Será que verei novamente?

Encontrei no Youtube outro dia um filme que eu via frequentemente durante os tempos da infância-adolescência. Uma verdadeira raridade. E ao assistí-lo, me veio aquela sensação gostosa de estar a passear pelo tempo e trazendo de volta as boas sensações que era de praxe se sentir ao passar-se tempo assistindo filmes na TV. Isso encheu-me de bem-estar e bem-estar é algo que você deve procurar sentir sempre, pois, se tens desejos para realizar é o que vai tornar isso possível.

Daí, dei uma paradinha para pensar noutra coisa. Me veio à mente uma série de outros filmes e programas de televisão. E eu me perguntei: e esses, será que vou vê-los de novo?

Esse tipo de coisa nos remete à questão da idade. Mais particularmente da velhice. A gente se vê velho, com idade avançada. E, então, se pergunta quanto tempo deve nos restar para viver e se teremos oportunidade de experimentar ou de re-experimentar certas coisas.

E mais do que isso, se pergunta se voltará a ver novamente pessoas da caminhada. Não as que se tem ciência de que já partiram para o outro plano, estas estão sempre por perto, pois, a lembrança é para nós a casa inexorável onde elas passam a morar. Quando pensamos nelas estamos as revendo. E temos convicção disso, pois, sabemos que não haverá meios de revê-la tal qual classificamos o verbo rever. Ou seja: revê-las fisicamente.

Achar na internet os filmes dos quais se lembra e gostaria de assistir novamente é relativamente um desejo fácil de se materializar. Mas, pessoas, quando esgota-se a capacidade de um Facebook de nos trazer notícias sobre elas, só com o que podemos contar é encontrar rostos parecidos com os de alguém do qual passamos a lembrar por tê-los visto. E a querer saber se ainda está vivo, se está bem, qual foi o seu paradeiro, a sua história desde o fim da caminhada conosco. E, principalmente, queremos saber se antes de partir vamos revê-lo.

E é assim a vida: um mar de incertezas. Incerteza de quanto tempo falta para parar-se de vez de ter saudade e passar-se a ser saudade para uns e dúvida quanto ao paradeiro para outros; vontade de ter de volta o que parece ter-se perdido; ter vontade de consertar o que se pensa que ficou errado. E ter pressa de rever alguém, o que pode acontecer nunca mais.

Mas, ao final de tudo, eu penso que nada fica para trás porque onde quer que estejamos após a partida, na mente dos que ficam, quando deixamos algo de bom para eles, permanece plantada a oportunidade de estarmos presente neste mundo e da forma que der continuar fazendo algo por ele. Basta sermos lembrados para termos essa oportunidade. Portanto, a grande sacada da vida é fazer por onde ser lembrado. É o mesmo que garantir mais longevidade neste planeta. Procure gastar seu tempo dando razões às pessoas para lembrarem-se de você.

Uma consideração sobre “Será que verei novamente?”

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