Bem-vindo ao Governo Temer: A voz de Deus zunindo aos ouvidos golpistas

Qual a paz que eu devo conservar pra tentar ser feliz
(Adaptado de “Minha alma (A paz que eu não quero)”, O Rappa)

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Não tenho credenciais para afirmar isso, por isso utilizo o recurso de deixar evidente que se trata da minha opinião, mas, nunca no mundo um governo sofreu oposição tão forte vindo de populares anônimos ou mantidos no anonimato pelas classes dominantes que controlam a mídia e podem fazer uma opinião permanecer oculta ou ser totalmente desvirtuada. Eu só frequento ambientes onde as “versões oficiais” dos fatos e a “opinião oficial” sobre as mesmas não vigoram, e neles a rejeição pelo Governo Temer é perceptível de atingir patamares bem maior do que o que os veículos de comunicação publicam.

E isso graças à internet. Não só às redes sociais, mas também aos blogs e sites de anônimos que conseguem furar o bloqueio que visa inibir informações que são veiculadas nesses veículos. Parece até que o Lula preconizou essa necessidade e tratou logo de dar condição para que o sujeito comum pudesse ter acesso à essa mídia e nela expusesse a sua opinião. Não é à toa que tanto querem limitar a internet fixa, criar instrumentos para calar o povo contra os políticos, e por aí vai. E Lula também deu um jeito para que a impressão de jornais  e livros ficasse mais acessível. São outras formas de circular massivamente informação. Eu não teria condições de publicar meus livros se não fosse o PT.

Surgiu aí a circulação de uma matéria do jornal “O Globo”, que faz certa apologia ao projeto de reforma trabalhista que a equipe de Michel Temer apresentou ao Congresso Nacional. Para o jornaleco, o projeto é o supra sumo para resolver os problemas econômicos e a crise de emprego que sofre o país.

Jornada móvel (o trabalhador ficando tempo integral do expediente atual à disposição do empregador e recebendo apenas pelas horas em que foi utilizado) e parcelamento de férias estão entre as apologias feitas por um grupo de comunicação cujos donos não sabem de perto o que é trabalhar mesmo nas condições atuais dadas pela CLT e quer que aceitemos jogar fora o escudo que temos para responsabilizar o patrão quando o próprio desrespeita nossos direitos.

Se os jornalistas que trabalham para esse pasquim ou os artistas que trabalham para a emissora de TV da organização não incomodam com o seu direito trabalhista, o restante dos trabalhadores do país, que este jornal sem a permissão devida quer representar, incomoda. Se a CLT incomoda o patrão, é mais do que um motivo para não toparmos qualquer proposta de modificá-la ou de tirá-la da vida dele. É o vampiro querendo que tiremos a cruz e a estaca da frente dele. Estão quase chegando à terceirização da atividade-fim pretendida pelo Eduardo Cunha. Será que ele comanda de onde ele está?

Mas, o que mais me deixou impressionado na tal reportagem foi o que é comentado na própria a respeito dos sindicatos. “Pelo texto, acordos firmados entre empresas e sindicatos vão prevalecer sobre a CLT“. Ou seja, para eles, que são tudo corrupto ou corrompido, os sindicatos são uma beleza para o trabalhador e inquestionáveis quanto à sua tarefa de defender o mesmo contra os abusos do empregador.

Infelizmente, taí uma coisa em que falhou o Lula, que é a melhor referência de sindicalista no Brasil, mereceu eu destacar seu começo de carreira no livro “Os meninos da Rua Albatroz“, que a essa altura deve ser lido mais do que nunca: os sindicalistas se curvaram ao capital e se corromperam. Eles cooperam principalmente com as empresas multinacionais, cujos postos de trabalho são numerosos e lhes dão boa arrecadação de dinheiro só com a contribuição sindical. Manter gente engolindo sapo empregada significa contribuição sindical garantida!

E tem a grana extra, o caixa 2, pois, é comum os patrões procurarem os sindicatos das categorias em que se encontra seu negócio para lhes pedir favorzinhos. Por exemplo, se o governo decide baixar uma norma que beneficia o trabalhador e não ao patrão, este corre para pressionar o sindicato para este conferenciar com a classe que representa, fazendo com que seus membros entendam e aceitem que a tal norma é prejudicial para a classe e lhes ajude em uma oposição ao governo.

Outro momento dessa parceria: A empresa precisa tornar o trabalhador mais produtivo, ainda que isso o cause problemas salutares por serem as atividades que fazem aumentar a produção incompatíveis com sua integridade física e ou mental. E isso sem que ela, a empresa, pague a mais para o operador e, sim, apenas a propina do sindicato pelo trabalho de persuasão coercitiva em massa que irá prestar. Isso é que quer dizer “acordos entre empregadores e sindicatos prevalecerem sobre a CLT”?

Até aqui parece que não tem nada a ver o que escrevi com o que pus no título da postagem, não é? Mas estou prestes a chegar lá.

Olha só: todos os que recebem o cetro de uma nação para governá-la buscam um meio termo ou um ponto de equilíbrio para resolver as questões sociais. Todos buscam estabelecer a paz no país. Suponhamos que no que discorremos até agora essa paz estaria estabelecida se o empregado aceitasse ficar disponível para o patrão oito horas/dia e recebesse apenas pelas horas que trabalhou dentre essas oito. O patrão – como a própria matéria do O Globo enaltece – ficaria satisfeitíssimo.

Para ele haveria ganho, pois não teria que pagar pelo ócio involuntário do empregado e nos meses em que seu negócio não fosse lá essas coisas ele não precisaria arcar com um salário fechado e mais os outros encargos fiscais que lhe são obrigatórios depositar ou pagar. O dinheiro do fornecedor de matéria-prima, que é fechado, mesmo se a matéria não for consumida no período, ainda que esta seja perecível e não possa atravessar safra, a patronagem não rasga o c* por ter que pagar, não é mesmo?

O empregado, por sua vez, estaria só aceitando o que seria uma situação que não a pior. Ou seja: ganhar o que conseguisse ganhar durante o mês, independente disso ser o suficiente para quitar as obrigações, sem poder completar esse ganho com outra atividade por ter que cumprir o trato de estar disponível para o empregador, é melhor do que não ganhar nada. Então, para o empregado, a paz que ele conserva é imposta, não é a que ele quer.

Estamos convencidos, de longas datas, que paz é uma situação em que não há conflitos entre partes que buscam se relacionar. Porém, se dentro de nós há uma guerra por termos que suportar a duras penas uma trégua, então, não estamos em paz. O sistema, sim, está em paz. Nós não. Qual a paz que devemos sustentar? A do sistema ou a do indivíduo? Para mim, os indivíduos de uma sociedade estando em paz, a sociedade também está. É o inverso.

Logo, o governo tem que visar satisfazer os interesses dos trabalhadores, pois, eles podem fazer muito mais barulho do que os empresários. Basta o sapato apertar. O melhor mesmo é convidar o povo para tomar decisões: empresas, trabalhadores, sindicatos, órgãos de mídia. Aí essa paz sairá naturalmente. Sem ninguém ter que inventar moda e pagar para veículo de comunicaçao calhorda fazer apologia e induzir pessoas comum e de bem e que só quer trabalhar ao erro mortal. Depois de aprovado: acabou!

Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho
(Mahatma Gandhi)

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