Como funciona o marketing de engenharia social

Os marqueteiros de comportamento são muito requisitados para resolver as demandas de políticos e empresários quando estes precisam resolver impasses junto à população. Pretendo criar com esta postagem uma série que demonstra caso a caso como funciona a cabeça desses marqueteiros, bem como esse tipo de marketing.

Veja a situação descrita abaixo, tão corriqueira no MOVE de Belo Horizonte.

Se você utiliza em BH um BRT (ônibus que possui pista especial e os passageiros os pegam de dentro de cabinas específicas), tanto faz você passar pelo corredor da Avenida Antônio Carlos quanto da Av. Cristiano Guimarães, você vai se defrontar com cenas do tipo: Pregadores evangélicos passando o sermão até para quem é ateu, pedintes exibindo feridas cada uma mais cabulosa do que a outra, supostos ex-viciados tentando extorquir dinheiro em nome de Deus para ajudar supostas casas de recuperação e, principalmente, vendedores de água mineral, biscoitos, balas e outras guloseimas estraçalhando com o direito ao sossego que achamos que temos. É eles entrarem que durante alguns minutos o sossego acaba e a dificuldade para se movimentar dentro do ônibus, que já é grande, pois sempre andam lotados os veículos, amplia.

O que mais incomoda não é o fato de entrar vendedores mal vestidos e por vezes mal encarados e abusarem da inconveniência, o que mais incomoda é eles terem que falar, antes de vender, algumas palavrinhas que eles acham que são tocantes e que vão arrancar alguns vinténs na base da comoção do público. Como se a população que utiliza ônibus tivesse com toda a sua vida resolvida, sem problemas e com dinheiro sobrando para comprar bala mesmo quando não tem a menor vontade de fazê-lo.

Isso já virou um caos. Há bastante reclamação contra isso na Prefeitura de BH. Mas, e o cacife que prefeito, fiscais e policiais não têm para resolver a questão do jeito que tem que ser? E a questão não se resume a esse incômodo aos passageiros. Vai mais longe. Os ambulantes cabulam a passagem para invadirem as estações; oferecem produtos sem taxação, sabe-se lá se sem qualquer tipo de assiduidade também; tomam a vez de lojistas registrados no fisco; inspiram trabalhadores a abandonarem o parco emprego que possuem para aventurarem-se a vender bebidas, salgadinhos e doces. Não dá para negar que há, de leve, um abalo na economia local com esse movimento.

Agora, suponhamos que o prefeito resolva mostrar serviço, perceba que embora pareça que haja um alívio empregatício nessa boquinha, pois, os baleiros “poderiam estar cheirando cola, assaltando, mas não: estão trabalhando honestamente“, mas no fundo há mesmo é um tamborete para se sentar por pouco tempo, pois vira e mexe aparece baleiro novo no pedaço e outros somem, e contrate um marqueteiro de formação de opinião para inibir o processo. O que cairia feito um raio na cabeça desses construtores de psicologia social?

Primeiramente eles convocariam a grande mídia para fazer um terrorismo informacional. Uma epidemia regional assustadora fictícia seria criada. A população ficaria apavorada e faria de tudo para se sentir protegida de acometer-se da tal peste. De tanto ver na TV, ouvir no rádio e ler nos jornais e revistas sobre gente supostamente estraçalhada supostamente devido à doença, até tomar placebo ou veneno com o nome de vacina ela toparia.

No auge do apavoramento populacional, naqueles quadros telejornalísticos em que os âncoras entrevistam personalidades, coisa que em BH o MGTV da TV Globo manda muito bem, um secretário municipal ou estadual da Saúde apareceria para orientar a audiência. Entre as falas dele apareceria o mote: “pesquisas comprovaram que a principal forma de contágio dessa doença é o contato com comida estando com as mãos sujas“. E ele ainda daria exemplos: “É muito comum as pessoas comerem nos ônibus certos produtos alimentícios que elas encontram à venda. As estatísticas mostram que as lotações e outros ambientes de aglomeração de pessoas são repletos de peças em que se põe a mão e nelas se dá um contágio. Pode ser o assento, pode ser o corrimão onde elas seguram quando estão em pé. A simples circulação do ar dentro do ônibus pode levar poeira para as mãos e outros pontos do corpo. Aí mora a oportunidade para esse poderoso vírus penetrar na corrente sanguínea de alguém por meio da ingestão de alimentos.

Disso nasceria um boicote aos ambulantes, que só terminaria quando estes não mais circulassem com seus produtos. E não só dentro dos BRT. O lobby empresarial que assessoriaria o prefeito daria uma festa pública. E a questão estaria resolvida. E ai daquele que aparecesse com a ideia de instalar pias de lavabos nas estações.

Coisa desse tipo (problema-tensão-solução) está por trás da farsa da Carne Fraca ou da proibição da Vaquejada. Podemos discutir outras manobras sociais se me permitem!

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