Vivendo num país sem férias para o trabalhador

A política trabalhista que Bolsonaro sugere implantar continuará a que Michel Temer começou, ocasionando a transição para o modelo empregado nos Estados Unidos.

Sair do atual modelo socialista, com benefícios sociais em forma de salário indireto, e entrar no liberal econômico é o que se pretenderia.

Em vez do trabalhador receber do Estado alguns serviços e com isso amenizar seus gastos e liberar sua remuneração mensal para outros pagamentos, ele pagará por tudo o que diz respeito ao seu consumo e ao dos seus.

Um salário compatível com esse quadro é mais do que fundamental ele ganhar para que o liberalismo funcione. E em salário o Paulo Guedes, nomeado futuro responsável pela pasta do trabalho, não fala!

Deixando esta questão para discorrer em outra postagem, vamos falar sobre férias e feriados. A ideia por trás da implantação desse modelo é acabar com os períodos de ócio remunerado, com excessão do descanso semanal, para aliviar a conta para o empregador. O empregador quer pagar apenas pelo que o trabalhador trabalhar. E quer também ter seu posto de trabalho sempre produzindo.

O general Mourão criticou o Décimo Terceiro e o Abono de Férias publicamente, mas, ainda não se falou da migração total do processo de férias do trabalhador para o modelo norte-americano. Mas, expliquemos como é o tal e como seria se o Brasil adotar.

Nos Estados Unidos as férias são assim: O trabalhador faz um pé-de-meia e quando estiver cansado, precisando descansar, ele solicita um prazo de descanso ao seu contratador e com esse pé-de-meia ele faz a festa. Detalhe: somente o funcionário público tem férias pagas. É uma dedução lógica, já que é o Estado que o paga.

Porém, essa mecânica pode significar perda do emprego. O que acontece na prática não é uma licença pra ficar à toa alguns dias, que por lá não chegam a 15. É entendido como um pedido de dispensa da função. Ao final do prazo que o trabalhador decidiu descansar ele retorna ao patrão para recontratá-lo. E este só vai fazê-lo se já não estiver alguém ocupando não inteirinamente o cargo.

Os bons funcionários, que as empresas não gostariam de perder nem “à pau”, podem se dar o luxo de ter seu período de licença entendido como férias do tipo do Brasil ou da Austrália. Não contando o salário mais 33% pagos pelo patrão obviamente. Quando retornar ele continua de onde parou e o ocupante provisório, o ferista, solicitado a um sindicato provavelmente pelo empregador, se retira.

Vira e mexe parlamentares no congresso norte-americano brigam para mudar esse modelo. Eles alegam que muitas pessoas deixam de tirar pausas para descansos com medo de ficarem desempregadas por muito tempo. Acabam adoecendo e dando prejuízo de bilhões à economia do país.

O Brasil é um país onde muitos negócios dependem do consumo que geram férias, feriados e outros momentos de ócio dos trabalhadores. Há negócios que existem exatamente para aproveitar essas situações. Estes fadariam-se à falência com a implantação dessa mudança brusca no costume do povo. O prejuízo que a economia e a empregabilidade – já que esses estabelecimentos também empregam – brasileiras teriam seria maior por não se centrar apenas no campo da saúde. O consumo do trabalhador em folga, principalmente estando em turismo, é comprometido.

É claro que é possível esses estabelecimentos continuarem a poder gozar do empreendimento, embora com perspectiva reduzida, com o empregado das outras empresas tendo juntado dinheiro e decidido descansar um período ou fazer viagens.

Entra em cena, entretanto, no caso do Brasil, a questão do costume de poupar, que não é assíduo e ainda pode sofrer facilmente emergências de saques a poupança, e a de se sentir seguro quanto ao seu emprego na hora de voltar do ócio alongado. A equipe econômica que sugere fazer esta mudança não explica como vai ser esse modelo e não dá nenhuma garantia quanto ao que já disse, só entra em divagações ou provoca o público com sua “maquiavelia”.

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