A Idéia

A Idéia me veio quando muito infeliz com a minha situação profissional, voltando do trabalho, dentro de um ônibus eu vi entrar, em pontos de parada diferentes, vários vendedores ambulantes a aproveitarem para venderem seus produtos para o volume de pessoas que os BRT transportam diariamente durante todo o horário comercial.

Eu via uns venderem mais do que outros, mas, todos vendiam alguma coisa. E ouvia falar que eles conseguiam ganhar bem mais do que o salário mínimo. E que havia uma organização comercial por trás deles, que fornecia a eles curso de vendas, com direito ao discurso que os vendedores proferem para anunciar sua venda e o estoque de produtos que eles carregam.

Eu imaginei uma fórmula que os fariam vender astronomicamente, arrancando a solicitação de compra até mesmo de quem não se interessasse pelo que vendiam. Só que o que eu imaginei precisaria de um apostador. Alguém que ousasse investir na Idéia, o qual eu estava convicto de que teria feito o melhor dos investimentos das últimas décadas.

Parei de imaginar quando me dei conta de que eu não conhecia alguém com tanto dinheiro e coragem para gastá-lo em uma aposta e que fazer aparecer para muitos empreendedores viabilizadores de projetos a minha intenção de vender a ideia era algo cuja expectativa era bem baixa. Havia anos que eu tentava me dar bem com alguma coisa, lançando projetos e mais projetos, até bem inovadores, e abandonando o plano por falta de audiência, anunciantes ou consumidores pouco depois de implantado.

Eu gosto muito dos tempos em que o capitalismo acontecia com base na honestidade e necessidade. Os mercados eram compostos de compradores de itens necessários no lar, à locomoção ou ao lazer dentre outras situações. Uma pessoa ia a uma mercearia comprar sabonete e creme dental porque ela precisava desses itens. A propaganda pouco induzia os indivíduos numa sociedade a adquirir coisas supérfluas. Ou contratar serviços supérfluos.

Sem querer perder tempo com pesquisas, eu atribuo o início do consumismo descompromissado ao advento da Coca-Cola. Esse refrigerante, nascido como xarope carbonatado, jamais existiu como um produto de suma importância. Por isso teve que se valer de técnicas para se popularizar. E se destacou com isso. Ditando em sua época as regras do marketing de venda bem sucedido, que valem até hoje e a própria empresa costuma aparecer motivando publicitários e marqueteiros a testar novas regras.

Aldus Huxley, o autor de “Admirável mundo novo”, foi feliz ao cunhar a frase “devemos o progresso aos insatisfeitos“. De fato, a obsessão da Coca-Cola em tornar os mercados mais versáteis e livres da crença de que aos consumidores só se deve oferecer o que é útil é que, podemos dizer assim, trouxe as maravilhas que desfrutamos atualmente. Maravilhas que, não sejamos ingênuos, tivemos que ser adaptados e engenhados para aderí-las. De outra forma jamais elas aconteceriam e fariam ricos aqueles que as lançaram na sociedade.

A popularização dos novos hábitos e dos produtos supérfluos culminou em aumento de tamanho das cidades, bem como de suas populações. E a necessidade de emprego não só para garantir o sustento das pessoas, mas também prover o consumo dos produtos pendurados nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais, fez racionalizar e complexar ainda mais o Trabalho.

Fatores como elasticidade de consumo, concorrência, oferta e procura, produtos e serviços inovadores e novas tecnologias ativavam e desativavam mercados e corporações. E essa entropia continua nos dias atuais.

Quando o meio físico se viu saturado de lançamentos e manias – produtos, serviços, tecnologia, artistas, desportistas e outras celebridades – que eram sugados de levinho para durarem mais tempo os empreendimentos e formas de se produzir, o virtual apareceu na ponta dos pés para causar um grande transtorno. As pessoas aderiram com força a sedução do meio cibernético. Migraram para ele suas atenções e aspirações. Fábricas fecharam, produtos foram descontinuados, serviços dantes populares caíram no desuso.

Os inventores migraram para a internet suas invencionices. Daí nasceram as grandes ideias dessa época para cá. As últimas “pessoas de sucesso” que a revista Forbes listou como as mais ricas e influentes do mundo devem suas biografias à grande rede mundial de computadores. Não havia quem desacreditasse que a oportunidade para enriquecer então residia na internet, que quem quisesse se tornar independente financeiramente, tendo ou não um patrão, e gozar de extrema fortuna, teria que inevitavelmente focar seu projeto na internet. Ou pelo menos na informática, oferecendo soluções para se conectar à rede ou tendo desenvolvido aplicativos e sistemas que operasse em protocolo http. Os grandes exemplos são o Google e o Facebook.

Com base nesse contexto, autorei insistentemente sites e mais sites, blogs e mais blogs, para quem sabe abocanhar uma fatia do bolo que eu achava que havia para ser fatiado. Minhas disponibilizações para o público nasciam na minha cabeça e eu imaginava que eram bastante predispostas ao sucesso. Mas, como não poderia deixar de ser, só colhi fracassos.

Tá certo que ao longo do tempo eu tomei ciência de que os bilionários da internet não surgiram do nada. Tiveram berço. E seus inventos tiveram patrocínio, investidores. E se deve a isso seu sucesso. Em qualquer ambiente que se possa lançar um invento, seguindo essa fórmula se colhe bons frutos.

Portanto, eu não falhei ou minhas invenções eram medíocres. Simplesmente eu não tinha como as fazer aparecerem. Vejo isso com meus livros. Tanto autor medíocre fatura alto com histórias mesquinhas e eu sequer posso ter meus contos avaliados dessa forma por não alcançar público.

Mas, enfim veio-me a Idéia. A Idéia não será lançada à Deus dará para o público como fiz com o que disponibilizei anteriormente. Ela ficará guardada até que algum magnata surja e queira pagar para conhecê-la. Ser meu parceiro de negócios e faturar alto. O grande trunfo que a Idéia conta com ele é o fato de o Capitalismo estar esgotando-se, necessitando de reais inovações.

E a forma que me valho para atrair o interesse de algum investidor-anjo será publicando casos focados em experiências fictícias de sucesso aqui neste veículo de comunicação. Se viabilizadores ou influentes forem atraídos até aqui e lerem as postagens, tenho a esperança de que sintam firmeza em mim, na minha capacidade argumentativa e conhecimento para realmente ter algo que preste para apresentar para avaliação.

Acompanhe os capítulos. Naturalmente, quem os acompanhar se inteirará do que é essa campanha de marketing para apresentar a Idéia a algum empreendedor. E, de quebra, poderá se inspirar com alguma das ideias coadjuvantes que serão ficcionadas nos capítulos. E, quem sabe, dar antes de mim o salto que desejo dar.

3 comentários em “A Idéia”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: