Bem-vindo ao Governo Temer: Dr. Cameron, tire-me daqui

drcameronwalterfreeman

Atravessar a Praça 7 em Belo Horizonte às duas da tarde de uma segunda-feira comum é se expor a um cenário que descreve providencialmente como anda a psique da população brasileira, não só a mineira. A “Balada do Louco” dos mutantes cai bem como trilha sonora. Alguns gritam pelo amante ou marido invisível, trajados com roupas carnavalescas, montadas com o que acharam de trapos dentro das latas de lixo espalhadas pelas avenidas e ruas que cortam a praça. Outros, metidos em ternos pretos e engravatados, pregam para ninguém a Bíblia, sob o Sol infernal que ainda tardará a se recolher. E ainda há lugar para os malucos da droga e do álcool, que revezam entre juntar-se aos mendigos para esmolar e juntar-se aos larápios para bater carteiras ou, como está na moda, celulares.

Mais loucos ainda estão os que bateram panelas vestindo camisetas e carregando cartazes, ambos escritos orgulhosamente “Fora Dilma”. A correria atrás de emprego e a frustração em ter que trabalhar com o que conseguem os identificam. A cara de tacho marcada pelo sentimento de traição ou pelo de idiota inclue-os aos lunáticos. Tamanha a decepção com a Grande Mídia, que os fez de palhaço em troca de adesão, e com o Governo Temer.

Este não passeia publicamente pela Praça Sete. Sua face se vê simbolizada em cada elemento da sociedade que aparece ou em forma de manchetes pessimistas, dadas com ar de otimismo, pelos veículos de comunicação impressos da Grande BH, apresentadas ao público nas bancas de jornais. Os verdadeiros devaneios expostos até hoje pelos membros do Governo Temer é que causa a insanidade que desfila Amazonas com Afonso Pena a fora. Sobe-se Rio de Janeiro, desce-se Carijós, e os loucos estão em busca de uma chance de reverter o quadro. A fome aperta, não só os sapatos.

Na sobreloja do Edifício Praça 7, esquerdistas bebem, fora de hora, no Fórmula 1 Garden Bar. Não é para esquecer que eles se embriagam e sim para rir. Rir dos palermas que embaixo deles sustentam por longo tempo o mesmo pensamento de raiva e indignação dirigido ao Governo federal. Dá até para ver sobre suas cabeças a fumacinha peculiar das histórias em quadrinhos. Esboçam não saber como vão se virar com os R$ 937,00 por mês que o Governo tem para lhes pagar pela dedicação ao golpe. E nem como farão para frequentar seus compromissos sociais de praxe, quando tiverem que arcar com dois quartos do seu dia trabalhando.

Se pode imaginar esses arrependidos solicitando a alguém que lhes tirem a razão. Que os façam perder a consciência, mantendo-os somente vivos, vegetando. Alguém que lhes cortem os lobos frontais. Das mãos de uma doce enfermeira belohorizontina do Mater Dei, luvas plásticas calçando as talentosas e perversas mãos do Dr. Ewen Cameron. Assistido luxuosamente pelo Dr. Walter Freeman, carrasco que popularizou a bizarra cirurgia criada pelo neurologista português Egas Moniz, que o Dr. Cameron administrará em UTIs improvisadas. Ravenscraig está distante, a prisão de Guantanamo também. E não há nenhum lobotomóbile estacionado na praça. Unidades do SAMU terão que fazer a vez. Os relatórios colhidos engrossarão os volumes do manual KUBARK.

E assim se suportará a crise: com playboys e patricinhas, direitistas de camisa pra dentro da calça e pasta na mão e mulheres aspirantes a socialite sofrendo lavagem cerebral cirúrgica e se unindo, sem créditos em seus celulares agora módicos e sem acesso ao Whatsapp, aos alienados clássicos em uma oposição forçada, à base de boicote, ao governo instaurado no país. Desagregando da sociedade, vivendo às margens da clandestinidade, até que esse próprio governo sinta suas faltas, precise deles e os recuperem.

Enquanto os esquerdistas se divertem, fazendo o que já faziam antes: oposição aos burgueses escravistas enganadores e irreverência ao babaca’s way of life, que os ingênuos apoiadores do golpe parlamentar e midiático para tirar a presidente Dilma do cargo achavam que iam contemplar logo que Michel Temer e seu ministério pegassem os postos.

Perguntar não ofende: Em que o Brasil melhorou depois que tiraram do posto Dilma Rousseff?

Boa pergunta!

*Texto propositalmente escrito na linguagem do livro “Os meninos da Rua Albatroz“. Algumas das referências constam no texto do livro.

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