E se após a sua morte você for transformado em um mito?

mitos

Estive vendo vídeos de um canal no Youtube, de um cara que se dizia estar a desconstruir mitos. E, independente de serem válidas ou não as informações, me incomodei com o que era dito sobre pessoas que já morreram. Acusações violentas que faziam com que a história do acusado virasse outra. Intrigantemente o oposto. Se o sujeito tem sua imagem lembrada por ter se dedicado à caridade, como Madre Teresa de Calcutá, que o cara escracha em um de seus vídeos, sabe-se lá sob a que tipo de financiamento, ele, na proposta do conteúdo, é imediatamente remetido ao caráter típico de um político corrupto, por exemplo. Que finge ser bonzinho, mas é marcado pela opulência, mediocridade e falta de amor ao próximo.

E nisso havia afirmações que só o acusado poderia revelar, por serem íntimas e por nunca o próprio ter se pronunciado claramente sobre elas. E ele não está aí para se defender. Deixei de ver outros vídeos no canal por causa dessas inconsistências e por perceber uma certa militância típica de direitistas no teor crítico e informacional do autor. O cara se dizia a desconstruir, com uso de relatos duvidosos, Ché, Fidel, Lula, Dilma, mas não tocava nos nomes do Aécio, do FHC, do José Serra ou Roberto Marinho. É só a Esquerda que mente ou é só ela que tem cacife pra fazer surgir, naturalmente, sem a ajuda da mídia, ícones com inspiradoras biografias propagadas? Quer falso herói melhor para se desconstruir do que o juiz Sérgio Moro?

História, e sobretudo biografias, não é uma ciência indiscutível. É muito predisposta a erros de interpretação ou a tendencionismo. Às vezes um historiador encontra uma pista falsa, segue o raciocínio que ela impõe e o publica sem encontrar oposições preocupantes e o que ele registra vira verdade até que surja uma contundente contestação, sendo que um estrago já teria sido feito. Tem vez que o historiador percebe um erro no que vai informar, mas vê vantagens em mantê-lo e deixa que o registro corra assim mesmo, tipo “se colar, colou”. E tem vez que a intenção é desinformar mesmo. Deixar pra posteridade testemunho falso sobre alguém ou sobre um fato, que vá enaltecê-lo ou difamá-lo, simplesmente por amá-lo ou por odiá-lo. E a história humana segue conforme conveniências pessoais.

E aí, o “mau cheiroso”  Ché Guevara vira racista (Cuba só tinha branco na época da Revolução?) e infanticida pra que deixe de ser herói na mente de pessoas que o tem apenas como referência de bravura e determinação; Madre Teresa vira mercenária. Sendo que diante do exemplo com que cada um dos heroizados ficou lembrado, que é o que importa e pode ser comprovado, os pormenores de sua vida pessoal, apresentados corruptamente ou não, é que vão determinar para os incautos se vale ou não a pena seguir seus exemplos. Se Graham Bell nos deu o telefone, importa o fato de ele ter falado muita bobagem?

Então, comecei a refletir sobre mim. Eu não estou livre de após minha morte ser transformado em um mito. Falo e escrevo o que penso, às vezes tenho adesões ou repulsas, deixo textos pela internet a fora e já publiquei alguns livros. Vai que depois que eu partir, por algum motivo as pessoas, de maneira massiva, tenham interesse pelo e deem valor ao que produzo e isso vá parar nos quatro cantos do mundo, não só no quinto dos infernos, que é onde provavelmente eu devo parar? Sigam-me os bons!

Com essa presunçosa preocupação, já deixo nesta postagem o meu atestado de bom comportamento para que ninguém fale por mim. Eu não sou gay, nem pedófilo, nem racista, nem mercenário, nem corrupto ou drogado ou alcoólatra. Não estou envolvido em nenhum caso escandalizável.

Tenho gênio forte, sou mau criado quando preciso, mas sei relevar, perdoar e reconhecer meus erros e os dos outros. Com as mulheres eu já fui da água ao vinho. Grosso algumas vezes, mas, até aqui eu fui dócil na maioria delas. Não tenho culpa em cartório nenhum e até aqui nem filho bastardo. Também não sou endinheirado e falo que sou pobre para angariar seguidor que ama a humildade e aí sim encher-me de dinheiro. Quisera eu ser rico e ficar caladinho. Não matei e nem roubei ninguém.

Sou ficha limpa. O que disserem sobre mim e for diferente disso é intriga da oposição ou dor de cotovelo por eu ter ficado famoso.

É discutível alegar que da vida nada se leva, mas é incontestável a alegação de que algo se deixa. É prazeroso saber desde já que se vai deixar alguma coisa. É gratificante verificar que o seu legado foi útil para alguém. E é alentador providenciar para que a própria imagem não seja deturpada devido a motivos espúrios de irresponsáveis. Fico por aqui e peço que você expresse sua adesão ou repulsa a este texto para eu medir meu ibope. (Rs!)

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