A magia do futebol

“Crer é criar”

Não é fácil para quem está de fora, na posição de mero observador, e que não se deixa alienar pela imposição de midiáticos que transformam eventos de passatempo em paixão, aceitar que o que acontece dentro de um campo de futebol, na frente de todo o mundo, dentro do estádio ou pela televisão, ou até mesmo no palco da mente, que a própria tece se orientando pela voz de um locutor de rádio ou pelo texto de um cronista esportivos, seja fruto do acaso ou, com menor intensidade, do trabalho técnico desenvolvido em treinamentos ou previstos na prancheta de um treineiro. É, para esses, altamente provável que os eventos ocorridos nos gramados sejam arbitrados, decididos em bastidores e contando com a ajuda em campo de atletas, técnicos e árbitros, em outras épocas até com invasores de campo previamente instruídos para invadir, e, fora do gramado, com a preparação ideológica para interpretação de jogadas e outros lances do futebol dada por jornalistas, comentaristas e locutores esportivos, além da comissão técnica que de fora comanda as partidas preenchendo a súmula com os fatos paralelos que afetam as mesmas, como a contagem do tempo, as anotações de faltas, cartões, substituições e outras ocorrências.

Também fora do campo, antes, durante e depois das partidas, outras entidades entram em ação para fazer do futebol um espetáculo que atrai o interesse de muita gente e faz com que ele fique rentável. Ao ponto de poder ser responsabilizado pela sobrevivência do capitalismo em momentos em que os outros instrumentos do regime social precisam de socorro. O futebol garante a entrada de dinheiro para muitos bolsos. Tanto na forma de lucro, quanto na de salários e arrecadações de impostos. Para que tudo saia como o planejado pela entidade organizadora – que se posiciona atrás das federações esportivas que administram as competições -, tanto o desenrolar das partidas, que têm que parecer reais, quanto seus resultados finais e, consequentemente, a tabela de classificação do campeonato, precisam favorecer um lobby, que se for satisfeito, todos os envolvidos no esquema de corrupção da fé do torcedor saem ganhando, de maneira a valer a pena permanecer pelo tempo que for em cada função e garantir sigilo daquilo que lhe foi solicitado fazer e que tenha gerado estranheza e surpresa. Não deve ser fácil para um atleta, por exemplo, que passou toda a fase de categorias de base acreditando que os jogos eram naturais e disputados, ter que concordar, para não perder o emprego e ficar de fora da bolada promissora, com certas orientações que negam tudo que ele acreditava e que lhe trazia fascínio pelo futebol.

No futebol moderno há partidas que seguem seu fluxo como tiver que seguir. Sem intervenção de ninguém por não haver nelas qualquer interesse no andamento ou no resultado. Porém, há outras em que vemos os atletas jogarem até certo ponto. Um time tenta vencer a barreira do outro. Goleiros e zagueiros têm sua eficiência observada até certo ponto. Centroavantes perdem gols de maneira intencional, evitando parecer que tenha sido assim. E até as traves parecem entrar na roda. Jogadores treinados para acertar intencionalmente a trave ou sensores dentro da bola e também dentro das traves para forçar a atração eu não duvido que existam. Mas, no momento em que ocorre a orientação de que um gol – e às vezes com o autor do gol previamente citado na orientação – deve acontecer, por mais que um zagueiro ou um goleiro estejam eficientes na partida, por mais que o torcedor esteja lamentando que um homem-gol esteja em campo, a ordem deve ser respeitada e todos dentro das quatro linhas sabem sua função secreta e devem obedecer.

Mas, nem tudo é orquestrado apenas tecnicamente. Há muita invocação ao sobrenatural e ao oculto para que o funcionamento do futebol prospere. Nem tudo é possível operar sem que cem por cento dos envolvidos nas partidas esteja corrompido e desempenhe um papel durante o jogo, sem ameaçar rebelião e, mesmo contra a sua vontade, sem cometer vacilos que podem por tudo a perder, como um gol espírita, por exemplo, daqueles que a bola bate na trave, bate nas costas de um zagueiro e entra quando não era para entrar.

É amplamente divulgado, e eu acredito no que dizem, que entidades maçônicas estão no controle – também – do futebol. Não é à toa que no Brasil o conluio de clubes esportivos, que concentram seu faturamento no meio futebolístico, é conhecido como Clube dos 13. E essas entidades utilizam seu conhecimento do oculto para fazer valer em campo tudo o que é planejado para a temporada em reuniões ocorridas em suas lojas, debatido entre irmãos – dirigentes de clube e de federações, patrocinadores, jornalistas de toda sorte, técnicos de equipes, jogadores – e decretado pelos grãos-mestres. A começar pelas datas e horas em que ocorrem os confrontos e a numeração nas costas de cada jogador, que são numerologicamente pensadas.

Aquilo que sai do controle, aquilo que não dá para resolver com a atuação dos árbitros para anular ou com a colaboração dos atletas para chutar para fora ou para facilitar um chute certeiro, é resolvido com o uso de práticas místicas que podem alterar o destino de um lance dentro de campo, as quais a fraternidade que controla os certames conhece muito bem e deixa alguns de seus membros dentre os torcedores para pô-las em ação se lhes for chamada a responsabilidade. É por causa desses infiltrados, que provavelmente escondem-se trajados com seus ternos pretos na área das tribunas dos estádios, que se vê situações incríveis acontecerem, como, por exemplo, placas de grama atrapalharem a partida sem obstáculo para o gol de um centroavante que levou a melhor, sem querer fazê-lo, em uma disputa com o goleiro, que não podia derrubá-lo, pois obrigaria o juiz a lhe dar o cartão vermelho, porque estava fadado pelo lobby a ser herói em uma disputa de pênaltis. Os MIB, atentos minuto a minuto nas tribunas, nesses casos unem rapidamente seus pensamentos e imaginam o capote do centroavante e o álibi para o não acontecimento de outro resultado para a partida ocorre por conta do sobrenatural. Quem vai desconfiar que era ministração de resultado havendo uma coisa desse tipo?

Agora que você já reflete sobre a possibilidade de veracidade que há nessa caraminhola que este texto coloca em sua cabeça, vamos imaginar uma partida fictícia para ilustrar como essa corrupção ocorre. A nossa partida fictícia acontece no estádio Mineirão de Belo Horizonte. O jogo é pela Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Corinthians, e quem sair classificado de campo vai parar na semi-final da competição. O primeiro jogo foi em São Paulo e a partida terminou empatada em 0 a 0. A entidade maçônica da nossa ficção decidiu que quem passará para a semi-final será o Cruzeiro, vencendo o jogo por 1 a 0. Os jogadores das duas equipes, bem como suas comissões técnicas, os árbitros e os jornalistas da Grande Mídia Esportiva – somente estes – estão avisados de tudo o que ocorrerá e qual vai ser o final da história, mas todos eles têm que fazer parecer que tudo o que vier a acontecer é natural, que o resultado está aberto, e demonstrar surpresa lance a lance.

Nas tribunas se encontram os MIB para o caso de uma incumbência pintar e eles terem que usar seus poderes para afugentar o acaso e fazer valer o trato feito entre as instituições envolvidas em todo o certame, não só na partida corrente. Entretanto, solitário em um ponto das arquibancadas, perdido entre torcedores de qualquer dos dois times, sem figurar como torcedor de qualquer deles, um ex-irmão da fraternidade, expulso por não concordar com trapaças e nem com manipulação de pessoas e engenharia social visando ganho de dinheiro, resolveu enfrentar a força oculta da organização que fazia parte e se prostrou entre a multidão de alienados aficionados pelo futebol. Ele sabia que podia ser em vão, mas, tentaria fazer minar a intenção obscura de seus antigos mestres em conduzir o resultado da partida de acordo com os seus interesses. Ele chegou a aprender muita prática ocultista, até foi parar nas tribunas como MIB durante o tempo de frequentador da irmandade, e tentaria usar o que conheceu para anular o que foi planejado para enganar aquela multidão, que sairia do estádio com uma opinião e comportamento que não eram de seu conhecimento terem sido engenhados. Quem sabe G.A.D.U. lhe entenderia a hombridade e lhe arquitetaria os pensamentos.

O relógio do árbitro contava 44 minutos do Segundo Tempo. Já haviam subido a placa mostrando três minutos de acréscimo. O rebelde infiltrado aguardou dois minutos mais e começou a mentalizar o gol de empate do Corinthians, que perdia por 1 a 0. Ele sabia que nenhum dos jogadores corintianos arriscaria partir para o ataque com sede e chutar para a meta de maneira ameaçadora, pois, seguia a orientação de não marcar. Mas, eles tinham que fingir fazer isso, finalizando com chutes para longe da meta se fecundasse um ataque.

O centravante corintiano recebeu do meiocampista, estavam eles bem longe da grande área cruzeirense. O mencionado centroavante achou que não ameaçaria o resultado se dali ele chutasse bem forte a bola quase em direção a lateral do campo. Com a mente, o infiltrado nas arquibancadas conseguiu fazer com que o vento desviasse a bola. O goleiro já não esperava ela em sua direção, por isso relaxou-se. Viu a mesma passar por ele já o deixando sem chance de interceptá-la. O gol de empate corintiano, que daria ao time a classificação inesperada, se fez inevitavelmente. O centroavante do time pôs a mão na cabeça lamentando. Foi empurrado pelos companheiros para frente da pequena torcida presente no estádio para simular a contentação com o tento alcançado. Todos eles sabiam de que uma cagada ocorrera, mas não podiam demonstrar isso para não dar bandeira.

Logo que a bola entrou, os marqueteiros de resultado, vendo que o árbitro não tinha desculpas para anular o gol e que o prazo para o mesmo arrumar outro para o Cruzeiro era pequeno, pensaram rapidamente e pelo celular acionou os técnicos de cada um dos dois times. Enquanto a comemoração acontecia, um jogador do Corinthians recebeu a instrução de que na nova saída da bola ele fosse até o jogador do Cruzeiro que desse o pontapé pra o reinício da partida e lhe fizesse uma falta gravíssima. O jogador do Cruzeiro a sofrer a falta foi informado em tempo sobre a  infração que sofreria e que ele deveria cair no chão e simular grande dor. O árbitro foi avisado que após ele expulsar o corintiano ele anunciaria acréscimo de mais um minuto no tempo prorrogado, mencionando o acidente para isso. Ocorreria um ataque do Cruzeiro que culminaria em um escanteio. Na cobrança do mesmo aconteceria um gol de cabeça de um jogador cruzeirense que precisava retomar a simpatia junto à torcida. Ele estava na reserva naquele jogo e havia entrado aos quarenta do Segundo Tempo. A defesa corintiana facilitaria para ele marcar. Se a jogada planejada não desse certo, havia um jogador da defesa do adversário encarregado de cometer um pênalti e isso seria o álibi para o acontecimento do tento salvador da pátria. O cobrador do pênalti já estava encarregado de bater no meio do gol e o goleiro já sabia qual o lado ele cairia. Assim não precisariam correr mais riscos junto à massa.

Para o rebelde infiltrado nas arquibancadas deste nosso conto imaginário, a Conspiração ter que remediar o que planejou já teria sido uma exposição de que os jogos de futebol são arranjados e que o torcedor é levado a acreditar que o tempo que perde com eles não é em vão e que algum benefício eles ganham em destinar tanta atenção e, consequentemente, dinheiro a entidades que não lhes favorecem em nada e que só os manipulam para terem certos comportamentos. Isso para ele já era uma vitória e uma esperança para ver o país livre de elementos que em proveito próprio fazem ele parecer como parece e o povo viver a vida frugal que vive. Boicote o futebol que ele volta a ser verdadeiro e compensador e você, respeitado, terá condição de prosperar o mesmo tanto que dizem-nos prosperar todos os que realmente ganham alguma coisa explorando essa paixão brasileira forçada!

“As vezes, de tão inacreditável a verdade deixa de ser conhecida”
(Heráclito)

O livro “Os meninos da Rua Albatroz” traz outras informações a respeito desse assunto.

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