O engodo chamado Neymar

E então a Seleção de futebol masculino vai mal nas olimpíadas do Rio e a torcida está brava com o Neymar? Bem feito! Esperavam o quê? Que um produto de mídia, um craque de laboratório, fosse dar ao Brasil, sozinho, a medalha de ouro, já que é só o que serve?

Essa agrura toda que o rapaz sofre só faz demonstrar que os  jogos olímpicos podem ser sérios e que, por isso, a “equipe” que almejar medalha tem que ser formada por jogadores que conhecem o que fazem e têm a humildade para fazê-lo. A intenção não pode ser só se valer do potencial de visibilidade que ter participado de uma olimpíada dá para um atleta profissional ou a ser profissionalizado.

O futebol brasileiro e o europeu não passam de peças teatrais montadas em estádios cheios de placas de publicidade de empresas. O que acontece no palco é pensado para o público presente e o televisivo terem certas reações, convencidos, por meio de um trabalho de marketing pró empresas e de engenharia social muito bem feitos, de que tudo que é observado no campo é idôneo e não manobrado.

E, na minha opinião, obtida através de sensibilidade, dedução e uso de informações restritas, não é bem assim: em certos jogos as jogadas são pensadas para certos jogadores executarem e certos jogadores facilitarem a execução. O mesmo vale quanto aos gols, feitos e perdidos, aos erros de arbitragem, às mexidas dos técnicos ou às transações dos dirigentes, além dos esquetes envolvendo supostas contusões, que junto com cartões amarelos e vermelhos dados providencialmente tiram de partidas jogadores que nos bastidores dos clubes são problemáticos ou estão pra ser vendidos. Não se iluda, meu amigo, é tudo uma bela de uma farsa! O Ronaldinho Gaúcho já nos avisava certa vez: “Quando tá valendo, tá valendo”.

Álibis para justificar o resultado da partida em curso ou para os encontros seguintes, que sempre ajustam a tabela do campeonato, vão sendo construídos à medida que o jogo corre e você fica em hipnose por causa da tensão que injetam em você e tudo passa despercebido, como se fossem acontecimentos espontâneos.Didaticamente, sem ninguém parecer que está te ensinando, você mesmo dá a justificativa para um time ter perdido o crucial jogo da frente (jogou desfalcado, fulano machucou, cicrano tomou o terceiro amarelo ou foi expulso, o 15 de Piracicaba veio completo e está embalado, tem um jogador lá que está se destacando na mídia (em vez de sendo de$tacado) e ele é mesmo bom, o time tomou um gol no finzinho, se fulano não perdesse aquele penalti… se o juíz não tivesse anulado aquele gol que o cara não estava impedido…). Eu dou altas risadas dos narradores, que sabem de tudo e se fazem de rogado na narração para enganar o torcedor e faturar o dele no esquema. É a corrupção nossa de cada dia! Cada um pratica a sua.

Você pode até não acreditar no que está escrito aí, mas eles que estão por trás das manobras sabem do que se trata cada acusação opinativa. Você acha que é do nada que a maioria dos atletas, técnicos, árbitros de futebol viram comentaristas esportivos, técnicos da Seleção Brasileira ou olheiro? Nada, é pagamento pelo silêncio do muito que sabem por terem participado um dia da coisa toda.

E o que vale para o Neymar, vale para Cristiano Ronaldo, Messi e outros que a mídia faz de ídolo e usa para jogar holofotes nas placas de publicidade posicionadas no cantinho onde suas jogadas e gols mirabolantes acontecem, enquanto o narrador enche a cabeça de sua audiência falando a ela, ao tempo todo, o nome do cara e dando outras instruções perversas para criar no público idolatria e simpatia pelo futebol e fazê-lo tomar as atitudes pagas por empresas para laboratórios de pesquisas sociais pensarem e jorrarem nos ambientes onde escorre a informação midiática para que incautos as tomem. Pode confirmar isso através do replay da própria transmissão, que fatalmente irá ser reprisado diversas vezes durante a partida e nos programecos esportivos que enchem o saco o dia inteiro na TV e se alastra por outras mídia como o rádio e os jornais. Uma doutrinação implacável que decide por torcedor até o voto dele em uma eleição presidencial. Pode crê, pois decide!

O Barcelona não queria liberar o Neymar para jogar a olimpíada talvez por isto: apareceria que o investimento que o clube fizera para se projetar ainda mais na mídia, o que arrebenta de depósito os cofres, é um engodo, que só se dá bem em jogos de fachada, os combinados para serem vistos e ufanados por multidões de consumidores chamadas de amantes do futebol. Ou então a outra opção: o “craque” poderia machucar realmente, coisa que achamos que vimos ocorrer na Copa 2014, que foi um palco de total domínio dos cartolas da Futebol S.A. e por isso foi possível a verdade a ser veiculada ser a do Clube das Treze (treze famílias que mandam nesses eventos). Basta olhar para os patrocinadores que você chega a elas.

Desde que o futebol se transformou em instituição industrial, na minha opinião perdeu o glamour. Os craques não são craques, os jogos são robóticos, precisam favorecer o espetáculo, pois, supostamente perderia-se o interesse de pessoas de ver pela TV, aí, por causa disso, a mídia televisiva (na verdade uma emissora só) dá muito pitaco, incluindo pitaco na agenda e nos horários dos jogos, penalizando quem paga por isso, que é o pobre e alienado torcedor.

E esse tal de narrador ou de locutor esportivo heroizar ou demonizar atleta, como isso irrita! Eles recebem uma grana alta pra fazer isso e contam com o público para repercutir o que eles falam para “eles”, e somente “eles” na relação falante e ouvinte, ficarem ricos. Pare de dar atenção pra esse pessoal do esporte que se diz jornalista que começa a aparecer craques da bola de verdade. Às vezes até no seu time, que pode ser um clube de futebol até do sertão nordestino. O qual pode ir parar num grande clube brasileiro ou europeu, ou ser convocado pra Seleção, diretamente do próprio time que o revelou, sem ter que pagar qualquer coisa para a gente que administra os lobbies do futebol. E não só no futebol viríamos atletas geniais e jogos de verdade aparecerem ao tomarmos a atitude ensinada, também no vôlei, no basquete, no circo da Fórmula 1.

Bem fazia o Nelson Piquet, que em seu tempo de piloto de F1 rejeitava pagar a babação de ovo insana do narrador da Globo para transformar corredor de Fórmula 1 em Deus e desobedecia os masters da Willians, que queriam — ou tinham sob encomenda — ver o inglês Nigel Mansell campeão. Hoje, ninguém pode duvidar de suas conquistas. E ele também me fez refletir: Pessoa pública é gente comum, atleta é um trabalhador como outro qualquer. Não tem que ser transformado em ídolo, em mito e muito menos em Deus pelo simples fato de isso melhorar o valor de seu passe ou o uso de sua imagem. Se eles levam felicidade para as pessoas, que isso seja um acontecimento natural da sua competência e não fruto de esforço midiático.

Leia o livro “Os meninos da Rua Albatroz“, que também faz essa conscientização a respeito do esporte e principalmente do futebol.

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