Retrocesso: necessidade do Capitalismo?

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Você já reparou a moda? Então, você sabe que vira e mexe eles inventam algo para as pessoas usarem. Às vezes algo realmente novo, ora eles mesclam o novo com o que já foi moda e outras vezes eles simplesmente fazem você voltar a usar a mesma coisa que você usava anos atrás. Só que você vai ter que comprar de novo, pagando mais caro, porque você descartou o exemplar que você tinha. Ou porque deram essa ordem e se você não cumprisse iria se sentir anacrônico (te fariam se sentir assim, logicamente), ou seja: cafona, antiquado, fora de moda, ou porque você cresceu e não cabia mais no modelo.

E, no mundo da moda é mais fácil disfarçar a verdadeira razão desse vai-e-vem. Atribuem a fetiche dos estilistas que determinam para os escravos da moda e da vida fútil o que vestir, calçar, colocar no pescoço. Tem hora que chamam de tendência e dizem que chegaram à conclusão de que as pessoas por vontade própria estão voltando a usar tal tipo de roupa. Pura lorota! Você mesmo deduz o que acontece aqui completando a leitura desta postagem.

Suponhamos que uma fábrica de automóveis empregava nos anos 1980 cerca de 24.000 operários. Passou o tempo, vamos supor: uma década, evoluiu-se a tecnologia de produção e a fábrica rendeu-se à automação industrial. Máquinas passaram a fazer o trabalho de 10.000 dos 24.000 operários que dantes com sua força física e sua habilidade motora ajudava a indústria de automóvel a colocar seus carros na praça.

Quando desempregamos uma pessoa, não estamos apenas tirando dela seu poder de sustentar-se e à sua família. Estamos tirando dela, também, o poder de consumo. Ela vai deixar de comprar do supermercado perto de sua casa onde ela costumava fazer sua dispensa mensal, da lojinha de artigos diversos, do verdureiro, do cabeleireiro, do barzinho onde ela recreava-se. Do clube, da academia, da igreja e etc. Desempregar uma pessoa significa abalar a economia local. Vários estabelecimentos perdem clientes por estes perderem seu poder de consumo.

Ao redor das fábricas se vê muitos comerciantes, formais e informais, tentando ganhar a vida vendendo seus artigos para os trabalhadores delas. Se um surto de demissão faz com que uma fábrica perca um número significativo de empregados, esses comerciantes veem sua possibilidade de sustento abalar-se. No mínimo ocorre redução de consumo em seu negócio, devido à evasão dos clientes que foram demitidos e não vão mais comprar deles. Eles contam com cada gato pingado que puderam reunir ao longo da exploração do negócio nas mediações da fábrica.

Mais do que gerar emprego, as empresas preocupam em gerar consumidores. E o trabalhador tem que ter consciência disso. A empresa A emprega x elementos e as demais empresas a agradecem por se vir com chances de realizar seu exercício porque haverá dinheiro em circulação. E essas demais empresas, que também empregam seu x de elementos, abastecem, também, de consumidor o mercado em que atua a empresa A. No nosso exemplo, quem trabalha nessas empresas que dependem do bom funcionamento da empresa A para existir pode muito bem comprar um carro estando ele empregado e com o salário em dia. Um carro que poderia ter saído da fábrica que foi referida.

A alta tecnologia faz com que as companhias faturem mais por gastar menos com funcionários, mas lega o efeito colateral que explicamos nos parágrafos anteriores: perda de consumidores. Que acaba afetando até mesmo quem inicia o ciclo vicioso, que é quem faz uso da alta tecnologia para se livrar do custo de um empregado. Como resolver isso, uma vez que se todos fossem legados a trabalhar no setor de comércio ou de serviços ou no funcionarismo público teríamos o problema de haver muita gente desejando constituir estabelecimento próprio e comprar das indústrias o que revender, prestar ele próprio o serviço que prestaria como funcionário e ganharia menos ou passar em concurso público e levar a vida de funcionário do Estado, que depende da arrecadação de impostos, que só é possível com o consumo ou com o trabalho de carteira assinada? Quem seriam os consumidores?

A resposta pode estar no passado: só mesmo abrindo mão da tecnologia, já que tentar um regime socialista que não dependa tanto das atividades econômicas para que as pessoas possam saldar suas necessidades ninguém se interessa. Há vários negócios que poderiam usar de automação para cumprir seu objetivo social e que “preferem” contar com a mão-de-obra humana. Eles passam a imagem de preocupação social com o desemprego, mas não é exatamente isso o que eles fazem. O maior exemplo desses negócios são as centrais de atendimento – os call centers. Que aos poucos toma o lugar das indústrias tradicionais e vira o setor que mais emprega e que pode muito bem se virar sem tanta boca para alimentar.

Porém, é um pisar em ovos, pois, focando nos call centers que atuam atendendo o setor de telefonia móvel, que volume de atendimento eles teriam se ninguém ligasse para eles por não precisar de atendimento do tipo, pois, sem emprego não podem comprar celular, nem colocar créditos frequentemente em sua linha e muito menos fazer plano mensal? Se investigarmos a fundo, desde empresas como a Nestlé ou a Coca-Cola, até os grandes interessados na abundância de dinheiro circulando no segmento de telecomunicação, como os fabricantes de celulares, as operadoras de telefonia ou os grandes lojistas de equipamentos eletrônicos, são passíveis de se imaginar que eles dão contribuições financeiras para que os call centers mantenham seu contingente de assalariados em certo nível para, por fim, garantir o consumo em seus próprios negócios. É dinheiro que vai e que volta. Investimento sem muito risco, pois passa pelos programas de incentivos fiscais que beneficiam aqueles que promovem a empregabilidade os isentando ou amenizando o pagamento de impostos específicos.

Não demorará e veremos as fábricas mais tradicionais voltarem com o seu modo antigo de produção, tão simplesmente para ajustarem essa necessidade do Capitalismo. Orgulhosas, é claro que elas não vão dar o braço a torcer e dizer que o motivo é o apresentado. Vão dar desculpas do tipo das que dão com relação à volta do disco de vinil: “possui som melhor; é mais artístico; as pessoas preferem vinil; é mais difícil de ser pirateado”. Ou então essas desculpas que dão os estilistas de moda, já mencionadas no começo do texto. Tecnologia e criatividade, parece que não, mas tem auge. E quando ele é atingido torna obrigatória uma regressão.

Farei mais para frente postagem analisando outras necessidades do Capitalismo. Entre elas a de certos negócios terem que contar com atos desonestos para fazer gerar sua demanda. Na postagem anterior foi citado os negócios que atuam no segmento do esporte, mais particularmente o futebol, e os que atuam no segmento alimentício e farmacêutico, quando foi citada a fabricação de doce de leite.

Mais do mesmo no livro “Os meninos da Rua Albatroz”.

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