Trabalho divertido

Novo texto migrado de um blog de minha autoria.

A administração do resort praieiro avaliou os resultados que Ele apresentava prestando serviços de garçom e resolveu explorar isso em outras áreas dentro do hotel. Tinha em mente adaptar sua serventia combinando os serviços de atendimento à mesa com os de um relações públicas. A ideia era que ele se misturasse com os fregueses em determinado momento após acomodá-los ao ambiente recreativo do restaurante, tendo substituída a tarefa de garçom por outro profissional do ramo, se possível igualmente capacitado para atender e entreter. Isso desde que os fregueses o quisessem. E nisso, ele abordaria a clientela a incentivando a solicitar petiscos e bebidas exóticas que a casa servia, divulgaria os eventos promovidos pelo resort, arrancando o interesse dos clientes em presenciá-los, e formaria, com isso, um adicional de receita bem prodigioso.

A primeira missão estava em curso. Ele tratou de conduzir turmas diferentes para mesas próximas, sem que estas se dessem conta de que ele queria uni-las. E foi o responsável por levar os pedidos e trazer, junto com um companheiro, as bandejas com os consomes solicitados. Um dos retornos dele às mesas não teve volta para a cozinha, só a do companheiro. Ele fez o combinado, se misturou aos clientes, primeiramente os induzindo simpaticamente a observar alguns truques de malabares feito com garrafas de champanha fechadas. O risco de elas caírem, se quebrarem e jorrarem o líquido para toda parte havia, mas, a plateia, não sabendo do improviso e imaginando ser um truque controlado, nem notou essa particularidade.

Enquanto ele jogava garrafas para o alto e as pegava de volta, esbanjando confiança, Ela, que estava em uma das turmas, admirava a façanha. Não a de tocar o número até certo ponto simplório, mas, por cativar a audiência, que, a bem da verdade, estava ali para ser observada e não o contrário. E ela o ouvia falar, olhando focado para as garrafas que subiam e desciam, enquanto operava.

ELE: A vida é cheia de surpresas. Vocês concordam?

A PLATEIA: SIM!

ELE: E cheia de altos e baixos. Essas garrafas podem muito bem ser um de nós! E aquele que serve pode ser servido; o que admira pode ser admirado. Basta termos carisma. E vocês têm. É por isso que eu estou os servindo e eu estou admirado com vocês. Vamos brindar! O que acham que combina com esse clima que estamos experimentando neste momento? A casa tem tanta coisa exótica, que são exclusividade dela. Querem experimentar?

E a audiência toda envolveu-se no show inesperado e provou dos demais diferenciais do resort. A tarde passou bem divertida e o turno virou sem que o tempo passasse depressa e sem que fosse percebida a virada. Ele terminou o expediente na companhia Dela. Foi quando as garrafas de champanha foram abertas, mesmo com a bebida estando quente, e um grupo de boêmios seguiu em direção à praia para admirar o luar, que até então só admirava.

O livro “Contos de Verão: A casa da fantasia” conta a história de uma pousada que arriscou competir no mercado hoteleiro em um paraíso tropical cheio de tubarões do empreendedorismo, apostando em inovações no atendimento e no talento de cada funcionário, não interessando a rudimentarização da sua função.

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