Teria a Escola de Frankfurt nos trazido o nosso admirável mundo novo?

Neocapitalismo. É nisso que eu estava pensando quando eu quis escrever esta postagem. O capital transformado, disfarçadamente, em instrumento de manutenção de políticas socialistas. Garantia de empregabilidade e, contudo, consumo à vistas grossas. Levando ao extremo a engenharia social tal qual foi imaginado por Aldus Huxley em seu livro “O admirável mundo novo”. Sem qualquer tipo de revisionismo. Sem, inclusive, deixar a engenharia genética e alimentar de fora. E com direito, tirando-se as máscaras dos mantenedores do problema, à administração de drogas na sociedade. Nada de Soma ou de ácido lisérgico, diga-se de passagem. Outras drogas sintéticas, mais vagabundas, é o que usam.

E aqueles alemães marxistas encripados – Max Horkheimer, Rosa Luxemburgo, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Friedrich Pollock, Erich Fromm, Otto Kirchheimer, Leo Löwenthal – que costumavam pensar o mundo para a geração deles para frente dividirem, será que eles eram mesmo visionários ou será que o que fizeram foi influenciar com força gente que sempre teve as rédeas do mundo na mão e resolveu empregar as ideias que essa trupe colocava em pautas de discussão nas sombras da Escola de Frankfurt?

Estamos vivendo uma Era em que não só o emprego tradicional evaporou-se, mas, também os costumes antigos, que o tornava viável. Ninguém mais quer trabalhar na linha de produção de uma fábrica. E ninguém mais quer comprar o que se produzia nessas fábricas. Todos que estão para começar em um emprego agora quer ser algo especial. Se é que ainda há alguma ocupação que se possa dizer ser especial. O mais perto que se possa chamar de atividade operária é a função de um operador de telemarketing que exerce suas tarefas em um contact center.

Será que tem consumidor suficiente para todos os veículos zero quilômetros que ainda saem da indústria automobilística? Parece que venda garantida só têm os lotes de smartphones e tablets, que no Brasil já chegam montados. Nem tudo na prateleira dos supermercados encontra outro destino que não apodrecer por ali mesmo. Cobrir o corpo com tatuagens está mais na cabeça da humanidade de todas as idades do que visitar uma antiquada loja de roupas.

E enquanto a mudança de comportamento das pessoas carcome o capitalismo, este sobrevive com uso de uma estratégia: mercados de mentirinha. Economia planificada sendo chamada de neoliberalismo na base da distração oferecida pela mídia.

Para sermos claros, sempre o capitalismo contou com argumentos que faziam com que os mercados sempre estivessem aquecidos. Mesmo sem haver necessidade alguma, o consumidor ia às compras para satisfazer o ego atiçado pela mídia. Fora a necessidade de consumo imposta pelas datas comemorativas, que tornam as pessoas reféns do comércio, algumas vezes ele ouvia dizer que seu tênis estava fora de moda e por isso ele comprava outro. Outrora ele caía na lábia de que a validade do produto era de certa quantidade de meses. Por vezes, os recursos existentes no novo modelo de televisor não estavam presentes no antigo e por isso era necessário trocar o aparelho para poder usufruir dos recursos que todos estavam usufruindo.

Trocavam tecnologias, entradas de tomadas de cabo elétrico para atender a supostas normas de segurança baixada pelo Governo ou pelo Inmetro ou para “salvar o meio-ambiente”. Você mesmo pode se lembrar de mais táticas. Com o celular ainda fazem todas essas coisas. Jogavam sujo, mas, ninguém percebia, só acatava. E assim se garantia saída para tudo que passava pelas linhas de produção.

E já que citei o segmento de contact center, vamos exemplificar por ele como é esse processo de demanda de consumo forçada nos dias de hoje.

Compreende-se que os call center são mantidos pelas ligações que atendem. O negócio deles é atender ligação. Por exemplo, um call center que atende para uma operadora de telefonia móvel precisa que os clientes dessa operadora necessitem fazer tais ligações. A própria operadora poderia fazer esses atendimentos, mas, a terceirização é forçada pelo órgão regulamentador do setor, que usa o paliativo da empregabilidade e obriga as operadoras a cuidar só de sua prestação de serviços. Assim se gera motivo até mesmo para a existência do órgão regulamentador e, por conseguinte, dos cargos existentes dentro da organização.

Só que se a operadora prestar infalivelmente seus serviços, como manda uma das premissas do capitalismo, o cliente jamais precisará ligar para reclamar de alguma coisa. Entra em cena, então, alguns remendos para gerar ligação para contact center. O primeiro deles é a interrupção arbitrária dos serviços. O cliente imagina que está sem sinal para fazer ligações ou acessar a internet por puro ossos do ofício da tecnologia. Mas não: o sinal foi cortado propositalmente para clientes específicos ou para uma região inteira, assim, haverá pessoas ligando para reclamar e solicitar providências. O curioso é que para ligar para o call center as antenas ajudam e sempre há cobertura.

Outra tática: contas de telefonia têm propositalmente seus valores errados para maior. Ninguém deixa barato quando o problema é pagar mais e para aproveitar disso a URA dos números de atendimento das operadoras fica de prontidão para transferir para um atendente humano a chamada. SMS carregando falsas mensagens e solicitando a ligação para um asterisco qualquer coisa aterrorizam diariamente quem é cliente de operadoras de telefonia móvel. O objetivo é ele ligar para receber a informação de que fora um engano e que ele pode desconsiderar. Não era melhor ficar em paz, sem ligar para call center, se já se sabe que o recado é improcedente? Tem gente que liga para verificar se procede um SMS que recebeu dizendo que lhe estava reservado um prêmio de milhares de reais, bastando ele ligar para a operadora para tratar de pegá-lo. Golpe sujo e antigo para fazer pessos ligarem e ainda tem quem perde tempo com confirmação da mentira.

Há outros estratagemas de invenção de demanda nesse segmento de mercado, como, por exemplo, pessoas receberem cachê para passar o dia ligando para call center, digitando um número de telefone pré-conhecido por SMS enviado pelo call center, contendo a reclamação a fazer e os dados do verdadeiro dono da linha para validação pelo atendente a quem for dirigida a chamada. Muitas vezes o impostor é orientado a solicitar ativações de plano ou de forma de pagamento do tipo Conta On Line e quando o problema aparece ao verdadeiro dono ele se vê obrigado a ligar para o call center para desfazer a ativação indevida. Ser cliente de operadora de telefonia móvel é passar por muito desaforo e ter bastante chateação e perda de tempo com ligações não programadas.

Olhando pra isso, pensamos: Mas, a operadora é quem paga o atendimento, porque ela permitiria esses golpes? Não é possível que ela não sabe que acontecem ligações frias para ela pagar. E há também o fato de ela arriscar perder seus clientes por causa desses descasos com o consumidor. Porém, há suspeitas de que as operadoras são condecendentes com o assunto porque elas são recompensadas com incentivos fiscais oriundos do Governo por sustentar empregos. Em outras palavras: redução de custos de operação e lavagem de dinheiro. Diante a essas informações não oficiais, mas, contundentes, não é de se admirar a razão de o Governo Temer ter dado dinheiro para as teles. Elas, no mínimo, ameaçavam acabar com o esquema, dizendo que a crise estava brava e que seria cada um por si, e com isso haveria desemprego massivo.

E o cliente não foge porque todas as operadoras atuam da mesma forma. Todas são a mesma coisa. O desconforto que se encontra em uma, se encontra propositalmente noutra. E, depois, a população está escravizada demais ao uso do celular para ela mover-se contra esse império do mal e cobrar qualidade e descência desse mercado. Tanto no quesito prestação de serviços, quanto taxas cobradas, quanto atendimento de CRCs. Se precisam gerar emprego e a solução está no atendimento de telefones a culpa não é do consumidor. Podem muito bem deixar o atendente de plantão esperando pela ligação sem que ele seja obrigado a atender, quase que sob chicotadas, chamadas inventadas, de gente que não quer nada, e receber seu salário mínimo do mesmo jeito que não vai afetar o faturamento do call center, já que ele tem o seu faturamento mínimo garantido pelo Governo.

E por ser a demanda do setor de atendimento por telecomunicação um produto inventado, os trabalhadores da categoria ganham baixos salários e são submetidos a condições de escravo em seu dia-a-dia nos call center que participam desse esquema. Até o sindicato dos trabalhadores da categoria entra na corrupção para fatiar o bolo e com isso não têm os trabalhadores a quem recorrer para melhorar sua realidade de servir de boneco em uma peça teatral, cujo tema é chamado de rotina de trabalho ou de administração de empresa. Quiçá de um país!

Esse é só um caso dos muitos de demandas fictícias para sustentar empregos e criar consumo para vitalizar o capitalismo. Há outros de igual forma inventivos. Se pensarmos bem, focando nesse exemplo, todos os operários são funcionários do Estado, pois, recebem salários pagos com dinheiro oriundo de benefícios fiscais. Uma sociedade onde o Estado controla o mercado, como a pensada pelos marxistas, é socialista. O socialismo direto é que é honesto, por que não discutí-lo com a sociedade e implantá-lo?

Haverá neste blog outra postagem sobre esse assunto, mostrando a engenharia genética empregada para gerar consumidores e como a cultura e as artes se aliam ao capitalismo para torná-lo vivo. Táticas desenvolvidas informalmente pelos filósofos da Escola de Frankfurt. Se você se interessa por esses assuntos, comente ou curta a postagem!

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