O português da calúnia e da difamação

Digladiei ideologicamente no Facebook com uma pessoa que atacava meu ponto de vista com relação à questões discutidas pela grande mídia nacional. Entre estas estavam os episódios envolvendo a integridade do ex-presidente Lula e dos grandes nomes do PT. Meu oponente citava em seus argumentos passagens escritas ou faladas obtidas por meio de exposição aos veículos de comunicação que compõem a grande mídia.

Eu tentava lhe explicar que veículos de comunicação são empresas e, como tal, precisam de receita para sobreviver. E uma forma de eles obterem receita é leiloando a atenção de seu público consumidor. Jornais, revistas, telejornais ou radiojornais têm muita influência sobre quem os lê ou os ouve. De maneira que conseguem fazer com que quem os observam crê no que eles expõem, forme opinião condescendente e propague, defendendo até o último fio de cabelo um fato reportado por esses veículos como se o noticiado se tratasse da mais pura verdade.

Os espaços que vão a Leilão nesses veículos de comunicação são caros, devido à quantidade de gente que eles conseguem atingir. Geralmente quem os contratam são empresas,  mesmo fora da intenção de divulgar um produto. Empresas às vezes usam a mídia para arregimentar pessoas para aderirem uma causa que as favorecem. Os políticos e seus partidos são a outra parte da clientela.

Quem vence nesse leilão põe os veículos para incentivar o público a tomar atitudes que patrocinam os seus interesses. Nem sempre isso é bom para o próprio público que adere ao que é proposto e muito menos é para o país. Os veículos de comunicação da mídia hegemônica  são traiçoeiros e fazem um trabalho sujo realizado bem no limite das leis brasileiras e utilizam para isso imbróglios fraudulentos e um sistema judiciário corrupto para fazer valer suas manipulações sem que eles sejam penalizados pelo desserviço, estrago à vida alheia e corrupção moral do espectador.

Consta que meu debatedor levantou um questionamento: Se o que falam no rádio ou na TV ou o que escrevem sobre o Lula não é verdade, por que ele não se defende ou prova que é tudo mentira? Eu respondi: Se ele se defende, é pela mídia que você iria saber, certo? E a grande mídia, que é a que aparece com mais veículos dizendo a mesma coisa combinada de ser dita – e por isso dá a impressão de ser verdade, pois, você conclui, é muita gente a dizer o mesmo – só vai favorecer o Lula se ele ou seu partido vencerem o Leilão. Ou, se os grupos midiáticos tiverem que, por ordem judicial, retirar as acusações e ainda se desculpar. Isso aconteceu com o Brizola em 1994, quando o político gaúcho do PDT governava o Rio de Janeiro e sofria forte oposição veiculada pela TV Globo de maneira abusiva.

Entretanto, as empresas de comunicação não podem propagar calúnias, difamações, agressões à intimidade de alguém, sem ter provas do que acusa. Mesmo havendo um sistema jurídico corruptível à sua disposição. Mesmo podendo um lado ter contemplada a sua acusação dada a visibilidade proporcionada por parceiros que a faz aparecer massivamente, há advogados, promotores de justiça e juízes dispostos a defender todos os lados, ganhando um bom dinheiro para isso.

O jurista que não conseguir ter o lado mais forte como cliente, prefere pegar a causa do mais fraco do que ficar de fora dos imbróglios que dão status a quem os vencem. Costuma ser até mais compensadora a remuneração nessa situação, pois a perícia para destruir os ataques do mais forte tem que ser muito maior.

E quando é sabido que o que acusa o lado mais forte é truque para incriminar e derrubar politicamente o mais fraco para puni-lo pela oponência ou tirá-lo do caminho, quando se trata de uso da mídia ou de instrumentalização de órgãos públicos para servir a um propósito, a defesa do mais fraco é mais fácil e seus advogados só têm que se preocupar com os termos da indenização moral e financeira.

O V da vitória desses juristas justiceiros costuma vir com dispositivos que obrigam os veículos de comunicação arregimentados pelos conspiradores a apresentar minuciosamente explicada a questão e o desfecho dela, fazendo cair a máscara de muitos golpistas, por isso é necessário muita precaução ao fazer uso da mídia jornalística para por em prática estratégias de assassinato de reputação para jogar audiências contra algo ou contra alguém a fim de cumprir propósitos.

Você sabe quando uma informação propagada na grande mídia é paga – ou seja: subsidiada – e mal intencionada, com grande probabilidade de ser inverídica parcial ou totalmente, analisando a fala do apresentador ou o texto do redator que dá a notícia. Há excesso de verbos no tempo futuro do pretérito simples ou composto – como “teria tido”, “teria sido”, “teria feito”, “teria falado”, “estaria fazendo”,  “seria” – ou uso da palavra “suposto” e seus derivados – como “supõe-se que o governador Pimentel”, “um suposto empregado de P.C. Faria”, “supostamente, Lula…”, “teoricamente, Dilma…”. Ou seja: Quem passa a maldade sob a alcunha de notícia não se compromete com afirmações e transfere a conclusão do que se quer que seja concluído para o receptor da mensagem. É necessário se preparar para se expor à mídia e suas artimanhas usando a Língua da nação.

Mais sobre técnicas de manipulação de opinião você encontra no livro “Os meninos da Rua Albatroz“.

E você pode perguntar: Mas, e as imagens, como dizer que uma coisa é manipulação quando se está vendo a imagem em uma foto ou em um vídeo? E com relação ao áudio, como dizer que é manipulação o que está a ser escutado?

Acompanhe a próxima postagem, quando as respostas para essas perguntas serão publicadas!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: