Vai ver é por isso que você pensa que o Lula é ladrão

ogloboenquadralula

Página de O Globo que sugere: Foi a imprensa que enquadrou Lula.

Passava eu em frente a um bar. Vários colegas, ou ex-colegas, que votaram em Jair Bolsonaro bebiam ocupando uma mesa. Um deles me viu e me chamou até eles. Não consegui evitar isso. Intuí que iriam querer cantar de galo pra cima de mim por causa da vitória do voto deles.

É que havia também na roda um coronel reformado. E sabendo do meu esquerdismo, veio debochando, torcendo os lábios e franzindo a testa, com a autêntica cara de cu, me perguntar o que eu penso sobre o Lula.

Para eles da roda, rejeitar Bolsonaro é sinònimo de ser petista e de ufanar Lula, não concordando com sua duvidosa condição de detento. O ex-presidente foi no passado o candidato de todos eles, mas, a configuração mental que eles estavam nela era de dever obrigação a alguém e sentir total desprezo por Lula.

Eu sabia que uma resposta pura e simples daria início a uma discussão longa, com rebates nevrálgicos e inconsistentes ao que eu falasse, tendo eu que suportar insultos e até correr o risco de sofrer alguma agressão, fora lidar com teimosia e tentativa de imposiçao de opinião.

Perguntei para o sujeito: “Você sabe o que é um vendedor de opinião”. E já fui logo respondendo: “É uma modalidade de renda e eu estou nela”. “Se quiser saber minha opinião terá que me pagar vinte reais”, completei.

O homem, imaginando que eu estivesse subestimando seu bolso e muito afim de me massacrar em público, me fazer virar motivo de risos para todos no local, me humilhar, disse em resposta que pagaria a proposta. Mexeu na carteira e me apresentou a ninharia.

Com a nota na mão, dei a ele a opinião que ele queria conhecer: “Lula pra mim é o melhor presidente que este país já teve”.

Riram todos e depois fizeram silêncio imaginando que eu fosse dizer mais. Coloquei a nota no bolso e já ia sartando de banda.

O indivíduo me impediu com um “péra aí”. “Só isso, não vai dizer mais nada”, completou.

“Já dei minha opinião”. Falei. “Ué, eu quero entender por que você pensa isso… Eu discordo de você”. Interpelou.

“Bem, aí você tá querendo discutir minha opinião; São mais quarenta”.

Invocado da vida e achando que tinha que prestar contas de sua fama de gente abastada de dinheiro e que não sai por baixo em uma pendenga, me passou os quarenta e ouviu-me explicar os feitos de Lula, que ele conhecia muito bem, fazer comparações com outros governos e citar personalidades, órgãos e institutos do mundo inteiro que oferecem estudos dignos que comprovam o que eu disse. Fechei minha parte.

Mas, não foi suficiente pra ele. Se virou pra mim jogando pro alto as palmas das mãos e vociferou: “E sobre Lula ser ladrão, a roubalheira que ele e o PT fizeram nos cofres públicos, sobre isso você não fala nada”.

E eu: “Essa é a opinião que outro te vendeu. Eu só discuto as que eu vendo”. E fui embora gastar em outro bar os sessenta reais que ganhei.

Obrigado, Lula, por tudo que você me fez e mais esses sessenta contos!

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