Como funciona o futebol industrial

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Uma cidade que possui um ou mais grandes clubes de futebol, que disputam as principais competições estaduais, nacionais e internacionais, tem tudo para fazer alavancar negócios em seu solo com o uso desse esporte. Basta ela reivindicar que seus clubes ou um deles estejam participando das competições – ou uma das competições – mais badaladas do país ou do mundo. Dependendo dos clubes que a cidade possui, nem é preciso que a prefeitura reivindique às federações esportivas, donas dos campeonatos. Elas mesmas fazem questão de incluir o clube no elenco da disputa. Você deve estar a pensar: Reivindicar? É necessário se classificar. Mas, você vai entender que não é bem assim. E de repente irá até sacar muitas das coisas do futebol atual que para você ficaram inexplicadas.

Aonde o clube vai, vai sua torcida. E sempre a partida que o clube sedia tem o interesse dos torcedores que torcem para o time adversário. Estes deslocam-se para ver o seu clube jogar ou se prendem às transmissões de rádio ou de televisão, formando a audiência necessária para esses aparelhos comerciais faturarem. Antes e após os jogos, além desses veículos de cobertura esportiva, os jornais e revistas impressos também fatiam do bolo. E hoje em dia ainda há os sites de toda sorte, que faturam antes, durante e depois das partidas jogadas.

O primeiro pelotão de faturamento com base no futebol, tirando os clubes, os empresários do setor, as federações, os estádios e a imprensa esportiva, são os comércios que exploram as marcas dos clubes. Eles as estampam em diversos artigos de consumo, do vestuário ao material escolar, o brasão ou o mascote que identifica o time e isso se torna um item preferencial de consumo não só dos apaixonados pelo clube. Uma fórmula que dá super certo há bastante tempo e que não tem o investidor risco grande de fracasso de vendas. Principalmente se o clube estampado nos artigos estiver em alta na temporada.

Há aqueles cujo faturamento pode ser previsto, programado para acontecer e até ter antecipados os pagamentos. É o caso das agências de passagens aéreas e companhias de aviação, que transportam as equipes desportivas e os elementos da imprensa do ramo. As empresas de ônibus não ficam muito para trás, pois, carregam torcedores em caravanas durante todo o ano.

Entram em cena os hotéis e casas do gênero. Com hospedagem dos integrantes dos clubes e da imprensa é certo de eles arrancarem reservas. É mais provável de eles faturarem também com as torcidas nos certames de amplitude nacional – em cidades distantes mais de 500km do local de origem do time visitante – e internacional. Isso porque muitas vezes as partidas acontecem em dias da semana e horários que comprometem aos torcedores a volta para casa em razão do trabalho.

Os restaurantes, bares e boates, em qualquer situação são os campeões de clientela extra. E essa logística de turismo de evento favorece também a vendedores ambulantes, feirantes e àqueles que ganham seu dinheiro dos turistas em visitas a pontos turísticos de fácil acesso, como parques, praias, monumentos. Não é muito de se esperar, mas, podem pegar alguma renda museus, galerias de arte, casas de shows ou salões de exposições diversas.

Sendo assim, por que não esperar que o Futebol seja totalmente industrializado? Com clubes sendo favorecidos com títulos ou entradas – e até permanência – em competições para criar o interesse do público de maneira a fazer toda essa estrutura funcionar. Além de fazer enriquecerem as cidades hospedeiras dos grandes clubes, torná-las capacitadas para anfitriar grandes eventos, que geram outras divisas, ou, quando necessário, ajudar os governos municipais e estaduais a se livrarem de dívidas públicas, quer estas sejam do setor esportivo ou não. Coisa que vem acontecendo em muitas das capitais que receberam jogos da Copa do Mundo 2014 e ficaram endividadas.

Um grande palco com atletas de laboratório, criados para receberem foco da mídia contratada e virarem astros, atuando em clubes escolhidos, de acordo com uma demanda previamente solicitada, estaria a ser visualizado pelo público do futebol industrial. Com megacompetições produzidas para serem cultuadas como um grande espetáculo da Terra, como é a Copa do Mundo. E tudo servido de muita farsa. Que recebe a contribuição de quem sabe e de quem não tem a mínima ideia de que os jogos e campeonatos são totalmente planejados para serem como são, formarem os campeões que os vencem, tendo a participação dos clubes e dos atletas que os disputam. E gerando nos bastidores os bafafás administrados para serem gerados e repercutidos pelos que perdem seu tempo acompanhando o futebol em vez de procurar viver sua vida com mais qualidade.

Todos nesse esquema ganham. Até mesmo o torcedor. Enquanto ele acreditar que está a haver uma disputa o que acontece dentro dos gramados, é claro. Se um dia isso romper, o encanto acaba e toda essa estrutura de erguimento de negócios desaba. Mingua por falta de faturamento. Qual torcedor irá querer ver, de dentro de um estádio ou pela televisão, arte cênica se passando por entretenimento desportivo? É por essa razão que tudo é muito bem feito. Não há a menor chance de se enxergar que até um pênalti perdido pode se tratar de um golpe contra a opinião pública. Empregam as melhores cabeças maniqueístas para pensarem as estratégias de manipulação da massa que acompanha o futebol. Estas estabelecem antecipadamente tudo que irá ser visto e comentado pelo torcedor. Empregam alta tecnologia nisso. O projeto Blue Beam é fichinha perto da capacidade de artificializar que tem essa indústria.

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