Ele esteve estudando ela

Continuando a migração de postagens de outro blog de minha autoria que faço por aqui.

Não é verdade que as mulheres são interesseiras e que elas preferem os sujeitos ricos com os seus carrões disponíveis para levá-las aos mais mirabolantes lugares. É verdade que esses sujeitos pensam assim e plantaram esse pensamento na mente das pessoas. Isso durante longos anos de doutrinação. E agora que todos aceitam essas ideias, eles se sentem confiantes em qualquer abordagem, pois possuem um passaporte que cuida de tudo por eles, que são seus pertences e a boa situação financeira propagada como a desejada pelas mulheres para terem os homens que as quiserem conquistar.

Mas, tem gente que não conta com esse passaporte e ainda assim goza de muito boa adesão junto às mulheres. Com eles elas vão aonde puderem ir, com ou sem condução própria, e se divertem de maneira inesquecível, sem dever nada para a outra opção de companhia que são os playboys ricaços.

O que faz com que esses módicos galanteadores atinjam objetivos tão sublimes dada a sua condição social? Simples: Eles ignoram o fator propaganda, ou às falácias, ou à cultura de estratégia que quem quer levar vantagem sobre eles implanta. Eles se recusam a aceitar que o que leva as pessoas a se entregarem a amazeios para o fim de se divertir sejam coisas tão finitas, artificiais e fúteis. Eles apostam na forma de abordar como acumulador de pontos, no despertar de interesse baseado na magia do encanto e da simpatia. Eles acreditam no chamado da natureza, que é aquele instinto que bate nas pessoas quando são abordadas por outras que as deixam incapazes de resistir ao que propõe o outro.

Na sala de aula da faculdade de turismo, a mocinha mais linda era disputada pelos solteirões e até pelos que mantinham algum compromisso. Isto, sim, era motivo de desinteresse para ela: já possuir um compromisso. Os caras mais endinheirados, que não precisavam trabalhar durante o dia para manter o próprio sustento e tinham o tempo livre só para estudar e flertar, sentiam-se bem à vontade para trazê-la para o grupo deles. Os menos endinheirados estabeleciam, eles próprios, limites para si e ficavam naquela de amor platônico: degustar do doce só na imaginação por não ter muita chance de prová-lo na língua.

Exceto Ele. Ele, primeiramente, não criou o interesse por ela baseando no fato de ser ela a garota mais linda e cobiçada da sala. Ele deixou que o interesse aparecesse naturalmente. É o primeiro fator que leva as pessoas umas às outras. E Ele não entraria em nenhuma disputa para conquistá-la. Ele sabe que o que é dele ele não precisa disputar, pois chega até ele. E com essa convicção ele estava sempre a passar na frente dela para lá e para cá e, sem querer fazê-lo, demonstrando sua dedicação pelos estudos, já que estavam numa faculdade, e sugerindo ser só o que lhe importava durante o tempo que gastava naquele lugar. Ela, intuitivamente, percebia essas particularidades dele. Emanava dele e chegava a ela como um gelo que ela se sentia tentada a quebrar, como um mistério que ela precisava desvendar, como uma tormenta. Ela sabia que não estava a ser rejeitada, mas sentia aquilo como se fosse uma rejeição. E rejeição não tem quem suporte sem fazer nada para mudar de figura.

ELA PARA ELE: O professor disse que vai passar um trabalho em grupo pra gente fazer. Posso formar a dupla com você?

ELE: Claro! De repente é uma oportunidade para a gente se conhecer mais do que o que nos conhecemos como colegas de escola.

ELA, SURPRESA: Eu… não sei se vou poder ajudar muito… já deve ter percebido que tenho muita dificuldade nessa matéria!

ELE, SEGURO: Essas dificuldades acabam quando a gente encontra um motivo para passar por elas. Se você aceita formar dupla comigo, eu creio que já achei o meu motivo.

A fala dele a deixou imobilizada. Ela se sentiu útil, valorizada e não como a ser observada apenas como uma decoração da sala de aula onde estudava. E por isso eles iniciaram um namoro.

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