“Combater a violência acabando com os direitos humanos”, como assim?

Ainda tentando entender como os eleitores de Jair Bolsonaro entendem a mensagem dele, tentarei discorrer algo sobre o que ele expôs à imprensa hoje, 22 de outubro. Disse ele que é preciso combater a violência para que a economia cresça. Conexão total, vocês não acham? O cara é um expert.

E pra completar, o cara disse que é preciso acabar com os direitos humanos. Disse assim, sem qualquer restrição. Ou seja, se o humano tem direito à água, ele vai acabar com ela; se à moradia: idem. Parece até que Jair Bolsonaro e seus rebentos não são humanos – se me falarem que são reptilianos eu acredito, embora deva haver a classe dos burrilianos e eu acho que eles pertencem a ela. Ou então, o ditador vai tirar da reta da sua caça de direitos aqueles de seu interesse, como é comum em uma ditadura.

Levando pra parte filosófica, aquela em que Leandro Karnal deu uma patada no mito, se um sujeito é humano e se o direito que se quer acabar é inerente a um humano, então, não é da alçada de um presidente da república exterminar esse direito. Pra quem é cristão, eu imagino que Deus é que teria essa missão.

O que Bolsonaro quer na verdade, o que dá pra entender do que se passa na imensa cabeça de bagre dele, é definir ele mesmo o que é e o que não é direito humano. Por exemplo, conforme ele, criminoso não tem que ser julgado, não tem que ter seu crime indiscutivelmente atribuído a ele, com todas as provas – se bem que pro tirano se o cara for o Lula não precisa ter provas mesmo se o Coiso entendesse de Direito. Suspeito ou flagrado de crime, conforme Jair, não tem que ter setenciado anos de reclusão pra tentar recuperação e reintegração na sociedade. Pra ele, se o cara deu azar de entrar como suspeito em um crime, foi confundido com um assaltante por ser negro, índio ou nordestino, já era. Vira bandido mesmo não sendo e vai pro paredão de fuzilamento.

Tudo bem quanto aos zumbis que tiveram a mente lavada por Jair Bolsonaro- essa é que é a grande habilidade do infame – e vão votar no monstro aceitarem isso, sem medir que eles próprios podem estar numa suspeita de crime e que ele, Jair Bolsonaro, vai estar pouco se lixando pra eles, mas, convenhamos: no que isso reduz a violência, como o messias dessa gente prevê?

Quem for se policiar de jamais cometer ato violento – lembrando que bater em mulher é ato violento mas aqui não vale porque Jair Bolsonaro parece considerar isso um direito do homem (“h” minúsculo pra não ser confundido com “humano”) -, já faz isso sabendo que se cometer vai ter direito à julgamento, encarceramento, uns falam que pensão prisional, reintegração na sociedade. Ou seja (de novo): Esse cara, com a atual regalia, já evita o máximo fazer uso dela. Se existe mesmo essas regalias todas, quem evita cometer crimes não se interessa por elas ainda que fossem melhores.

E o cara que não teme cometer ato violento, não é a falta de regalia que vai impedí-lo, pois, o que o leva a cometer são problemas oriundos de forças maiores do que ele, como as psicopatias, a fome, o desemprego e outros fatores que levam a pessoa ao desespero e à pratica de violência até sem ter noção do que faz. É aí que a questão da violência tem que ser focada. O combate deve estar nesses escopos.

O mundo das drogas e a criminalidade gratuita, visando enriquecer – aqui entra até quem banca fakenews com caixa 2 de campanha política -, são os casos que faria jus a preocupação com a redução de regalias para criminosos – que não tem nada a ver com direitos humanos – para que essa moçada entre na linha.

Porém, nem que seja isentar das regalias os enquadrados em crimes de certos tipos, qual é a dificuldade de fazer uma política educativa e coercitiva que cerque o crescimento e a manutenção desses problemas que também só existem por causa da desigualdade social e da dificuldade de inclusão?

O drogado mantém o narcotráfico. Ele acaba colaborando com a violência porque ele vai roubar ou matar em função da droga. Mas, a camada do narcotráfico que tem contato com os drogados é formada por pessoas que não encontram nem estímulo e nem oportunidade para trabalhar decentemente e acabam indo parar onde elas são aceitas e sabem que vão poder arcar com seu sustento e dos seus, apesar dos pesares.

Se os dessa camada – os traficantes – encontram outra opção de trabalho, mesmo que informal, seus clientes e seus chefes não vão se encontrar. Ou seja: o produto não chegará ao consumidor. Podem até arrumar um jeito para um comprar do outro, mas, já se estaria resolvendo o problema eliminando a figura do traficante – sem dar um tiro – e dificultando o contato entre os donos dos negócios no narcotráfico.

Jair Bolsonaro não tem projeto pra gerar emprego que substitua essa opção de trabalho, por isso é que profere as máximas estultas que se vê por aí.

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