A prova que o Governo Militar era de esquerda

Essa é pra fazer o Bolsonaro revirar no túmulo… ops: na UTI!

A História é contada pela situação. Nos meus tempos escolares, ensino primário e colegial, a situação era formada pelos militares. E quem está no comando controla as instituições cívicas. Entre elas a educação. Logo, os livros do MEC eram colocados na grade seguindo orientação dos generais. O que os historiadores tinham que colocar dentro deles era ditado pelos meganhas. Assim como o que ia nas páginas dos jornais.

E o que eu lia nos livros de História e Geografia naqueles idos, o que eu encontrava nos álbuns de figurinha e até nas revistas em quadrinhos, apresentava a realidade do mundo de maneira mais mastigável. O material de escola, publicitário ou artístico e midiático não eram tão manipuladores. Não buscavam te fazer acreditar na verdade que costuma querer que se acredite quem está na situação. Muitos daquela época e que podem chegar a ler este texto contestarão, mas, aquele material resistiu ao tempo e todos nós temos acesso a ele. Não tenho como dizer outras coisas sobre aquele procedimento educacional, pois, posso ser facilmente desmentido.

Na grade escolar se falava de Comunismo, apenas não se enaltecia. Não tinham os textos o mesmo entusiasmo que tinham os que propagandeavam o capitalismo. Na verdade: o consumismo. Ninguém, dentre os brasileiros médios, passava o tempo a pensar sobre regimes semi-opostos buscando adesão. Mas, o suficiente para sabermos que isso existia, sim, era divulgado. Me lembro que eu sabia de cor os nomes das quinze províncias soviéticas e das respectivas capitais. Era obrigatório para as provas saber sobre a União Soviética, a China e os Estados Unidos.

Já nos livros didáticos utilizados na grade do MEC a partir do Regime Civil, com relação aos tempos militares vemos muito recrutamento para aversão, muito ataque. Falam de censura que não existiu e de procedimentos que não eram adotados para qualquer pessoa. Houve sim perseguições políticas. Havia muitos militantes marinheiros de primeira viagem, que entravam de gaiato em grupo subersivo, simpatizavam com a causa dos líderes e saíam a afrontar os generais e com isso ajudavam a engrossar o caldo das prisões abusivas, torturas e outras desavenças acontecidas com muitos inocentes. Isso porque nisso os generais eram mesmo durões. Aliás, tinham que ser, pois, se não se zelasse pela ordem e se protegesse o ideal do regime que se queria manter, haveria desgoverno e consequentemente anarquia.

E quem são os sujeitos que estão no poder hoje, por trás do regime civil? São exatamente os que nos idos em foco queriam derrubar o governo. Sob pretexto de falta de liberdade para as pessoas e de existência de miséria e de injustiças. Carregavam a bandeira do Socialismo na tentativa de angariar simpatizantes e assediar pessoas. Eles não estão só no PT ou nos outros partidos de linha esquerda. Estão também no PSDB, nos demais conservadores e, obviamente, no PMDB, que voltou a se denominar MDB.

Quando chegou a vez daqueles enfrentadores do sistema botar a mão no poder, o que eles fizeram? Venderam as estatais que os militares criaram, quebraram, de propósito, as instituições públicas e muitos benefícios sociais que também foram implantados pelos militares. Permitiram a entrada do capital estrangeiro até em atividades em que o bem de produção é o trabalhador, como nas centrais de atendimento. Escravizaram, com isso, o trabalhador. Venderam ele para as multinacionais. E é assim que está configurado e querendo ficar cada vez pior.

Trabalhador de call center nos tempos militares seriam, sem qualquer dúvida, funcionários públicos. O setor, assim como os centros de processamento de dados, era considerado reserva de mercado de trabalho a função e não podia ser explorado por empreendedores estrangeiros. Os estrangeiros, se quisessem, que viessem instalar fábricas e produzir algo que pudesse ser vendido, fazendo o país ganhar com a exportação do excedente, assim como aconteceu com as fábricas de automóveis. Nada de mamata de vir pro Brasil escravizar o trabalhador, entregar pra ele máquinas precárias para ele trabalhar, pagar a ele o salário mínimo só para ele consumir e fazer o capitalismo girar e lucrar alto com o seu atendimento prestado durante árduas horas por dia.

Naquela época haviam dois partidos. O MDB – Movimento Democrático Brasileiro – e a ARENA – Aliança Renovadora Nacional. É um pouco difícil de definir isso, mas o primeiro representava o desejo de se sair do Regime Militar e o segundo o oposto.

Democracia no Brasil eu acredito que não tenha existido nem mesmo quando a ala que se rotulava como democrática entrou no poder. Só de se constatar a necessidade de aprisionar psicologicamente a população, por meio das instituições doutrinárias, para que ela seja mantida no cabresto sem que perceba, pois, iludida com o conceito errôneo de democracia, que ela determina como “se poder fazer o que se quer“, já é um indício de ditadura. Ditadura civil. Sai da atrocidade visível para se manter a ordem e o progresso praticada pelos militares e entra na invisível, extorquida à base de controle mental e engenharia social, praticada pelos civis. Não só os políticos. E é duvidoso se para manter ordem ou criar progresso que as táticas acortinadas dos civis são implantadas.

Como está implícito, no modelo de governo civil esquerdistas e direitistas formam um laço só. Mas, se fazem de adversários para garantir permanência no poder. Senão os militares intervêm e acabam com a farra. Essa é a lógica de Hegel. No fundo é “todos contra os militares“. Sob a ilusão popular de ser “todos pela democracia“.

A estratégia mais sensacional adotada por esse conluío é o pluripartidarismo. Muitos partidos não significa só dividir uma boa soma da receita pública na forma de apoio financeiro aos partidos políticos. Mas, uma forma de camuflar investidas contra os inimigos do regime civil e de manipular a opinião pública, colocando a população para seguir linhas partidárias, que estão sob o controle das lideranças políticas ou da elite que está por trás dos partidos. Quer entendam ou não a ideologia da facção que são seguidas.

Se voltarmos ao passado e reinstaurarmos o bipartidarismo, teríamos de volta o MDB legítimo e a ARENA. Todos os partidos interessados em manter o Regime Civil se concentrariam no MDB e o inverso na ARENA. Teríamos que fazer um levantamento dos feitos de cada grupo e juntar os interesses.

No lado civil estariam o interesse de liberação das drogas, do aborto, da sexualidade descompromissada, do crime, da baderna e da violência, do “faz o que quer” que caracteriza a mídia corporativa. Na área econômica vem privatizações, consumismo fútil e empregabilidade fantasmagórica, entrada desenfreada do capital estrangeiro e perda de soberania nacional. Lavagem de dinheiro e corrupção. A Educação priorizaria o emburrecimento e a infantilização. No campo do trabalho: o escravagismo encripado. As polícias totalmente aparelhadas e operando o suficiente para garantir o soldo, exercendo suas funções um pouco somente nas solicitações para defender o sistema. E na administração pública os abusos que vemos desfilar os homens do Judiciário e a extravagância típica dos políticos de qualquer esfera: municipal, estadual e federal. Tudo que só não constatamos se não quisermos.

E no militar: busca rígida pela ordem e bom comportamento, desenvolvimento econômico sustentável. Progresso comedido. Respeito pelos índios, pelo brasileiro de todas as regiões, pelo menor abandonado. Nova Funai, novas superintendências regionais, nova Febem. Interesse em criação de projetos sociais e de amparo ao trabalhador. Como o Funrural e o PIS. Novas fundações de incentivo à cultura. E, é claro, estatais. De negativo só as obras faraônicas, Mas, elas estão presentes em qualquer tipo de administração pública. Tudo bancado com dinheiro público para usufruto pelo nação. Colocando a imprensa e os veículos de mídia no chinelo para que sua ganância não venha a comprometer a ordem e o progresso ou educar o povo para a servidão.  Mais vermelho impossível.

Percebe-se assim que o Governo Militar tinha uma quedona para o socialismo. Aqueles radicais que o combatiam é que estão no poder hoje e privatizaram tudo o que foi começado naquela época. Eles é que deviam receber investimento dos Estados Unidos. O Tio Sam odeia estatais e benefícios sociais. E foi ele que bancou a redemocratização do Brasil. Foi ele que comprou a maior parte das nossas empresas e se apropriou da maior parte dos nossos recursos naturais, nossas riquezas. E quem facilitou e continua facilitando para eles? A última cartada foi o Pré-Sal e lá vai a Eletrobrás, que os militares criaram. Qual o regime que está no poder? Será que o Bolsonaro tem noção sobre esse esquerdismo todo desses idos que ele gosta tanto de enaltecer? Será que ele se interessaria em reavivar a ARENA e buscar pelos interesses que hoje seriam dela?

Não é guerra, é só reflexão e ponto de vista. E colhidas as informações da memória a maior parte. Mas, tenho um vasto material da época, a maior parte impresso, que não me deixa mentir. E não há contradição com o que venho publicando neste blog, pois, venho criticando os acontecimentos que são injetados na sociedade atualmente. A maior parte esquetes midiáticos, com o propósito de desviar a atenção do povo para que ele enfie-se num erro. Meu ceticismo é notório. Meu niilismo idem. Meu inconformismo ainda mais. Duvido do futebol e do esporte em geral, da cultura e das artes, da imprensa, da mídia, do sistema educacional – destaco as escolas, da ciência, das igrejas, das empresas, dos poderes executivo, legislativo e judiciário e principalmente do governo. Ninguém me parece ser íntegro. Todos manipulam e parecem militar por um bem comum onde poucos ganham. Não há distribuição e sim fascismo. É só navegar nas postagens e verificar que não há nenhuma contradição. A não ser que se queira, sem qualquer coerência, tachar dessa forma.

Este texto tem a pretensão de ser o último publicado neste espaço com os marcadores que o compõe.

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