Nem os heróis de Cazuza morreram de overdose

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IMAGEM: Movimento Diretas Já!

Meus heróis não morreram de overdose”. Disse o General Mourão na Globo em setembro de 2018. Quem tem estômago para assistir qualquer coisa da megera emissora de televisão informa que houve muita apologia ao facismo e à violência em tal entrevista jornalística.

O militar descaradamente fazia uma crítica à música “Ideologia” do falecido cantor Cazuza. Subentende-se que aqueles que criticavam a candidatura de Jair Bolsonaro, da qual Hamilton Mourão era o vice, idolatravam seres que estouraram na mídia como formadores de opinião, principalmente do tipo que Mourão abomina, e que associavam suas razões ao vazio e fútil mundo das drogas. Demonstrado isso, gente como o Mourão seria de melhor estirpe por idolatrar pessoas supostamente portadoras de ideais mais nobres, mais necessários à vida e à sociedade e que podem levar a raça humana a um avanço.

Há, no entanto, vários equívocos no que Mourão quis dizer e principalmente em sua interpretação da frase de Cazuza.

“Morrer de overdose” qualquer pessoa está predisposta a morrer. Quem bebe água além do que comporta seu corpo pode morrer de overdose de água. Qual a falta de hombridade em se morrer de tanto beber água?

Na letra da música esta frase está solta, sem nada a limitando ao submundo das drogas. Se você quiser entendê-la por meio de conotação sexual – overdose de sexo, por exemplo –, a interpretação é toda sua. Na sua mente é você quem manda!

Penso que para se concluir o sentido que Cazuza quis dar é necessário analisar a letra da música por um todo. A começar pelo título “ideologia”, passando pelo que após esta palavra vem no refrão: “eu quero uma pra viver”.

Cazuza poderia não estar falando de si, mas, da geração vigente no momento em que esta letra foi criada, 1988. Cujos filhos chegaram aos trinta anos de idade neste ano em que Jair Bolsonaro concorreu e venceu a eleição presidencial. Com toda certeza, o ex-capitão do Exército contou com voto em peso desta moçada.

Aquela geração estava perdida em incertezas. Tinha a democracia, um brinquedo novo, toda à sua disposição. E não sabia o que fazer com ela. Não sabia por onde começar a viver a Revolução proporcionada por seus pais. Achou que democracia era sinônimo de “tudo pode” e se rendeu ao mais persuasivo: o consumo de drogas.

E hoje, o que se nota nas ruas é o reflexo daquela geração. O monstro que tomou forma, agigantou e criou independência. O filho fuma maconha com o pai; a mãe abandona seu bebê por causa do crack ou da cocaína. Tudo isso por falta de uma ideologia. A falta de alguém que mostra um caminho melhor. Que com certeza não é colocar em sua mão uma arma.

O Brasil redemocratizou, mas, não cuidaram de dar suporte ideológico para o povo. Era disso que falava Cazuza, se colocando como um daqueles entes, mesmo não sendo um deles, pois o artista tinha um potencial ideológico muito forte.

E usando de sua credibilidade junto ao público, tentou dizer pra ele que estavam indo para o lado errado. Criticava seus hábitos e seus ícones, gente que se matou de tanto se drogar. E a eleição de Fernando Collor de Mello provou que Cazuza estava certo.

Hoje se repete os mesmos erros. Mas não porque não houve quem instruisse o povo a votar melhor ou a se comportar melhor. Sim porque a hipocrisia fala mais alto. A hipocrisia da mídia, das escolas, das igrejas e principalmente dos políticos. O mesmo sujeito que diz que seu herói morreu crucificado coloca no poder seus amigos, todos antagônicos à doutrina cristã quando pregam a violência, a tortura, o racismo, a homofobia, a xenofobia. Todos envolvidos com a corrupção.

Então, Mourão, só posso parafrasear Cazuza para lhe pedir que “Mostre a sua cara, pois, eu quero ver quem paga pra gente ficar assim”. Eu sei que você sabe.

Leia o livro “Os meninos da Rua Albatroz“.

2 comentários em “Nem os heróis de Cazuza morreram de overdose”

  1. O seu raciocínio estava indo bem, mas você derramou, quem em sã consciência prega tortura, violência, racismo xenofobia e homofobia, o racismo não é pregado no Brasil e nunca foi, a prova disso é a miscigenação e não há segregação em bairros por cor, o que há é uma segregação socioeconômica demonstrado em favelas, condomínios de luxo, periferias e bairros de classes, a cor da pele demonstra se o branco é sofrido e exposto ao sol, isso é histórico de um país que nunca foi nação, que não se vê como iguais, sempre em guerra por posição social, ideologia ou superioridade intelectual, nunca o Brasil de brasileiros, como iguais.
    Dizer que a xenofobia é recorrente no Brasil é com certeza não conhece-lo, somos um país de mistura racial e ainda entrar em nosso território é sem obstáculos, se olhar para São Paulo, o motor da nação, verá que onde se olhar verá um chinês, um boliviano, um africano e esse povo humilde convive pacificamente, da mesma maneira são ao gays, interagem com naturalidade com a sociedade, a diferença pelo contrário é o absurdo de empurrarem em nossa goela á baixo que o seu comportamento deve ser considerado como uma virtude, indo contra alguns valores que muitas pessoas vão contra, isso é uma questão de democracia, sem mencionar que você acusa todos de corrupção sem ver uma frase do cazuza que a minha preferida:” A sua verdade não corresponde aos fatos”, vemos que a esquerda em todo o planeta perdeu espaço justamente devido a corrupção.

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    1. Primeiramente, obrigado pelo comentário! Não consegui definir qual a sua lateral ideológica política, mas, me parece que é a direita. Não discordo em nada do que você comentou, mas, acho que você não entendeu o contexto da crítica inserida na postagem. Apenas a dissertação para amparar a crítica. Se você é simpatizante dos militares – ou do Mourão -, informo que não tenho nenhuma antipatia por nenhum deles. Só gostaria que em suas ações eles fossem mais autênticos e ligados às suas ideias e utilizassem menos como trampolim para ascensão na mídia – ou de repente projeto de vingança contra seus alvos – caricaturas, frases e trabalhos de artistas ou outros ícones vinculados, nem sempre com a condescendência deles, à esquerda. Isto é demagogia que afeta quem conhece os problemas do Brasil, como eu conheço, apesar de você por conta própria dizer que não, e quer apoiar o esforço necessário para consertá-los. Esforços que eu sei que obrigam a destruição do pensamento, denominado por arbitrariedade esquerdista, propagado e aceito. Pensamento e atitudes que possuem, até mesmo sem se reconhecer, as diversas camadas da sociedade, incluindo os apoiadores de Jair Bolsonaro. Quanto aos demais assuntos que você aborda, é difícil discutí-los de forma vinculada à esta postagem, pois, deve-se os abordar individualmente, principalmente quanto ao que você classifica como incoerência ou falta de informação à respeito da violência ou da xenofobia existente no Brasil, supostamente declarados no texto, o que não procede. Cada um de nós, habitante do Brasil, e de acordo com a região onde vive, a maior parte do Brasil se assemelha entre si e se difere bastante de São Paulo, tem uma impressão e opinião distinta. A que você tece é a arbitrada pela mídia hegemônica e que é totalmente incondizente com o que pensa o brasileiro quando conhecido de perto, tet-a-tet, incluindo o paulistano, seu pensamento.

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