Engenharia social pró Jair Bolsonaro

Tenho um amigo que viveu nos EUA por mais de vinte anos e que me disse que irá votar no Jair Bolsonaro em 2018. O motivo: Bolsonaro agrada com a sua fala desenfreada e com as causas que lhe preocupam.

bolsonaro-pinoquio

Quero dizer que sou esquerdista, porém, do ponto de vista da raiz da expressão: radical, conscientemente do contra, contestador de projetos de idoneidade duvidosa, inconformista. E, é claro, do ponto de vista da oposição ao imperialismo global e à exploração do homem pelo homem, características próprias do capitalismo.

Mas, se Bolsonaro fosse confiável, eu cogitaria votar nele pelas suas causas. As propostas dele para acabar com a baderna que virou a sociedade brasileira me interessa também. Eu também sou contra essa libertinagem toda que a mídia difunde e molda as pessoas para estarem nela. É só o que ganha fermento para acontecer na sociedade e a Esquerda não faz nada para evitar acontecer.

A mídia que consegue engenhar as pessoas é a grande mídia, que é um instrumento afamado como de direita. E se é de direita e a Esquerda não se opõe a ela, então, algo está errado. Quem é o autoproclamado esquerdista para me atirar a primeira pedra?

Sem contar que a maioria dos bolos que recebem o fermento dos veículos midiáticos quem prepara são os políticos ligados aos partidos de esquerda. Pelo menos é quem fica com a fama da autoria e não reclama. Coisas como, por exemplo, impedir que menor seja responsável pelos seus atos (oposição à redução da maioridade penal); impedir que os pais sejam austéros com seus filhos com palmadas quando o diálogo se esgotar, pra não deixá-los sem futuro e penar nas mãos de bandidos quando adultos (Lei das Palmadas). Um cara que quer combater o comando dos traficantes responsabilizando o drogado está muito mais perto de resolver a situação do que o que dá cobertura para este também meliante o classificando como doente mental e vítima da sociedade.

Eu partia para pegar um ônibus e dentro de uma estação uma pessoa contava para outra com ufanismo um feito de Jair Bolsonaro. A aparência do sujeito contador do caso era a de um bandido. Quem imaginaria que um sujeito desses contaria demonstrando otimismo qualquer feito do representante dos militares no Congresso. Seguindo a conotação, a ideia seria bandidos e propensos a bandidos estariam aderindo a candidatura do homem. Isso influenciaria mais e mais pessoas que querem ver a baderna e a violência acabar e têm predisposição a não votar no militar a terem o voto cooptado a favor dele.

Depois, já dentro do ônibus, um jovem com pinta de doente mental por causa de drogas não parava de falar sozinho em voz alta e de cantar um rap cheio de apologia ao crime, à droga e outras mensagens ruins e agressivas para quem estivesse por perto a ouvir sem solicitar a apresentação degradante. Todo mundo deixou o cara na dele. Claro, todos estavam com medo de perturbá-lo mais do que ele já era perturbado. Todo mundo ficou refém do cara.

As pessoas pensarem que está descontrolada a sociedade por causa das drogas e ver alguém que quer tocar no assunto por meio de propostas esperançosas é uma boa alavanca para angariar votos. E pensa nessa cena proporcionada por esse jovem tendo você recebido na mente a sugestão dada anteriormente dentro da estação? Associa, não associa? Não é à toa que o Bolsonaro tá bem nas pesquisas. Eu até acredito que a engenharia social que fazem para moldar a escolha do eleitor usando pesquisas de opinião pública, nesse caso não se aplica. O resultado que estão dando deve ser dados de pesquisa mesmo.

Mas, como eu disse no início, eu considero Jair Bolsonaro um avatar da direita, por isso é que eu só cogitaria votar nele se ele fosse confiável. Para mim ele não passa de um elemento para ajudar a distribuir os votos da esquerda, capturando alguns da outra ala. Papel que fez a Marina Silva em 2014, quando substituiu o candidato oficial de seu partido na época, morto em um suspeito desastre de avião. Se ela não entra na parada para disputar a eleição como titular da candidatura a presidente da república de seu partido no ato, o PSB, Dilma Rousseff faturaria sem presença no Segundo Turno aquela competição por votos.

Marina teve muita ajuda da grande mídia para fazer subir sua candidatura. A propaganda voltada para sua até então imagem de esquerdista, ex-ministra de Lula, arrancou eleitores da Esquerda que estavam ajudando a puxar a corda para o lado do PT. Para ajudar essa massa a mudar sua opinião, essa mídia enchia-lhe a cabeça com ataques à candidatura de Dilma e vinculação do PT à Operação Lava-Jato, que começava a engatinhar na ocasião, exatamente para cumprir o propósito de eleger Aécio Neves.

Porém, às vésperas da eleição para decidir o primeiro turno, houve uma manobra e Marina, suspeita de ter pedido cargo no governo Aécio Neves para entregar o jogo, deu para trás e jogou seus eleitores de mão beijada para o candidato tucano. Até quem era Dilma a ferro e fogo entrou nessa. Sabe-se lá se Bolsonaro não vai fazer a mesmíssima coisa em favor daquele que o PSDB mandar para competir com ele?

E veja como vai ser fácil o PSDB ganhar se ocorrer um Jair Bolsonaro X Candidato tucano: Qual esquerdista que votaria no Bolsonaro? Nessa berlinda, ou ele votaria em tucano, com muito desgosto, só pra não deixar o Jairzinho vencer, com medo de ter que enfrentar ditadura militar novamente, ou ele não votaria, anularia seu voto. O que seria o mesmo que votar no PSDB, que certamente já teria engenhado com o trabalho da sua mídia – a hegemônica – a maioria dos que sobrarão para votar.

A Globo já anda fazendo a engenharia psicológica social pró-tucanos para não deixar o povo sem essas aves de rapina na cabeça. O episódio do capítulo de malhação envolvendo um afronto à polícia militar e uma matéria de telejornal em que William Bonner acusa a polícia do Rio de ser truculenta com suspeitos que andavam com fuzil na mão tiveram a intenção de manchar a imagem da instiuição policial. Ali ela estava não só jogando o público contra a instituição, mas também difamando o modelo militar. E tentava dar uma freada na popularidade do Bolsonaro para que as pessoas tivessem tempo também para cultuar outros candidatos e espalharem seus votos de maneira que mesmo que Lula consiga candidatar não se concentre nas mãos dele o potencial dos votos. Os tucanos, de certa forma têm um contingente cativo de eleitores, que são os que não se importam com a corrupção por de alguma forma se beneficiarem dela. Para estes, quando a notícia é contra petista ela é verdadeira e ela é duvidosa quando envolve tucanos.

Esta é a minha opinião!

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