Como água para chocolate

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IMAGEM: Sensacionalista.com

Hoje, 2/2/2017, partiu dona Maria Letícia Lula da Silva. Quase nove anos antes, 24/6/2008, partira dona Ruth Cardoso. Agora, seus ex-maridos ex-presidentes da república do Brasil, respectivamente Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, estão, juntos, viúvos de suas ex-primeiras-damas. Hora de refletir o quão a vida desses dois importantes políticos brasileiros andam juntas enquanto seus aficionados fãs tratam essa amizade como necessidade política apenas.

No passado, quando ambos despertaram para a política, FHC a partidária e Lula a operária, eles trabalharam juntos. Em 1978, passagem discorrida no livro “Os meninos da Rua Albatroz“, FHC pretendia concorrer ao senado pela maior cidade do país, São Paulo. Ele fez, então, após conhecer Lula, uma parceria com o sindicalista, que lhe arranjou, com a popularidade lhe peculiar, votos entre os das classes que ele mantinha influência, na época em que ter o “dom do palanque” em comícios era sinônimo de político nato, conquistador de votos.

Obviamente, houve pedidos em troca, os quais foram amplamente atendidos após a vitória do aristocrata – primeiramente como primeiro suplente de Franco Montoro e posteriormente senador legítimo com a evolução de Montoro indo parar no comando do governo estadual -, que tinha certa simpatia pelo comunismo, conforme citam algumas fontes, entre elas a Wikipedia, que alega que FHC teria trabalhado para a revista “Fundamentos“, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em meados de 1950.

Vários outros episódios, ao longo de suas carreiras públicas e vidas particulares, Lula e FHC, respectivamente fundadores do PT (Partido dos Trabalhadores) e do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), trocaram amistosidade civis e até parcerias políticas, que quase culminaram na fusão do PT com o PSDB ou na criação de um novo partido. E, conforme fonte pesquisada, vários tucanos e petistas pesos pesados pularam de galho em galho na árvore do outro e beberam da água de suas fontes. Numa espécie de “dança das cadeiras” que deu origem à atual Esquerda brasileira.

Os episódios mais proeminentes, replicando material colhido na internet e em hemerotecas, envolvem o apoio do PSDB à Lula na luta contra Fernando Collor, no Segundo Turno das eleições presidenciais de 1989; Rasgação de seda por parte de FHC quando ocupava os aposentos do presidente da república, fazendo previsão para o Lula de que um dia aqueles aposentos seriam do operário; Campanha secreta de Fernando Henrique para Lula ganhar a eleição presidencial em 2002, que deu origem ao livro “18 Dias — Quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush, do escritor Matias Spektor; FHC teria evitado o impeachment de Lula em 2005. E mais o fato de muitas prefeituras durante os governos tucano-petista terem coligações envolvendo os dois maiores partidos brasileiros.

Várias informações da política atual, me fazem tecer em mente teorias que me convencem de que todo o contexto político brasileiro, com histórias de rivalidades entre políticos e partidos, não passa de encenação. Como se essas rivalidades fossem necessárias para haver gestão. Para que todos os nomes que estão há muito tempo em evidência possam perdurar no poder, de uma forma ou de outra – como vilão ou como mocinho; como situação ou como oposição – sem danificar a relação que existe entre eles. Apenas o público pensa que há uma separação.

O produto disso, eu ainda não parei para elaborar, para mim é claro, uma reflexão que possa ser compartilhada. Quem sabe o país estaria numa situação pior do que a que vive – não descartando a possibilidade de termos, desde então, sofrido severas intervenções estrangeiras, ao ponto de perdermos por completo a soberania do país; quem sabe não já teríamos voltado a ser tutelados pelos generais, por causa da improbidade administrativa civil.

Talvez esse cenário que presenciamos seja – especulando-se informações que seriam conhecidas apenas nos bastidores da política pelos participantes efetivos dela – fruto de um acordo feito entre esses que se dizem inimigos políticos para que fosse possível nos livrarmos dos militares e também do colonialismo selvagem estrangeiro, a começar pelo dos Estados Unidos. Esquecendo os outros pontos a serem discutidos pela sociedade e geridos pelo Estado, às vezes tenho a sensação de que o governo tucano fora voltado para empresários para que o progresso fosse viável para as corporações e com isso houvesse empregabilidade e o governo petista fizesse a via de contramão, na qual o empregado desfrutaria dos deleites da empregabilidade criada pelos tucanos. Um paradoxo às táticas políticas ocorridas nos Estados Unidos, por exemplo, onde o governo reveza entre republicanos – preocupados com as questões internas – e democratas – preocupados com a política internacional.

O momento agora, no Brasil, é de transição. Porém, não está muito claro qual grupo será priorizado e valorizado. Se empresas ou se trabalhadores. Ou se há um terceiro grupo (a parecer ser o STF) ou uma fusão de classes a ser revelado posteriormente. O PMDB, que sempre esteve por trás dos dois maiores partidos do país, e que praticamente é o embrião dos próprios, por ser remanescente legítimo do MDB, faria a ponte, sem deixar seu posto de observador. E a Grande Mídia, nessa análise, trabalharia como preposto de todos os partidos, mesmo parecendo desfavorecer um deles, o que é só uma tática de marketing de opinião que funciona muito bem, agindo como porta-voz das notícias a serem dadas para o público e agente de manipulação de comportamentos para cata de adesões.

Sinto, mas é caso de investigarmos a fundo isso e repensarmos qual seria o posicionamento daqueles que querem realmente o bem da nação e melhorias para o povo. A haver fundamento em toda essa especulação, não se pode deixar de imaginar que o povo é tratado como criança, quando poderia ser dado a ele uma chance para atuar em conjunto nessa campanha de libertação nacional em vez de ser mantido na ignorância do grande plano e cooptado a contribuir sem qualquer possibilidade de optar por contribuir ou não. Isso não é democracia!

Fonte principal das informações: PB Hoje.

3 comentários em “Como água para chocolate”

  1. Penso também que esquerda e direita juntas manipulam o panorama político brasileiro com a intenção de oferecer resistência a grupos dominadores e eles não confiam em compartilhar ao povo a participação nessa defesa. Sei que o Brasil, por causa de contratos assinados em governos anteriores a Collor de Mello, não pode simplesmente se emancipar, tomar conta de tudo em seu próprio território e fazer distribuição de renda e reforma agrária da forma com que prometem os políticos e deseja o povo. É um jogo de xadrez. Mas, deviam abrir para a população e contar com ela. Talvez é até por isso que investem tão pouco em educação.

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