Sai ‘mais médicos’ entra ‘mais demagogia’

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Bolsonaro não tinha como errar e não ser o presidente da república. O grau de fingimento e demagogia dele supera qualquer capacidade de defesa do eleitor médio brasileiro de se comportar diferente do esperado por ele.

Depois de escurraçar os médicos cubanos do programa Mais médicos e ver que tal atitude lhe facultou um arranhão próprio de virar uma úlcera em sua popularidade, ele se apresentou em público para usar as mesmas armas que usou em campanha e sair da situação que ameaça o posto que ele conferiu de modo bastante anormal.

Primeiro ele usa a tática de mencionar algo que não está acontecendo e se mostra bastante repudiado com a situação. É o caso de dizer que a condição dos médicos cubanos é de total analogia com o trabalho escravo. Daí, ele se mostra revoltado com isso e se prontifica, altruisticamente, a resolvê-lo.

Até o cubano é capaz de carregá-lo no colo com essa. Bolsonaro deve ter elevado ao triplo a situação desses médicos e dizer que eles deveriam estar no quadro estipulado por ele e não no que estão. Algo como dizer para um jogador de futebol recém chegado da base de juniores ao banco de reserva que ele já deveria estar atuando na Europa ao lado do Neymar.

Depois ele sugere que os médicos cubanos estão no Brasil refugiados e que esse panorama só seria possível para eles se aceitassem cuidar de moribundos em áreas sem assistência médica no Brasil. E ainda vai longe na sua demagogia: “aquele que quiser eu ofereço asilo político”. Querendo com isso convencer de que o governo cubano convoca de volta os médicos sem que estes tenham outra alternativa.

O governo de Cuba convoca de volta os profissionais que de lá vieram prestar serviços no Brasil por causa das ameaças e depreciações feitas por Bolsonaro aos profissionais migrantes. Por que aceitariam a condição de exilados políticos esses médicos se não há nenhum argumento de perseguição a eles dentro de seu próprio país? Será que eles cometeram um crime por lá tendo vindo trabalhar aqui a mando de seu governo?

Não bastando essas insandices, Bolsonaro garante para a população que o programa Mais médicos não vai acabar. Com isso ele acalma os que já iam se amotinar dentre seus próprios eleitores. Frisando, entretanto, que os médicos cubanos serão substituídos por brasileiros e estrangeiros. Podemos imaginar que esses estrangeiros têm o inglês como língua original e vêm da América do Norte.

Pode até ser que ele não mude o nome do programa, mas, o formato: vai saber! Eu acredito que a conta que Eduardo Cunha tinha para saldar com seu financiador de campanha – hum… Saúde Bradesco? – e que não ficou paga durante o tempo em que o ex-líder da Câmara dos deputados esteve dando as cartas no Congresso, substituir a cobrança do INSS nos holerites pelo pagamento de um plano de saúde privado, tenha a ver com o novo formato. Lembremos que são políticos farinha do mesmo saco.

A reportagem que inspirou a postagem é do site DW. Acesse!

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