A hipocrisia que sustenta o problema das drogas

eraumavez

IMAGEM: IstoÉ Gente. Cena do filme: “Era uma vez”.

Eu ouço muito pessoas falarem que não estão nem aí para o problema das drogas, pois, a gente rica que faz o consumo do pobre parecer um problema social também faz uso de drogas e alimenta o narcotráfico. E que nas festas granfinas tem sempre pó à disposição para ser cheirado nos banheiros das mansões e que até aquelas velhas muxibentas, cheias de maquiagem em todo o corpo e de jóias no pescoço e nos punhos, cheiram e vão com os outros para as orgias.

Nesta postagem, o argumento um está aí nessa crença sem reflexão. Antes de constituirmos qualquer crença e – mais ainda – a propagarmos, devemos refletir os pontos que a colocam em xeque. Se nada houver para negá-los, aí sim podemos dar fé e repercutir se for do nosso desejo.

Ora, pode até ser que tenha fundamento nessa teoria, mas, não podemos dizer que foi o povo granfino que pôs na nossa cabeça que eles condenam e repudiam o uso de droga. Isso veio parar na nossa cabeça, didaticamente, através da mídia. Quem fala pra gente que os bacanas da alta sociedade estão muito preocupados com a violência que sofre o brasileiro e que esta se deve ao uso desenfreado de drogas são os jornais, telejornais, radiojornais, citando os produtos da imprensa; os programas de variedades na TV, as telenovelas, as revistas diversas, para não esquecer o restante da mídia.

É bom lembrar que o que aparece na mídia, aparece sob demanda. Qualquer um pode pagar para ela fazer a cabeça do público com as informações que ela ejeta na sociedade. Até o sistema religioso não está livre de colocar veículos de comunicação a seu serviço. Vai do interesse do pagante, o que nos é metido na mente por meio dos veículos de comunicação. Desde que o pagante pague, a mídia trabalha a opinião de seu público com qualquer merda que lhe pedirem.

E quem não tem a noção da questão tal qual a mídia propaga pela voz da própria, ouviu de alguém que sofreu essa programação cerebral e influenciou os outros. Sendo assim, por não nos aparecer claramente que quem é o mandante da informação nos repassada são os granfinos da alta burguesia, não é hipocrisia nenhuma nas festas de burgueses acontecer o tal ritual de banheiro.

Sem contar que eles podem sequer fazer isso em suas reuniões festivas e uma mentira chegar até nós com ar de ser verdade, tal qual os veiculadores de informação esperam de acontecer, pois, eles faturam mais quando o ibope é maior. E mentira propagada como verdade, as famosas calúnias e difamações, é o prato principal do público que adora marcar ponto para os marqueteiros de opinião e encher os bolsos deles.

Vamos ao argumento 2: Sim, são realmente os burgueses os mandatários da mídia que emite para o grande público a opinião fraudulenta a respeito da questão em discorrimento. Por que eles fariam isso de pedir para espalharem que eles são contra o que eles mesmo fazem? Pense! Só pode ser por duas razões. E nenhuma delas faz deles hipócritas e sim estrategistas.

A primeira das razões: Querem o pó só para eles. Entende? Não há para todo mundo ou “é fino demais para o pobre ter direito também“. Ou então: “O pobre não sabe usar isso, faz a violência aumentar, há muito roubo, muita morte, o sistema tem que gastar mais para conter a violência, às vezes o Judiciário perde o controle e a violência vai parar no território de ricaços. Tem-se gastos demais com saúde pública, logo com quem não gera nem INSS, pois é tudo vagabundo. Gastos que nós da Diretoria é que vamos ter que bancar.

Logo, para que as coisas funcionem como eles dessa elite querem, eles pedem (obrigam) essa colaboração ao sistema. Se há leis que punem a contravenção de usar ou de comprar substâncias ilegais, só há para o pobre. E para não parecer que há uma classe que é privilegiada quanto à essas leis e, com isso, não sofre punição, é melhor ter onde se apoiar. Melhor para os contraventores do meio rico e melhor para o Judiciário, os agentes da lei, os traficantes – que vai ver trabalham para os magnatas do próprio grupo de bacanas. Isso descreve a segunda razão das duas mencionadas: tapar a violação de regras que existiria nos meios elitistas para que o restante do povo – que vai arcar com o problema das drogas – não enxergue seus algozes e nem sua impunidade.

A liberação das drogas nunca vai ter o apoio das classes dominantes exatamente por causa do comportamento dos que sofrem com ela de achar que só o pobre é que arca com os infortúnios da sociedade e que rico nunca vai preso. Feito isso, se conforma por achar que se sabe a razão disso ser assim, cruza-se os braços ou faz-se aumentar o problema, em vez de sair em combate à desigualdade social e impunidade. Vão querer derrubar essa muralha servindo de tapume que o povo ajeita? Não, né!

Nisto, talvez, haja hipocrisia: A multidão alegar certos motivos que não são coerentes com as causas da elite, e esta, que tem acesso, não meter a boca no trombone para falar para nós que as alegações são tudo calúnia e que o que dizem os jornais, os filmes, as telenovelas, os livros e etc. não passa de invenção para derrubar a Classe.

Os prováveis provedores desse problema não se manifestam dessa forma porque seriam chacotados, ninguém iria acreditar neles, pois, se eles quisessem que não existissem, por exemplo, filmes como o “Rio Bailônia” para expô-los, eles impediriam a produção, já que são eles mesmos quem as bancam. Mesmo sendo com o nosso dinheiro, no caso desse filme, que foi feito na época da Embrafilme.

Se não o fazem… “Quem cala, consente”, não é verdade? Deixar o outro te acusar e não reagir é uma confissão subentendida. Principalmente quando não tem arma nenhuma sendo apontada para o acusado enquanto o suposto caluniador o massacra com difamações.

– ACHEI QUE VOCÊ TINHA MORRIDO, POR QUE VOCÊ NÃO ME LIGOU?
– Desculpa, Nina!
– Por que você não me contou? Tá no jornal, seu irmão é um bandido!
– Nina, eu não sabia!
– Como não sabia?
– Eu só soube naquela noite!
– Você colocou minha vida em risco!
– E você queria que eu fizesse o que, Nina? Que eu entregasse o meu irmão?
– Ele é um assassino!
– Ele não é, ele virou! Ele virou! O cara foi preso inocente por minha culpa, Nina! As coisas são assim onde eu moro. Se o Carlão não mata ele, quem era pra tá morto agora era eu!
– E você acha isso certo?
– E O QUE É CERTO? O QUE QUE É CERTO? Criança nascer e não ter o que comer? Ser tratado que nem bicho por qualquer bacana cheio de dinheiro no bolso, Nina? FALA!
– Você tá metido nisso, Dé!
– Ora, tá desconfiada de mim? Quer saber o que que eu acho do Movimento? Acho uma merda. Mas, não foi você mesma que disse: Nas festinhas do seu pai rola de tudo, sua galera toda fuma baseado? Então? Tem pobre que vira bandido porque é ruim mesmo, Nina! O difícil é ser honesto.

Dialogo extraído do filme “Era uma vez”. Direção: Breno Silveira. 2008. Conspiração Filmes.

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