A farsa por trás da popularização da nudez

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IMAGEM: Notícias R7

Hoje eu precisei passar algumas horas em um centro hospitalar. E na sala de espera, como é comum em muitos estabelecimentos públicos, havia um aparelho televisor. Para a minha tristeza: ligada na TV Globo.

Era por volta das onze da manhã. O maldito aparelho entretia com o programa da Fátima Bernardes os moribundos que aguardavam atendimento. O sujeito já está doente e colocam para ele passar o tempo algo que o enche mais ainda de motivos para adoecer. Mas, parece que são eles próprios, os enfermos, que pedem pelo sadismo.

Como meu celular mostrava o último dos pauzinhos que marca o estado da bateria, não pude contar com ele para ouvir música. E ler o livro que estou lendo, por causa da minha enfermidade era coisa impossível na ocasião. Logo, tive que me submeter ao entretenimento imposto, já que se pode fechar os olhos, mas não desligar os ouvidos.

E, dentre outras futilidades e inutilidades que é peculiar de se ver nesse programa televisivo de variedades, a apresentadora queria incutir na mente de seu público a aceitação da nudez. A engenharia social envolvia entrevistas com atores globais que já tiraram a roupa no palco do teatro, em cenas de shows de TV, no cinema, em comerciais, em reality shows. Dividia com as entrevistas cenas de vídeo das artemanhas mencionadas pelos convidados e outras supostamente colhidas em ambientes recreativos públicos e até em colônias de nudismo. Continham tarjas pretas quando conveniente. Além desses, pessoas anônimas ou conhecidas de público pequeno relatavam no descontraído e importantíssimo papo suas experiências e davam seus apoios à cata de seguidores.

A audiência ao meu redor reclamava. Uns exigiam decência da emissora. Falavam em divulgação e amparo de coisa ruim. E como havia excesso de velhinhos de bunda de fora andando pra lá e pra cá tentando driblar as tarjas pretas, o público local aproveitava para cair de pau: “olha que velho safado”, “só mostra velho”, “velhos hoje em dia tá achando que tem vinte anos”.

Nesse momento eu quase saí do meu silêncio para ajudar aquele povo a entender melhor os programas da TV Globo. É óbvio que o que queria a emissora com aquele papo de nudez e mostração de velho pelado não era só forçar o público a aceitar mulher andar na rua com as tetas de fora. Era, sim, fazer a população aderir a nefasta proposta de reforma previdenciária que o Governo Temer deseja aprovar.

Ou seja, os velhos (pelo menos os que aparecem no Fantástico, no Jornal Nacional, no programa da Fátima Bernardes) de hoje são bombados, saltam de paraquedas, comem carne bem gordurosa em churrascadas proibidas para quem tem estômado de ninfeta, casam com garotas de vinte anos de idade. E mais essa agora: participam de colônias de nudismo e buscam aprovação para a nudez feminina em público.

Pra quê esse pessoal vai aposentar aos sessenta e cinco? Vamos botar todo mundo para aposentar aos oitenta! Afinal, aposentando aos 65 anos deixa o sistema sem trabalhadores por pelo menos quinze anos no futuro, pois, o jovem não quer saber de outra coisa que não se drogar, tatuar, mexer com o celular, ir pra balada. Trabalhar que é bom… E eles, incluindo esses programecos de TV e gente de mídia, não fazem por onde moralizar o jovem e pô-lo no caminho do bem, da produtividade. Preocupam-se, supostamente, com a possibilidade de se ver naturalmente o povo pelado nas ruas.

No fundo, pra esse pessoalzinho de televisão que fatura moldando opinião e gosta de parecer preocupado com questões-tabus pra alavancar ibope, não é boa coisa relaxarem a moral quanto à nudez em público. Primeiramente porque a moda, principalmente a feminina, aposta na vestimenta sexy e sugestiva, que só perde para a nudez total em se tratando de dotar de sensualidade a pessoa que a usa. E depois, quanto menos encoberto, menos mistério. E o mistério, o desejo de ver sob qualquer esforço um distinto corpo nu, acaba se de repente fosse grátis assim ter o desejo alcançado. Perderia completamente a graça. Viraria “Romanos 1” na Bíblia: “O homem perderá o uso de homem para a mulher e a mulher perderá o uso de mulher para o homem“. De certa forma, isso já tá assim. Nem precisa dessa força.

Mulheres e homens iriam ter que voltar a ser bicho e utilizar das armas da natureza para atrair o parceiro. Os animais andam pelados e é só quando aquele cheirinho de feronômio bate no nariz de um outro é que um macho olha com outros olhares para uma fêmea. Os saturados perfumes que há no mercado não seriam os produtos para fazer esse trabalho. Teria que ser um cheiro autêntico de hormônio de ser humano no cio sendo injetado no ar. Tá aí outra indústria que iria pro saco com a liberação da nudez. Outro anunciante de programas de televisão, por exemplo, que a TV perderia o dinheiro dele.

Percebe que percorrendo pequenos detalhes você consegue entender que não é bem pôr você pra aceitar o nu o que eles querem? É o contrário: querem que você esbraveje por causa da campanha, dando feedback de que assistiu a Fátima Bernardes, ainda que por não te darem chance de fazer outra coisa, e, de quebra, se submeta a algumas cenas que te mostram, como os velhinhos podem muito bem trabalhar aos setenta para oitenta anos de idade e dê seu apoio ao ilegítimo Governo Temer, também anunciante das emissoras de televisão e que provavelmente bancou o merchandising. Quando um olheiro do Governo infiltrado no meio das massas ver ou só ouvir você comentando o que aconteceu no TV show da Globo ele vai saber que você também viu velhinhos curtindo a vida boa de aposentado quando poderiam estar pegando no batente e ajudando o país sair da crise. Sacou a engenharia social embutida na trama?

E depois, poxa, não é Fátima Bernardes que vai te dizer se você deve ou não aprovar o nu social. É? Você nasce nu, depois ganha plena consciência de que é completamente natural o homem estar dessa forma perante o outro. Não há nada para estranhar ou para reivindicar decência. Não há afronto nenhum. Você sabe disso em seu íntimo.

A não ser, é claro, se você for doutrinado para pensar assim. Que é o que acontece e sua moral original se torna latente até que algo o faz a recuperar. E quem te doutrina contra a nudez não é o sistema? Então, que hipocrisia é essa de o sistema querer que você aprove a nudez em público? Canalhice pura, típica de televisivos e midiáticos!

E pra fechar o lixo de programa, a apresentadora quis introduzir uma outra aceitação, com certeza também sob demanda, provavelmente de grupo diferente e não do Governo. A campanha foi ao ar com o título “dança é pra menino”. Mostrava um bailarino, talvez fazendo o papel do suburbano que consegue manter costumes de bacana, pra dar aquela impressão que em todos os meios é possível meninos fazerem balé e ainda ganhar notoriedade e talvez até dinheiro com isso. E mais alienação ainda: menino dançar balé estaria ao alcance de todos os bolsos. A proposta de engenharia social principal nesse tópico era aprovar homens (viris – mostraram o sujeito efeminado sendo cultuado por uma plateia feminina e adorando a vida de superstar da dança) que se tornam bailarinos. Vai ver o patrocinador é uma escola de balé carente de bailarinos.

Era mais um daqueles papos que eu volto a repetir: “Não é Fátima Bernardes ou qualquer outro midiático que decide qual deve ser a nossa opinião a respeito de um assunto-tabu“. Mesmo porquê, quem faz virar tabu são eles próprios por trás da mídia e como tabu vão mantendo enquanto der audiência discutí-los.

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