O futebol é uma fábrica de doce de leite

“A verdade é como a vela: precisa ser apagada para não iluminar caminhos; precisa desaparecer para que caminhos sejam iluminados; e queima.”

fabrica

Participante do movimento cético que questiona radicalmente o futebol moderno, postei no Twitter severas desconfianças da integridade da configuração das partidas semi-finais da Copa do Brasil 2016. Uma será entre o Internacional de Porto Alegre e o Atlético Mineiro. A outra será entre o Cruzeiro de Minas Gerais e o Grêmio de Porto Alegre. Em princípio eu achei que queriam forçar uma nova Final mineira. O motivo seria o olho grande no que é possível se arrecadar para salvar o Mineirão das mãos da BWA, empresa que reformou para a Copa 2014 o estádio e ganhou o direito de explorá-lo economicamente até ter de volta, com lucro, o dinheiro empregado. Negócio malfeito durante o Governo Aécio Neves, que envolveu o time do Cruzeiro na transação como arrendador do campo, alugando-o da BWA. Hoje, essa transação tem veiculada notícias que apontam prejuízos para a cidade, para os clubes – Atlético e Cruzeiro – e para a Federação Mineira de Futebol.

Porém, olhando com outros olhos, é possível que o marketing de resultados que existe no futebol mundial tenha outro destino para essa Final. A demanda seria algum tipo de salvamento que esteja sendo necessário fazer no Rio Grande do Sul. Melhora de imagem para clubes existe para dois deles: o Internacional e o Cruzeiro, ambos indo mal no Brasileirão, o que faz com que o torcedor (moderno) deixe de ocupar sua mente com os assuntos e de ter comportamentos pertinentes ao clube que torce. Como por exemplo: ir a jogos, pagar Pay-per-view, comprar camisas oficiais do clube, votar em quem um complô gostaria que ele votasse. Ver seu clube em uma Final dessas ajuda a recuperar o ego maltratado de torcedor e, consequentemente, o consumo e a atenção dele. Portanto, há também demanda, nesse sentido, nessa possibilidade de confronto. Haja vista que a ordem das semifinais  favorece esse encontro durante os dois últimos jogos do torneio. Mas, quaisquer que seja a configuração da Final, mesmo havendo Atlético Mineiro contra o Grêmio portalegrense, estar havendo algum tipo de manipulação e de demanda é passível de suspeitas. E nós do movimento cético não abrimos mão de suspeitar e de alfinetar com nossas postagens no Twitter.

Tudo o que posto no Twitter vai parar no Facebook. E por lá tem sempre alguém que reage. E numa delas, me deparei com o seguinte questionamento: Para que esquemas de corrupção aconteçam no meio futebolístico é preciso contar com o silêncio de muita gente para não vazar nada. São em média 30 jogadores por clube no profissional e só no Brasil são, no mínimo, 500 clubes. Só aí seriam cerca de 15000 bocas para serem tapadas. Fora jornalistas, técnicos, árbitros e outros mais. Os números não são oficiais – e nem podem ser – e é bem menos bocas de jogador de futebol para serem tapadas, pois não são os 15000 clubes previstos a participar dos certames que interessam a uma conspiração. Mas, foi por causa deste comentário que decidi criar este texto.

Bom, é importante dizer, que vazamentos há. Só que a entidade que controla a opinião e a realidade de cada um de nós opera há milênios, não só há meses ou anos. E não só o que diz respeito ao futebol ou a outros esportes o que essa entidade controla. Na política, nos mercados, na ciência e em todo conhecimento humano. E ela domina setores bastante cruciais para que vazamentos sejam tapados ou, então, corram livremente sem causar estragos. O principal e mais estratégico desses setores é a mídia. Ao ponto de jogadores como Alex – ex-Cruzeiro –, que integra o movimento Bom Senso F.C., que cobra melhores condições para os envolvidos com o futebol no Brasil, chegar a apontar a Rede Globo como grande interventora no andamento do futebol brasileiro e isso não chegar ao grande público e ainda provocar daqueles que tiveram acesso desconfianças e desprezos contra o ex-atleta, sabotando a informação que ele quis propagar. Imagine o que a mídia não consegue fazer para sabotar a opinião de um anônimo, como os que publicam em seus twitters mensagens que se o povo acreditar nelas vai tirar a mamata de um monte de gente?

E, ademais, se a Conspiração se incomodar com algo que eu publicar, por exemplo, para ela me desacreditar basta colocar uma Final da Copa do Brasil entre Santa Cruz, de Recife, Pernambuco, e América Mineiro, por exemplo. Produzindo um craque a la Neymar nas duas equipes, convocando-os diretamente do clube para a titular da Seleção Brasileira por mais de um jogo e pondo a mídia para trabalhar a sabotagem de opinião. Perderiam um tempo com isso, mas, seria útil para salvar o esquema de corrupção.

Muitos jogadores que souberam demais e ameaçaram contar tudo tiveram destino dos mais variados. Só mesmo os que souberam manter as costas quentes é que não sofreram retaliações e hoje ganharam oportunidades de ouro para prosseguir a vida no meio após a aposentadoria, sem perder faturamento e prestígio junto ao público. Alguns foram convidados a servir à cúpula que administra o futebol, em troca do silêncio, a atuar nas mais diversas atividades: viraram técnicos, dirigentes de seus ex-clubes, comentaristas esportivo, olheiros, técnicos e até lobistas. Muitos também ingressaram como membros – alguns de grau elevado – na organização que está por trás dos negócios do futebol.

Já os que não colaboraram e deram ou quiseram dar com as línguas nos dentes sofreram infortúnios. São amplos os casos de jogadores que foram prestigiados ou que simplesmente apareceram na mídia que perderam tudo e se transformaram (ou a mídia propaga assim) em alcoólatras, drogados ou ex-drogados, mendigos, celebridade em dificuldade, vítimas de doenças neurodegenerativas e não conseguem se comunicar, e até mortos, com duvidosa causa publicada.

Manipulação do futebol existe desde antes de 1970, como podemos verificar em vários documentos hoje públicos. É claro que não sob essa alcunha. Mas, para mim, que até registrei isso no livro “Os meninos da Rua Albatroz”, tomaram gosto por isso a partir da Copa de 1978. Naquele episódio envolvendo a seleção peruana, a argentina e a brasileira. No qual, os peruanos teriam facilitado para que a Argentina fizesse os gols que necessitava fazer para superar o Brasil e ir para a Final contra a Holanda.

Agora, como manter esse rolo enrolado? No caso de dirigentes de clubes e de federações, veículos de comunicação e seus profissionais, árbitros e até técnicos não é difícil imaginar o que eles perdem em não manter o silêncio a respeito desse circo. No mínimo perderiam a qualidade de vida que conquistaram com o futebol e que nenhum deles quer se vir sem ela. E, além de ser ilustre e racional, esse contingente não é tão grande ou de intelectualidade baixa para se ter que preocupar com traições. É um contingente seguro.

Os patrocinadores são quem paga os “espetáculos” e é para eles que a conspiração existe. Estão completamente fora de suspeitas de traição. Se a Adidas, por exemplo, quiser vender milhares de camisas com o número 10 nas costas, de certos clubes brasileiros e estrangeiros, ela combina com a cúpula mandatária do futebol de pôr os camisas 10 e os clubes em questão em evidência na mídia. O público já é adestrado de longas datas a ter o comportamento esperado com o emprego dessa tática mercadológica e comportamental: comprar o que ele não precisa para sentir o orgulho que não lhe é nato.

E não para por aí: tem também a Máfia das Apostas. Que faz circular jogos de aposta e fundam nas pessoas o interesse em apostar para ficar milionário. Antigamente havia só a modalidade que afetava o resultado das partidas, mas hoje há também a possibilidade de arriscar dizer até quem vai receber cartão vermelho ou amarelo em uma partida. Nisso, a máfia, que ganha quando o apostador erra, tendo o controle das informações que foram lançadas à sorte, contrata às arbitragens dos jogos o procedimento que lhe favorece.

Já com os jogadores, a parte massiva do complexo, o buraco é mais embaixo. Não dá para todos eles saberem com o que colaboram. Não é passivo isso de confiança. Então, vou esclarecer o funcionamento das partidas e visitar os CT dos clubes, onde os treinos coletivos são realizados e as jogadas a serem vistas das arquibancadas são elaboradas.

Nas partidas há o dedo dos árbitros e dos técnicos de cada equipe, presenças ilustres e de alta confiança na conspiração. Estes determinam o ritmo como os jogadores irão jogar, pois, eles lhes devem obediência. Se alguém faltar com ela e ameaçar o esquema ele é substituído, quando possível, ou expulso de campo. Acontece muito durante as partidas um revezamento de bom momento e de apagão na partida para os dois times. Sucessões de passes errados, exposição ao perigo de gol, muito disso solicitado pelo técnico de cada equipe em razão de haver na partida emoção que favorece a apreciação do torcedor em campo e, principalmente, do televisivo. Hoje em dia é bastante suspeito os escretes não apresentarem regularidade na partida. Coisas como um time atacar o tempo todo é quase impossível de se ver, devido a esse sistema de satisfazer todos os torcedores. Um tem que comemorar o melhor resultado alcançado pela equipe que torce e o outro lamentar a derrota, mas consolado pelo fato de que houve oportunidades e que o time em alguns momentos dominou a partida e as vezes saem dizendo até que o derrotado jogou melhor, como se isso fosse lógico.

E o que os atletas devem executar no gramado é o que eles fazem nos coletivos. Eles têm a obrigação de fazer o que é treinado ali. Em uma cobrança de escanteio, por exemplo, há previamente escolhido o batedor. Cada jogador de defesa de um time e de ataque do outro já sabem onde ficar e o que farão durante o córner, conforme o que viram nas jogadas ensaiadas. Existem variedades de jogadas, mas, em cada uma o desempenho coletivo é robótico, previamente treinado. De modo que se o treinador ou outro ente qualquer souber as opções de jogada do outro, ele a neutralizará.

Se houver alguma jogada surpresa, a chance de prosperar o gol numa cobrança de escanteio é grande. Faço uma pausa para dizer que aquela informação de treino secreto é conto para inglês ver. É que o público tem fácil predisposição para acreditar no que diz a imprensa. Sendo assim, os técnicos sabem as jogadas de seu oponente. São passadas para eles. Exceto, é claro, a surpresa. E quando acontecem os gols que têm que acontecer por conta dos resultados forçados, eles são gerados de jogadas surpresas, que não dão tempo para os defensores agirem.

Dessa forma, a Conspiração não precisa se expor para todos os jogadores, por se tratar de ser a parte mais volumosa nesse complexo e denotar maior probabilidade de vazamentos de informações secretas. Basta que, no momento em que é necessário que haja gol, o técnico solicite aos seus comandados o uso da jogada surpresa. Se estes fizerem algo a mais e comprometedor sem a sua autorização, eles – os técnicos – descartam o ou os infratores do campo. É por isso que não vemos mais aqueles jogadores atrevidos que saem driblando toda a defesa adversária e fazem a bola morrer dentro do barbante ou então chutam da Grande Área precisamente para o gol, indefensável para o goleiro, quando não era para fazê-lo.

Quando aparece alguém assim, rapidamente se vê ou se ouve falar de substituições ou expulsões estranhas ou acontecimentos extra-campo, tipo contusões em treinos, ocorridos com o autor. Recentemente, no Atlético Mineiro vimos, na minha opinião, isso acontecer com o jovem Casares. O qual voltou de contusão suspeita, após grandes feitos em campo pelo clube em jogos anteriores, e não tem mais a habilidade que demonstrava ter, “perdendo”, até, gols incríveis e com baixa eficiência em seus chutes a gol de fora da área.

Para tentar explicar como esse processo de controle do futebol sai bem sucedido, vou comparar os clubes com uma fábrica de doce de leite. No primeiro galpão há os que lidam com os processos primários da produção do doce. Neles se vê total integridade. Os ingredientes com que os operários trabalham são os que devem mesmo ir no produto, que são a água, o leite, o açúcar. E mais as máquinas que farão a transformação dos insumos em pasta, que já será o doce de leite. Os operários aqui são das categorias de base da empresa, ganham menos do que os das demais e só sabem sobre o que fazem. Pode até acontecer vazamentos vindos de outros locais, mas, para eles é só especulação, não podem confirmar nada e se alguém manifestar opinião em público de maneira a comprometer a parte secreta da fábrica, este alguém pode ser demitido – sem cerimônia –, porém, com a empresa categoricamente apresentando para ele causas diferentes que o convencerão de o serem e apontando na rescisão o termo demissão sem justa causa, dando-lhe todos os direitos a receber. Pode também acontecer de este ter seu intelecto bem avaliado e receber uma promoção, indo parar em setores que lhe obrigarão a discrição.

Mais adiante, em um galpão isolado, sem contato com os outros, fica a equipe que receberá o chuchu e o transformará em pasta inodora e insossa – sem cheiro e sem sabor. Não é lhes falado para que serve essa pasta, mas, eles chegam a desconfiar. Estes operários recebem um dinheiro a mais para guardar segredo do que fazem. Eles são comprometidos documentalmente com isso e convencidos a não desejarem largar a função, o que faria com que eles dessem com a língua nos dentes quando saíssem da empresa.

Vem depois os caras que recebem a pasta sem cor e sem cheiro e colocam nela um corante saboroso. Esse corante saboroso é vendido pela indústria química. Ela não só ganha com a venda dele. Ela também tem convênio com outras indústrias que vão se beneficiar com a utilização em massa do doce de leite, assim se forma uma parceria entre a indústria leiteira e a química. A substância é insalubre – causa doenças como o câncer por acidificar o organismo de quem a consome – e com isso obriga o consumidor a consumir produtos da indústria médica – remédios, consultas e outras particularidades. Temos aí uma comparação com os patrocinadores do futebol. E nem é preciso mencionar que os operários dessa linha são como os jogadores que colaboram sem saber com o que estão colaborando.

Por fim, vem aqueles que vão misturar a pasta de chuchu infestada de corantes e saborizadores ao doce de leite natural. Estes sequer têm contato com o que vão misturar. São treinados – assim como nos coletivos nos CT – para abrir comportas, verem um produto se misturar a outro e seguir para ser jorrado em latas que industrialmente serão lacradas.

A pasta de chuchu serve para essa indústria para dar volume ao doce de leite. Fica mais econômico do que só utilizar o doce in natura. Pratica golpista contra o consumidor, mas que de outra forma não seria possível empregar tanta gente nessas indústrias. Os que operam nesta ou nas outras linhas, mesmo se vierem a saber o que é feito, se tiverem juízo e perceberem que o silêncio faz garantir seu ganha-pão não vão dar com suas línguas nos dentes. Vão preferir ficar na fábrica até se aposentar, pois é salário garantido, pois, apesar de ninguém precisar de doce-de-leite, assim como não se precisa de futebol, muita gente se agrada de consumir o produto. Quem sabe, após a aposentadoria, ganham eles algum cargo de confiança ou algum adicional a mais em seu benefício por conta de permanecer fiel à empresa.

Eu não tenho (mais) nada a te dizer
Mas, não me critique como eu sou
Pois, cada um de nós é um universo (acredita no que quiser)
E (pra) onde você vai eu também vou
(“Meu amigo Pedro”. Raul Seixas)

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