empresas e instituições políticas clássicas, além de famílias poderosas, e por isso até permitiriam as publicações, mas usariam de tecnologia de reparo de informações para inibir o projeto e desencorajar a iniciativa. Tem que ser um site bancado pelo público, o grande interessado no sucesso dele pra coisa funcionar. Não pode ter propaganda no espaço, pois, daria vazão para a difamação com base no fato de que se as denúncias no site feitas forem verdadeiras, por que estariam organizações anunciando nele. Anúncios e doações é que sustentam hospedagem e manutenção de sistemas localizados na internet, se sabe disso. Doações até que são compreensíveis para sustentar o projeto, mas anúncios nem pensar. A não ser, é claro, que sejam anúncios de escritórios de advocacia ou de gente que pode pegar as denúncias e fazer delas uma causa para por a solução em prática.

A publicidade para tornar o endereço conhecido também deve ser realizada pelo esforço coletivo dos interessados nos resultados que o projeto pudesse dar. Muitas vezes encontramos em nosso mural nas redes sociais compartilhamentos de pessoas que buscam denunciar algo ou sensibilizar o público com alguma questão. Porém, o que mais vemos ser compartilhado são materiais que só beneficiam grupos particulares e não o público em geral. Geralmente se vê marketing de militantes direitistas querendo jogar a opinião pública contra esquerdistas e vice-versa. No caso que discorro os compartilhamentos seriam em causa própria. Se você se identificar com uma denúncia que você viesse a ver no mural do projeto você a compartilharia em sua rede de amigos para chamar a atenção deles e buscar apoio para ver a questão exposta e resolvida. Na maioria das vezes, os problemas que te afetam, afetam seus amigos. E a mesma iniciativa de divulgação vale para se fazer conhecido o URL principal do projeto.

Para fazer publicidade tradicional nos veículos de maior visibilidade, além de se deparar com a questão financeira, ainda se depararia com a dificuldade de aceitação desses veículos em promover um terceiro que macularia a imagem de seus próprios clientes. Muitas vezes não vemos empresas serem responsabilizadas por atos ilícitos porque a mídia não incentiva a responsabilização. E ela não incentiva porque essas empresas fazem parte de sua clientela. E em se gastando o dinheiro que a Grande Mídia pediria para popularizar o empreendimento, se correria o risco de gastar um valor muito alto e ter o resultado sabotado pelo próprio veiculador. Há estratégias nesse ramo que permite que os veiculadores de propaganda ajam contra um negócio cuja propaganda foi lhe contratada, sem que estes sofram arranhões. É um meio muito perverso e corrupto. Não é bom mexer com ele aqueles que não fazem parte dos grupos hegemônicos e que ainda quer passar-lhes um corretivo.

Eu, analista de sistemas e programador de sites, daqueles que gosta de desenvolver projetos úteis, interesso em oferecer um espaço desse para o público. Porém, me vejo incapacitado financeiramente para isso. Mas, como a união faz a força, se interessados houverem em formar um mutirão patrocinador do projeto, não ficará só neste texto a ideia. Curta aqui neste blog esta postagem, compartilhe-a, entre em contato pelo formulário, compre os livros que anunciamos, faça qualquer coisa para viabilizar essa proposta se você gostou dela.

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