Encontro marcado pela internet

A onda agora é sair para encontrar alguém que se conhece apenas virtualmente. Alguém que até o momento derradeiro é apenas uma ideia de uma pessoa colocada na mente de outra por meio de imagens e textos. Nada seguro. Nem quando rola uma webcam para deixar as cartas sobre a mesa, pois, aquele ou aquela que aparece na tela pode ser só o ou a cúmplice de um trato onde um fala e outro escreve. E assim proceder até a hora do encontro real, que inevitavelmente desvenda tudo. E este do conto aconteceu logo, sem perder muito tempo com conexões longas e diárias. Apenas três semanas se passaram, desde que se conheceram por intermédio involuntário de uma amiga em comum.

Encontraram em um barzinho próximo ao zoológico da cidade. Ela pareceu a ele mais interessante do que o que conhecera até aquela hora. Ele pareceu a ela o sujeito que fez valer a aposta. E partiram para o desafio dos primeiros instantes a conversar ao vivo, de perto. Sentindo o cheiro do outro. Que junto com o tato e o paladar era um dos sentidos que faltavam. O homem ainda tem que melhorar e muito com suas invencionices que buscam suplantar os problemas da vida atual. Encontros presenciais sem complexos, por exemplo.

As perguntas corriqueiras de primeira vez a sair juntos foram dispensadas, pois, estas já haviam sido respondidas via inbox de uma rede social. Uma ou outra coisa foi confirmada. E como não mentiram em nada, foi melhor aproveitar o momento para tecerem assuntos mais envolventes e adaptados ao instante. Torcia ela para que ele fosse ao vivo tão inovador em matéria de assuntos quanto era virtualmente, quando tem à disposição ferramentas como o Google Search para ajudar a compor uma cantada por exemplo.

ELE INICIANDO A CONVERSA: Fiquei admirado, pois você me parece bem diferente do que o que eu vejo pela câmera.

ELA: Melhor ou pior? [risos de ambos]

ELE: Eu diria que estou mais feliz com o que vejo aqui e agora, mas não que eu já não estivesse feliz com o que eu esperava de encontrar.

ELA: Eu tenho a mesma opinião.

ELA DE NOVO: Eu gosto muito do que você escreve, do que compartilha, das suas opiniões.

ELE: Tenho às vezes que me policiar muito. Opinião é algo que a gente não quer abrir mão, mas que nos trai muito. Fico feliz de você me dizer isso. Mas, com certeza, o que vai valer aqui é a sua opinião.

ELA: Tipo… a escolha do que vamos beber ou comer será minha? [risos dos dois]

ELE: Qualquer decisão por aqui será sua.

E foi parar na mesa dos dois um magnífico jantar regado a bebidas convencionais e bebidas inusitadas. O tempo passou tão devagar quanto devagar era o ritmo da música ambiente que vinha de pequenas caixas de som penduradas em cada pilastra de madeira que segurava o telhado colonial da grande área onde ficavam as mesas daquele restaurante especializado em servir comida mineira. A música foi o melhor paliativo para ele por lenha na conversa dos dois e enaltecer a beleza madura da elegante ruiva vestida para o que viesse. E o que de melhor podia surgir, surgiu. Naturalmente. Não ali, é claro!

Originalmente postado no blog “Voa o tempo, amor“.

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