Os cuidados que se deve tomar quando se quer ser ativista político

A última postagem publicada neste blog, como todas as demais com marcadores que remetem a conteúdos ligado à política, foi divulgada no Twitter, cujo perfil a receber o link de divulgação é seguido por companheiros da Esquerda brasileira, e em grupos e fan page do Facebook acompanhadas pelo público mencionado, alguns desses de minha administração. Na postagem há a preocupação em informar para o leitor que o assunto tratado é delicado e que o texto procurava ser claro para que não houvesse interpretação falha do conteúdo. Além de lembrar que se trata da opinião de quem o redigiu e que a mesma estava aberta para discussão.

Um dos primeiros cuidados que um ativista político que atua com exposição de ideias, quer seja por meio de escrito, quer seja por outro meio, é ter a clara consciência do seu modo de pensar e de agir e se o seu objetivo é apenas expressá-los ou se entra entre as aspirações também influenciar o leitor com as ideias sugeridas. E isso é deixado bem claro nos textos produzidos para este blog e que vão ao ar depois de longas revisões. O desejo de não receber crítica negativa de algum conteúdo existe, mas não a petulância de querer impor o modo de pensar. Sempre o texto apresentado discorre sem recrutar o leitor por meio de prepotência.

Em política há duas correntes ideológicas que se digladiam: a esquerdista e a direitista. De modo que se você for centro, significa que concorda e discorda de pontos de vistas das duas correntes e, como é peculiar do ente politizado, tem opinião própria acerca daquilo que discorda ou que pode haver restrições naquilo que concorda. Isso é ser de opinião livre, independente.

A gente vê nos ambientes ligados às duas correntes o esforço que cada uma faz para combater a outra. O combate resume em utilizar técnicas para denegrir a imagem do oponente. Quer seja levando a público material íntegro, quer seja fazendo uso de fakes para criar marketing de guerrilha para moldar a opinião pública. Aquele que é exposto a esses materiais pode ter sua opinião corrompida acerca do assunto tratado, caso não seja cuidadoso e não examinar minuciosamente a informação prestada antes de degluti-la e, mais ainda, antes de replicá-la. Eu sempre faço isso: vou à fonte conferir como o assunto é tratado nela, se é o mesmo que quem divulgou o feed quis expressar, e, ainda, entro no Google para pesquisar a mesma informação, ver se há mais alguém a discutindo e quais são os pontos de vista ou a informação em si que há nesses locais, para enfim analisa-las e construir a minha visão do tema.

Uma tática que está em voga na internet, principalmente nas redes sociais como o Facebook, é se colocar o link para uma notícia, muitas vezes quente, cuja manchete é comprometedora para algum dos expoentes da esquerda ou da direita política brasileira. Muito se usa inserir ou alterar uma foto na postagem que contém o link para o conteúdo indicado. Está na moda encontrarmos a foto de Michel Temer ou do Lula nesses posts contendo links para outras páginas. O trivial para os incautos é se contentar com as manchetes que leem ou com o pequeno resumo da matéria, visualizando a foto anexada, e se dar por satisfeito com a geralmente denúncia maligna que destrói a reputação de um alvejado.

Para não ser vítima desse tipo de golpe – porque isso também é golpe e golpe para derrubar o inimigo golpista torna quem golpeia golpista também, o que difere de quando em vez de golpear se diz a verdade, pois, nesse caso a verdade trabalha esclarecendo um fato e promovendo quem a revela – procuro acessar o conteúdo, tomando cuidado para não cair nas armadilhas que se escondem atrás de links deixados na internet a fora, e verificar tudo o que for encontrado nele. Geralmente, a foto usada no feed da notícia não existe no local original e a matéria diz o que a manchete sugere nem sempre na ótica esperada por quem compra jornal pelas manchetes. Entendo, é claro, que jornalismo é profissão e é preciso usar tramoias para vender o peixe.

E quando encontro abusos, sinto vontade de escrever a respeito e expor a minha opinião. É só isso o que eu quero. Eu não tenho a pretensão de fazer com que um produtor de material de moldagem de opinião seja convencido por mim a pensar o contrário. Mesmo porquê eu tenho a plena consciência que muitas vezes ele compartilha comigo opinião que tenho, porém, ele está em missão de guerra. E na guerra vale tudo. Até mentir para si mesmo. E a postagem anterior a esta, que recebeu uma crítica destrutiva e um insulto, tive o desejo de escrever quando eu discutia com um amigo que me falava que não era racista, mas que não concordava com o sistema de cotas nas faculdades. A opinião que teci na postagem foi bem explicativa para ele e o próprio concordou que não se tratava de ser racista ser contra o que ele expunha e que ele tem direito de ter a opinião dele, independente se ele, que foi eleitor do Lula, é esquerdista e a contrariedade ao sistema de cotas mencionado vai de encontro a uma lei implantada durante o Governo Lula.

Se tivéssemos que concordar com crimes ou injustiças caso a facção política que aderimos proponha que sejam cometidos crimes para se sanar problemas sociais que são da alçada dos governos resolver, então, é melhor não aderir a facção nenhuma, pois elas estão cuidando dos interesses delas e utilizando os filiados para viabilizá-los, sendo que estes não têm a proteção e garantia de não ter que arcar com as consequências de sua militância como tem o político incentivador, que é passível de imunidade parlamentar e outras regalias extra-oficiais. O mesmo vale para ter que concordar com uma crítica a um argumento de combate seu, que parte de alguém que só critica porque é beneficiado pelo objeto criticado. Esse crítico só está olhando para o próprio umbigo.

E foi isso que me aconteceu. Uma pessoa preocupada com o próprio umbigo veio dizer nos comentários de um feed meu em uma página voltada para a esquerda brasileira que eu me passo por esquerdista para criticar o sistema de cotas criado pelo Lula, do qual eu me encontro apto a utilizar. Li o comentário maldoso e apaguei o feed, pois, os demais membros da página, se tal qual esse acusador não tiverem preparo para serem ativistas políticos, se agirem pela paixão alienada, se voltarão contra mim e me expulsarão da mesma. Por lá, o que venho publicando atinge grande quantidade de adesões, na forma de compartilhamentos, curtidas e comentários condescendentes. Às vezes, o próprio acusador é um infiltrado da direita e desejava com o seu comentário maldoso, se valendo de uma antítese delicada para esquerdista lidar e engolir, jogar a audiência da página contra mim. Talvez porque o que eu posto ou divulgo por lá o incomoda plenamente.

Raríssimos são os que querem ouvir opinião.
Alguns poucos só querem dizer o que pensam.
E outros mais só querem ter razão.

(Augusto Branco)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: