De onde vem a atual bajulação da imprensa corporativa à Jair Bolsonaro?

IMPRENSA VENDIDA

Desde o começo da campanha eleitoral para presidente da república, Jair Bolsonaro se manteve com a mesma postura arrogante dos momentos preliminares e o mesmo discurso que tornou-o popular. A imprensa corporativa ignorou sua capacidade de fazer frente ao candidato dela, Geraldo Alckmin.

Evoluiu-se o tempo e mesmo tendo subsídio midiático a preferência de votos por Alckmin não batia sequer a por Marina Silva. E, ainda por cima, os veículos de comunicação hegemônicos se viram obrigados a preocupar com o quadro eleitoral, que mostrava Jair Bolsonaro enfrentando Fernando Haddad no Segundo Turno.

Isso podia piorar e piorou: Jair Bolsonaro era apontado como vencedor já no Primeiro Turno. Para os canais de comunicação, tantos os radiotelevisivos quanto os de imprensa escrita não ter segundo turno era um desastre. Significava redução na audiência esperada e de venda de exemplares que o evento Eleição política proporciona se estendido ao máximo possível o tempo de exploração do assunto. Passaram, então, os veículos a promoverem o PT para que o público eleitor de Jair Bolsonaro dispersasse e isso forçasse o turno final.

Nesse momento, em discussões entre populares, sempre que um esquerdista ou simpatizante cirúrgico de Haddad esfregava na cara de um eleitor do Bolsonaro notícias veiculadas pelos principais órgãos de imprensa sobre o seu candidato, este dizia: “é tudo mentira, calúnia, coisa de esquerdista para derrubar o homem bom“. Ele duvidava da mesma imprensa que outrora caluniou o PT e pôs Lula na prisão. E as mesmas táticas de moldagem de opinião e de assassinato de reputação estavam a ser usadas. Ou seja: Para ele, quando é conveniente o que publica essa imprensa é verdade; quando não: é calúnia, matéria paga.

Ocorreu que Bolsonaro ganhou. E a imprensa corporativa, por enquanto exceto a Folha de São Paulo, retornou ao modo padrão: destruir a imagem da esquerda. E anda bajulando Jair Bolsonaro e seus ministros escolhidos até agora. Os bolsonaristas, nos mesmos momentos de discussão mencionados anteriormente neste texto, agora se sentem confortáveis com o que diz essa imprensa. E soltam coisas como “eu não te falei que eu estava certo no meu voto e no que eu falava sobre as notícias tanto de um lado quanto do outro“. Tudo voltou ao normal era o que se podia responder para estes.

Entretanto, junto com a bajulação a imprensa PIG se vê obrigada a noticiar as barbaridades que Bolsonaro vem proporcionando ao seu eleitor. Seu não-eleitor já esperava pelo menos impacto. Só não sabia que seria tanto.

A essas novas o bolsonarista prefere se iludir e manter posando de quem não está arrependido do voto e que está confiante de que o merecedor do seu voto sabe o que está fazendo. Até se iludem dizendo para si e para uma plateia que os históricos dos ministros escolhidos pelo futuro presidente não são os que se conhece. Se fizerem uma cirurgia midiática nesses históricos para se convencer a opinião pública, para ele “tá valendo“. O importante é a satisfação ser mantida, mesmo que falsamente. Os bolsonaristas negam até mesmo imagens indubitáveis em vídeo com esses protagonistas de escândalos dando razão ao que é informado sobre bastidores registrados em mídias menos convincentes.

Bem, como sempre meus textos ficam grandes, mas, eu queria discorrer apenas sobre a bajulação da Globo. Por que ela ocorre? O que vale para todos os outros mecanismos de imprensa corporativa que estiveram do lado de Fernando Haddad e agora cooperam com as barbaridades de Bolsonaro.

Bolsonaro mandou recado, logo que iniciou a campanha eleitoral do segundo turno, para a imprensa em geral. Falou em cortar verba pública se eleito, falou em perseguição à liberdade de publicação, falou em fechar veículos. E a Folha de São Paulo levou a público a denúncia sobre o Bolsolão (Caixa 2 bancando fakenews destrutivos de imagem dos concorrentes de Bolsonaro).

Se a Globo quisesse, a campanha de Bolsonaro morreria neste momento. Relembrando o que teria dito o Ricardo Teixeira quando das denúncias de seu envolvimento em um esquema de corrupção na FIFA: “se não apareceu no Jornal Nacional, não me preocupa“. Só que a Globo não o fez. Se fazia de opositora do ex-capitão do Exército concorrente à presidência da república, mas, se calou. Por quê?

O mais interpretativo é que a Globo teria visto vantagem na vitória do PSL em vez do PT e só dava vazão para o PT ganhar por causa das declarações que ameaçava sua existência dadas por Bolsonaro. E de repente, com uma carta na manga, teria chantageado o ainda candidato do PSL para não entrar no rol dos veículos de comunicação que exploravam o escândalo.

O que Bolsonaro teria cedido nesta pressão? Tudo com relação à verba pública e liberdade de imprensa para a Globo comunicações e alguma coisa no campo do agronegócio, que também é interesse dos Marinho. Daí se explica a bajulação toda da Globo e desfazimento de informações pró PT que os veículos de comunicação da organização haviam liberado para promover Haddad. Procedimentos cirúrgicos de imprensa que faz bolsonaristas acharem que sempre estiveram com a razão.

Estar com a razão assim é muito fácil. Difícil é admitir que isso é uma baita corrupção e quem a protagoniza é o eleito deles. Mais uma razão para eu me orgulhar do meu voto contra. Votei contra a corrupção!

Adquira o livro “Os meninos da Rua Albatroz“. Obrigado pela ajuda!

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