Vem aí o A.I.-5 (Plim, Plim)

20anos

Pode até ser que no texto da PEC 55 haja algo de proveitoso, mas, é fato que ela foi aprovada contrariando parte significativa da população brasileira. O que está em questão, então, é a arrogância dos parlamentares diante ao poder e o descaso deles perante a quem os elegeram. Hoje é um limite orçamentário o que interessa a eles aprovar, sabe-se lá o que pode ser amanhã. Agora esses deputados e senadores não conhecem seus limites. Acham que podem tudo e que não há páreo para eles. Eles têm pólvora (a grande mídia), chumbo (o Judiciário) e balas (as forças armadas) e querem nos guerrear.

Imagine se não vão querer trazer de volta, se der na telha deles, o velho Ato Institucional número 5. Aquele instrumento político escravista que foi baixado em 13 de dezembro de 1968, durante o governo do general Costa e Silva, Governo Militar. Ao qual, muitos dos que estão por trás da PEC do diabo (diabo é que gosta que a gente PEC), de uma forma ou de outra deu a sua contribuição. Escrachadamente, sabemos nós, as organizações Globo.

O A.I.-5 limitava a liberdade de expressão. Se tem comparativo com os atos de agora, comparemos então com a pretensão de se querer impedir as pessoas de falar mal de políticos, esse bando de filho de uma pu… Desculpe-me, senhoras de respeito, eu não quis ofender! E outros abusos mascarados de projetos de lei que só o Judiciário brasileiro que não vê irregularidades neles e os aceita. Quantos não ferem a Constituição Nacional?

O A.I.-5 limitava a liberdade de comunicação. Atualmente se compara com a intenção de se reduzir a internet fixa. Coisa que interessa aos grandes veículos de comunicação deste país – braços do governo – por perderem audiência e venda de exemplares, já que o conteúdo da internet é amplo e mais livre do que o propagado pelos veículos mencionados e isso é de total agrado da massa que antes era freguês cativo, por falta de opção, do conteúdo formado por futilidades e desinformação.

Dificultar o uso da internet fixa também interessa aos mafiosos do Cartel da Telefonia Móvel, que vêm seu principal serviço sair de suas mãos, uma vez que o uso do voice-IP, do audio recorder e o desinteresse por comunicação fonada faz com que as pessoas atualmente prefiram se comunicar revezando entre teclar, clicar em emoticons sugestivos que substituem n palavras ou fazer uso de softwares que escrevem na tela tudo aquilo que se fala, economizando-se tecladas e kbytes enviados sem deixar de dizer o que se pretende. Esse pessoal desses nichos mercadológicos deve estar na cola desses políticos corruptos que fazem farra no Congresso Nacional para que eles lhes cumpram objetivos contratados possivelmente durante suas campanhas eleitorais.

O A.I.-5 limitava a cultura e a expressão artística. Se era conduzido a engolir aquilo que os militares escolhiam para a população mastigar. Na música, por exemplo, se era obrigado a ouvir ou a consumir o ABBA, Roberto Carlos, Frank Sinatra. Longe de querer dizer que esses eram ruins porque não eram. Protesto aqui é contra aquela decisão que não era sua. Ali Primera, Alfredo Zitarrosa ou Geraldo Vandré você tinha que ir para um lugar quase impenetrável para ouvir se fosse a sua querer ouvi-los.

Os enlatados norte-americanos dominavam a TV. A noite era das telenovelas da Globo em especial (será por quê?). Os telejornais pareciam comerciais de longa duração do Governo Militar. Os filmes da moçada comportadinha que não questionava nada eram permitidos ver. Tanto na TV quanto no cinema. Só dava eles. Censura Livre. Com esse pessoal cantando de galo seu Youtube vai reduzir a “sua” programação – se não fechar as portas por falta de novidade ou vazamento de material restrito (e também velocidade de banda) para cativar o público. E você vai ter que (argh) assinar a TV por assinatura da Globo se não quiser voltar a ver o lixo da TV aberta. Que continuará a ser lixo.

Nas bancas, se hoje já está ruim, acostume-se, pois, vai ficar pior. Talvez haja várias edições da Veja, da Época, da Isto É numa mesma semana, só pra fazer campanha para o PSDB e macular o PT. Que nojo será passar perto de uma banca! Aliás, será é perigoso. As velhas bombas vão voltar a estourar. Bombas mesmo. E as brasas feitas de página de revista e jornal hipócritas vão subir. A Playboy impressa deverá voltar a circular e você que adotou o pornô sem limites que a web ditou ao público vai ter que se virar com essa revistinha de direita em que nu é um par de seios carnudos de fora. Não que vá fazer falta o material útil durante a falta do que fazer, é só pra se saber que “a liberdade cairá por terra como num filme do Goddard”.

Nas livrarias, livros como “Os meninos da Rua Albatroz” devem receber o mesmo tratamento outrora dado para “O capital” e “Manifesto comunista”: proibido para maiores e menores de qualquer idade. Os didáticos terão o compromisso de fazer as pessoas ufanar o sistema capitalista cafajeste instaurado, mantido na base da escravidão do trabalhador e do consumidor, e transformar em heróis sujeitos que não possuem perfil para herói nem do Pedro Bial. Será a ditadura “civiltar” (civil e militar), como preconizou o escritor Ignácio de Loyola Brandão em seu “Não verás país nenhum”.

O A.I.-5 limitava a participação política da sociedade. Tirava dela o direito de greve e de realizar passeatas e outros tipos de protestos. Pensa: o único meio que temos, hoje em dia, de fazer aparecer os problemas que passamos e nossa verdadeira opinião acerca dos assuntos badalados é promovendo manifestações, já que a grande mídia não nos dá visibilidade porque é arregimentada ou concumbinada com os golpistas que comandam a nação na luz ou na sombra, e a menor não aparece além de para nós mesmos. Como será quando esses canalhas que ocupam cargo de senador ou de deputado desbandeirarem de vez? Vamos ter que fazer uma vaquinha para limpar os espaços sujados pelos baderneiros que carregam sprays pelas noites e voltar com a legítima pichação de esquerda. Aquilo sim aparecia e comunicava. Vamos cuidar para que não tenha vez os “Cão Fila Km 26” para atrapalhar.

O poder de compra eu não sei se vai aumentar (duvido que vá), mas, por certo vão nos querer ditar os produtos que poderemos (ou deveremos) comprar. A indústria da manipulação imperialista vai deitar e rolar em cima de nós. Portanto, esqueça desde já a compra do novíssimo I-Phone 7, pois, vem aí o velho A.I.-5. Guarde seu dinheiro para fugir do país. E se fores o último: apague a luz e feche a porta!

Bem, voltando da divagação, graças a Deus, teçamos agora o contragolpe. A gente vai ver tudo isso rolar e ficar parado? Que masoquismo é esse? Claro que não! A primeira providência é desde já, enquanto ainda há liberdade, cortar os braços desses golpistas. Como? Parar de dar audiência para os veículos de comunicação da Grande Mídia. A corja precisa deles para fazer as informações que quiser que cheguem até nós escoar. Se estas não chegam: “fudeu pra eles”. Desculpe-me pela expressão!

Leia um pouco sobre certos camaradas e entenda o que eles dizem. Theodor Adorno, por exemplo, que achava que a revolução viria das artes. No futuro o emprego escassearia e todos teriam que aprender um tipo de arte para oferecer no mercado e viver dela. Isso é prático! Mas, não era só isso: ele achava que em usando a arte para se comunicar a eficiência é maior. Eu também acho. Tô aqui usando a minha. Adorno era músico além de sociólogo. O importante mesmo é que você leia.

Vamos criar e cantar cancões de guerra, quem sabe: canções do mar. Canções de amor? Ao que vai vingar? Como disse o Caetano Veloso ao emplacar uma ode à America. E assim passar as mensagens – ao mesmo tempo que trabalha – sem ter que contar com os veículos que querem monopolizar a distribuição de informação e as oportunidades de trabalho e manter-nos, com isso, aprisionados. Assim esses instrumentos quebrarão. Sociedade alternativa, meu! E eles quebrados, vixi, é “nóis” livres!

(1)Preparar a nossa invasão
E fazer justiça com as próprias mãos
Dinamitar um paiol de bobagens
E navegar no Mar da Tranquilidade

Toquem, o meu coração
Façam a revolução
Que está no ar, nas ondas do rádio
“Na internet” repousa o repúdio
QUE DEVE DESPERTAR WOW

Wow wow wow wow wow

(2)If you twist and turn away.
If you tear yourself in two again.
If I could, yes I would
If I could, I would let it go.

This desperation, dislocation, Separation,
condemnation, Revelation, intemptation
Isolation, desolation
Let it go and so to find away
I’m wide awake,
I’m not sleeping Oh no, no, no.

(1) “Rádio Pirata” (adap.). RPM. 1985
(2)”Bad” (adap.). U2, 1984.

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