Bem-vindo ao Governo Temer: Reforma terrorista

egypt-slaves

IMAGEM: The Jews were never slaves in Egypt (Os judeus jamais foram escravos no Egito).
http://www.religiouscriticism.com/

Eu passava pelo Centro de Belo Horizonte, nas mediações da Galeria do Ouvidor, quando me vi em estado de pânico. As calçadas das ruas totalmente tomadas por camelôs. Gritaria e oferta de tudo quanto é produto atrapalhavam os transeuntes, que precisavam ir incomodar os carros, se deslocando para o asfalto. E os lojistas, que, imagino, deviam estar transtornados pela falta de ética mercantil e com o descaso da Prefeitura de Belo Horizonte, permitindo que informais ilegais tirassem o ganha-pão do lojista, que permite que ele garanta o pão também de seus empregados, enchiam, em vão, o 190 de reclamações. O meu dinheiro, obviamente, os camelôs não arrancaram, pois, tenho bom senso e não compro, por razões ideológicas, de mascates desse tipo. O que eles têm de barato por não pagar impostos sai caro para mim, que preciso que o governo tenha dinheiro no caixa para, por exemplo, me pagar Seguro Desemprego caso eu venha a ficar desempregado. Comprar de camelô é dar tiro no próprio pé, para aquele que é trabalhador formalizado.

Há cerca de 15 anos, essa realidade estava pior, mas, o então prefeito de Belo Horizonte, o petista Fernando Pimentel, hoje governador do Estado, construiu vários centros populares de vendas, aos quais chamou de camelódromos, e entregou para os ambulantes ilegais. Para lá eles foram comerciar suas mercadorias paraguaias e a cidade ficou top, típica de Primeiro Mundo. O prefeito até pôde posar – não só por isso, é claro – com o título de oitavo melhor prefeito do mundo, dado pelo site inglês Worldmayor. Mas, convencida pela Grande Mídia, que sempre demonstra que quer muito o “bem” do povão, a população achou por bem não confiar mais no PT e deu o cetro municipal para outros candidatos e partidos, como o atual Márcio Lacerda e seu PPS, parceiros arrependidos do PSDB, e agora tudo voltou a “maravilha” que era, em que pedestres têm que dividir o asfalto com os carros para deixar as calçadas para camelôs e lojistas baterem boca. Acredito que o plano dessa mídia de ressachar a imagem de governador do Pimentel mingua é por causa dessa máxima: “o povo esperto não acredita mais na mídia, por isso, não cai mais em seus golpes”. Tanto é que elegeram o Alexandre Kalil para Prefeito de Belo Horizonte nas eleições municipais de 2016. O candidato do PIG – Partido da Imprensa Golpista – era o outro.

Finalmente em casa: Hora de relaxar. Eu costumo dizer que relaxar é algo que tem que ser feito do modo antigo: ouvindo uma musiquinha da boa deitado em uma rede pendurada no alpendre. Porém, desse tempo eu só posso ter vontade de trazer de novo, então, me entreguei à forma de relaxar que usam hoje em dia: entrei no Facebook pra ver o que está acontecendo por aí. E, nisso, me apareceu a notícia da Reforma Trabalhista que Michel Temer quer fazer. “Credo” foi a minha interjeição.

Cortes de benefícios e mudanças na CLT para viabilizar os planos a corja que administra o trabalho atualmente já divulga a intenção espúria desde bem antes do golpe de estado para tomar o poder e se vir na situação de dar as cartas mesmo que à força. Aumentar o expediente de trabalho de 8 para 12 horas diárias já tem um tempo que essa exploração do trabalhador entrou na pauta da luta de classe que se estabeleceu. Recentemente soubemos o valor proposto para o novo Salário Mínimo e constatamos que é menor do que o que a equipe da Dilma já havia fechado. Mas, jornada móvel? Essa foi para acabar de vez com a instituição do trabalho e decretar o sentimento de lesa-pátria para o trabalhador batedor de panela adicionar ao rol de sentimentos espúrios que vêm sendo lhe acumulados desde que ele viu a besteira que fez. Vai existir só escravagismo!

A Reforma Trabalhista pretendida pela equipe de Temer veio depois de o presidente imposto decidir dar 20 bilhões para as empresas do setor de telefonia móvel se modernizar e atender melhor o consumidor. Na minha opinião, não tem nada disso. Essas empresas agem como boi de piranha para ajudar o Governo parceiro delas. Na certa parte desse dinheiro “nosso”, que não foi nos consultado antes de fazer a doação, vai direto para o bolso dos majoritários do cartel da Telefonia Móvel. E visa garantir emprego o restante. Sim: garantir emprego. Mehorias do serviço ao consumidor? Essas operadoras querem mais é que o consumidor se lixe!

capitalismosocialista

Vou explicar como seria o funcionamento desse presente de Natal que as telefônicas e outras empresas do setor de telecomunicações ganharam. Sem condições de manter os empregos com a economia e os distúrbios sociais do jeito que estão, as telefônicas e afins ameaçam demitir. O Governo, preocupado com o estrago que esse surto demissional irá lhe fazer, repassa uns bilhões para que os postos de trabalho em questão sejam mantidos. Assim, a corja governista se safa de ter que lidar com o descontrole da crise de emprego e de ver sua popularidade piorar, dificultando-lhe a permanência no poder e mais ainda a pretendida continuidade a partir de 2018, quem sabe de maneira lícita.

Trabalho garantido é para o trabalhador poder de consumo. Ainda que pouco. Nisso, todo o comércio, a indústria, o setor de serviços, incluindo os bancos, saem ganhando com o lucro gerado por seu exercício. É com estes que os consumidores gastam o que ganham de salário. As compras legais geram impostos e isso é o que o Governo precisa para saldar suas próprias contas e pleitear perpetuar seu atual status quo.

Agora, voltemos ao “planejumento”, ops: planejamento, dos peritos em relação de trabalho e vida de gado que compõem as bancadas ministeriais e senatoriais do popularíssimo ao avesso Governo Temer. Eles querem implantar um projeto antigo do partido inimigo da população, na minha opinião, o PSDB: a jornada de trabalho móvel. Copiando do site Jusbrasil, vou explicar o que é: “Hipótese em que o trabalhador cumpriria jornada móvel e variável, permanecendo à disposição da empregadora durante 44 horas semanais, embora pudesse trabalhar, a critério exclusivo da empresa, por período inferior, sendo remunerado de forma proporcional ao tempo efetivamente trabalhado. Regime horário que atende exclusivamente aos interesses do tomador dos serviços, obrigando o prestador a permanecer à sua disposição e a vivenciar absoluta insegurança em relação aos instantes em que deveria atuar e ao total dos salários que lhe seriam pagos .

Na minha opinião: isso é escravidão geral. Sem discussão. Eu é que não vou aceitar. Boicoto o trabalho formal e deixo de ser consumidor. Mais gente para me acompanhar no comportamento e isso cai por terra como uma avalanche. E seus mentores vão junto.

Entrado em contato com esse lixo de ideia para explorar o trabalhador, voltei minha mente aos camelôs da região da Praça Sete de Belo Horizonte. Eles estão é certo de já se rebelar desde já. Pra que ficar à disposição de colarinho branco para ele ficar no bem bão com a boa dentro da carteira enquanto quem trabalha pra ele, o tempo que ele quiser, só leva no traseiro? Temos que ser bastante ignóbeis, o tanto que eles acham que somos, para sustentar isso, não é mesmo? Digo sustentar porque impedir de isso ser aprovado a gente já viu que não conseguimos. Mas, fazer como fazem os camelôs – desagregar, ligar o “fo**-se”, anarquizar – está inteiramente ao nosso alcance. Já ouviu falar de montar sociedade alternativa? E é até muito mais providencial agir anarquicamente do que ir logo achando que não há outro jeito de levar a vida no Brasil que não ser escrachado por esse governo sujo e usurpador.

Tenho pena é dos pequenos lojistas. Eles também são povo. Passam pelos mesmos problemas que nós e são quem segura nas costas a instituição do emprego no Brasil. As multinacionais só produzem supérfluos e são quem realmente ganham dinheiro nessa selva mercadológica que destaca o Brasil para os investidores gringos. Quem emprega deveras são os micros e médios empresários. Para eles não tem financiamento ou presente de Natal do governo para transformar suas empresas em cabides de emprego a fim de manter gente trabalhando e criando condições de consumir.

Vai acabar explodindo tudo nesse campo minado, pois, o camelô não está nem aí para essa preocupação minha. Eles precisam também faturar para pagar suas contas e comprar o que desejam, logo, pensam que o problema não é deles e nem foram eles que fizeram. O MST – Movimento dos Sem Terra – conseguiu um similar no mundo dos negócios: o MSL – Movimento dos Sem Loja. O MST é outro grupo inspirador para nos motivar a agir de modo que intimida essa corja capitalista que nos fazem de trouxas.

Sobre a nova invasão dos camelôs ao Centro de BH: Clique!

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