Three little PIGs

“Yes”, worry about the things…

tresporquinhos

IMAGEM: Filme “Three little pigs”, Walt Disney, 1933.

À noite estava eu a ver TV. Meu televisor é melhor ser conhecido como monitor de vídeo. Só o uso para visualizar vídeos que tenho guardado em DVDs. No meu tempo eram apenas quatro emissoras de televisão e para nos ocupar davam conta do recado. Hoje eu nem sei quantas são só entre os canais abertos e nenhuma me satisfaz. Mas, acabara a execução da playlist dos vídeos que eu colocara em um pendrive para ver e o foco no notebook para soltar no blog algum texto que preste me tirou qualquer possibilidade de carregá-lo com outras coisas alocadas no HD do próprio, à espera de serem vistas. Foi por isso que escolhi aleatoriamente algo do UHF que não fosse canal religioso para pelo menos quebrar o som que vinha da vizinhança. Tarefa mais difícil do que colocar mais arquivos no pendrive. Só depois percebi isso. Ah, sim: pagar canal de TV por assinatura não é coisa de radicais que acreditam na força do boicote.

E nisso me deparei com o primeiro porquinho. Um canal de TV, UHF em Belo Horizonte, que parece estar a seguir os passos do SBT para chegar ao pódio da categoria. De “A semana do Presidente” à veiculação de informação perniciosa anti-esquerda brasileira, com direito à opinião estúpida, a la Rachel Sheherazade, de um jornalista ancião do jornalismo brasileiro, contratado da emissora dentre outros anciãos, é o que oferece ao público que consegue assistir esse aspirante ao posto hoje ocupado pelo Jornal Nacional no meio televisivo do PIG – Partido da Imprensa Golpista.

De manhã, indo para o trabalho de ônibus, como se fosse possível evitar, dei de cara com a manchete em letras garrafais em uma página interna, estampada em um pasquim vendido por vinte e cinco centavos ao impaciente que não possui ou não gosta de aparelho celular e não consegue concluir um par de horas de um ponto ao outro sem meter pra dentro da cabeça um punhado de notícia inútil e, pior ainda, pessimista, que só pode contribuir estragando-lhe o dia. O cara já começa o dia se submetendo às manchetes dessas gazetas de baixíssima qualidade.

O segundo porquinho era semelhante ao primeiro em sua busca por minar a moral dos esquerdistas da nação. Bem… daqueles que admiram Lula e companhia melhor dizendo. Na verdade, daqueles que não se submetem ao cliente tucano ou peemedebista do jornaleco PIG e não se desdobram para viabilizar os planos deles de deitar a esquerda para por a mão em tudo que ainda há para se por a mão estando ocupando por tempo suficiente os aposentos do Palácio da Alvorada.

Utilizar ônibus em Belo Horizonte é um sacrilégio. Uma hora entra o cara que insiste que todos têm que ouvir o funk que ele tem arquivado em seu celular. Parece que ele pensa que o sujeito que canta tem o que dizer e quer que as pessoas o escute na marra. Grande porcaria, letra e música! E para competir com esse insano, entrou outro. Este levava uma pilha de CDs de uma coletânea de música gospel, que Deus teria lhe dado a oportunidade de levar aos corações receptivos nos ônibus, cuja aquisição custava o singelo valor de R$10,oo. Imagine o que os proprietários das obras, os autores daquelas “músicas para Deus”, devem pensar de Deus como divulgador de seus trabalhos? Que grande pirateiro! O mascate de CDs possuía uma maquininha barulhenta e bem próximo ao meu ouvido na poltrona onde eu estava sentado colocou sua amostra das músicas para tocar, enquanto corria a sacolinha.

E foi a reação a esses horrores que me fez conhecer o terceiro porquinho. Desisti do livro que eu lia, a situação se tornou imprópria ao hábito, peguei meu Galaxy Sunsumg de dentro da mochila de nylon, enfiei nele e em meus ouvidos o fone de ouvido branco, colocando de volta o aparelho no interior do compartimento da mochila, como precaução contra os trombadinhas modernos, fechei o ziper e me pus a ouvir aqueles roquinhos que chamávamos de new wave nos anos 1980, que eram transmitidos por uma rádio local, cujo nome remetia ao sobrenome artístico de um sujeito que na década mencionada, quando petistas e tucanos andavam nos bastidores de mãos dadas, era badalado entre a moçada meio revoltadinha. Queria ele na época, dizia a boca pequena, que a palavra “maconha” pudesse ser popularizada nas FMs sem qualquer repúdio. Perdeu para a MTV, quando este falecido PIG musical chegou ao Brasil pelas mãos da Abril.

Classifiquei o terceiro porquinho como terceiro porquinho durante os intervalos da boa programação musical da emissora de rádio. Nesse momento os DJ’s davam notícias inúteis e descontraíam o público com suas opiniões subsidiadas pelos patrocinadores do programa. Os comentários, a parecerem naturais e de propriedade dos comentaristas, não traziam nada de mais com relação ao trivial instaurado e administrado pelas Organizações Globo. Quem quer ser grande e não acompanhar as orientações da Globo se ferra! “Fora Dilma“, “Prendam o Lula“, “Abaixo o PT“, “O herói Sérgio Moro foi hoje ao…“. Só faltava eu ouvir “A musa Carmem Lúcia…” para eu implorar para o funqueiro o som dele emprestado ou se ele não poderia aumentar mais um pouco o volume.

Não mencionei os nomes dos veículos, simplesmente para que eles não usem meu texto como trampolim e se tornem grande. Eu perderia meu título. Considere Heitor, Cícero e Prático se quiser. Ou outro nome de porquinho que você vier a querer usar.

*”Cause every little thing ‘not’ is gonna be alright (this way)

*Música incidental adaptada: Bob Marley. “Three little birds”.

Uma consideração sobre “Three little PIGs”

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