O poder da palavra “gostaria”

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Se tem uma coisa que não tenho paciência para fazer é postar na internet tudo quanto é fato que acontece comigo. Me sinto um velho adolescente. Só por isso. E também um prestador de contas. Mas, esse eu vou quebrar o protocolo para falar de uma coisa bastante interessante que é o poder das palavras. Poder de persuasão, poder de transformação, poder de tudo.

Eu comprava um artigo em um supermercado, item único que me custou R$3,39. E, na hora de passar no caixa para fazer o pagamento, dei R$5,00 para a atendente. Ela se preparava para me voltar o troco, mas fez uma pausa, tendo reparado que havia uma sobra em centavos além dos um real. E me fez a pergunta: “Você gostaria de doar esses sessenta e um centavos para o Hospital do Câncer”. Como que hipnoticamente eu respondi “claro, que sim”. Ela, então, fez outro registro no caixa e me deu a notinha, a qual declarava o valor da doação.

Eu estou sempre fugindo de doar qualquer coisa. Não acredito na intenção das pessoas e nem acho que seja problema meu levantar fundos para qualquer que seja a instituição. Mas, ela usou a palavra “gostaria”. E em tom educado. Aí, foi diferente. Diferente de perguntar “quer fazer uma doação” e me permitir raciocinar se eu quero fazer algo que eu não estava com intenção de fazer naquele momento. Eu queria comprar uma lata de cerveja e só. Diferente de “vamos aproveitar e participar do bolão da Megasena” que os atendentes das lotéricas falam e que te deixa aborrecido por que não te dão na frase uma escolha e sim uma sugestão quase que obrigando sua acatação. Diferente dos chatos telefonemas da LBV ou do Criança Esperança, que podem acontecer a qualquer hora do dia e que de tão estratégico o texto da fala eletrônica não isenta ninguém de imaginar que seja gente rica pedindo dinheiro para dar pra gente pobre. Desconfiável, não?

Mas, ela falou “gostaria”. Ela me deu a chance de decidir. Ela me perguntou se eu teria gosto em fazer uma doação. Me apresentou uma causa nobre. Me fez perceber que o valor era irrisório e que eu tinha condições de doá-lo. Não veio com os 10, 15, 30 reais do Criança Esperança. Essa é a abordagem mais apropriada para se conseguir algo de alguém. Muito melhor do que a que faz aquele que te assusta ao mostrar suas feridas ou o seu sofrimento quando pede esmolas nas calçadas ou dentro dos ônibus. Esses, jamais irão poder contar com o poder da palavra “gostaria”, pois, há a necessidade de ser humilde para usá-la. E você nunca está sendo humilde quando apresenta seus problemas para ganhar algo de alguém, pressupondo que este seja melhor do que você e está em condições de te ajudar, por isso ele não tem que decidir nada, já está tudo decidido por ele. Isso é extorsão.

E, então, leitor, foi útil esta leitura? Gostaria de ajudar a divulgar o meu blog compartilhando-a?

Mais sobre o poder das palavras no livro “Contos de Verão: A casa da fantasia“. Aproveite a black friday no site.

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