Contribua para que o seu inimigo cometa os erros que ele quer que você cometa

Esta postagem, porque me sinto apressado para expor a opinião que é tecida nela, também está sendo antecipada. Logo publicarei a segunda parte da série “A necessária trajetória do brasileiro até o fascismo”, cuja primeira parte foi muito acessada.

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Desde a campanha eleitoral vemos Bolsonaro se ancorar em táticas de manipulação de opinião. No primeiro momento, essas táticas eram usadas para que ele conseguisse se eleger. Agora, parece que seu governo depende de enganar ou distrair o público para que suas medidas sejam implantadas.

Primeiramente, quero expor uma visão própria sobre o trabalho das imprensas. A corporativa, que é a hegemônica ou a que mais aparece, noticia de acordo com sua demanda. Ela é paga para noticiar. E a alternativa, também chamada de imprensa livre, busca sua visibilidade, que lhe gera receita com base principalmente na doação feita por leitores, oriunda da natureza de militância amiga que ela ostenta, se opondo ao que é noticiado pela outra, sabendo ela que é o que aqueles que a contratam querem que o povo pense e repercuta.

Para continuar a dissertação, crio aqui uma convenção para ficar fácil de entender as personagens envolvidas nessa trama. Simpatizado é aquele com quem um grupo receptor de informações simpatiza. E antipatizado é o oposto, é aquele a quem esse grupo combate, repele, quer ver sair do caminho. O primeiro é o mocinho e o segundo é o vilão.

E lembro que o complexo empresarial brasileiro, limitando às grandes corporações de toda sorte, seus proprietários comungam na mesma fraternidade e que dentro desta fraternidade eles tomam as decisões de como cada um vai proceder dentro de seu mercado e qual papel irá cumprir quando um teatro tiver que ser armado para que ações de contorno de crises ou nomeações para cargos públicos tiverem que ser desferidas contra a sociedade. Os donos dos grandes veículos de comunicação também são membros dessa sociedade restrita, que também agrega políticos e militares.

Esses que contratam a grande imprensa para fazer trabalho de moldagem de opinião é que são o foco dos jornalistas independentes. O ataque destes aos veículos hegemônicos de comunicação é chamado de ataque indireto, pois, quem eles querem atacar, os contratantes das informações despejadas pelos hegemônicos, não aparecem, se mantêm invisíveis por trás da cortina com a qual essa imprensa lhes cobrem.

É importante também verificar que tem hora que a grande imprensa – ou noticiadores de direita – publica conteúdos que interessam à oposição de seus clientes. Parece até que os veículos estão do lado dela, fazendo denúncias contra seu cliente. Vimos muito disso durante a campanha eleitoral, quando, por exemplo, a Globo se fazia de combatente da candidatura de Jair Bolsonaro. Mas, é bom não cair nesta, pois, não passa de estratégia que favorece os combatidos.

Essa estratégia estranha pode ter vários objetivos. Se fazer parecer do lado do oprimido é se infiltrar no meio dele. É se fazer de amigo e conquistar sua adesão. Dar o que uma pessoa gostaria de receber é tudo que se precisa operar para cooptá-la, trazê-la para o seu lado, colocá-la sobre o seu comando. Ter toda condição de discipliná-la e aos poucos fazê-la mudar de ideia quanto a um ponto de vista.

Tal mudança se faz oferecendo aos cooptados notícias falsas ou duvidosas sobre o simpatizado ou sobre o antipatizado, que proporcionam ao receptor reflexões que podem, sutilmente, sem que ele perceba, fazê-lo mudar de opinião.

Na minha opinião, até a Folha de São Paulo se fazer de perseguida pelas equipes de Bolsonaro é suspeito. Pode ser que seja típico da jogada mencionada. O atual presidente da república pode ter sido instruído a eleger dentre os irmãos de fraternidade um órgão forte de imprensa como adversário para com isso facilitar a implantação de seus interesses. A Folha seria quem joga iscas no aquário onde se encontram pescadores que querem pescar seu cliente. Iscas que ela sabe que ele facilmente consegue escapar delas. Muitas vezes, material que ela recebe dele para publicar.

Alguns dos interesses possíveis de terem facilitada a implantação com os golpes midiáticos são espúrios. Logo, se o público receber a notícia de um órgão jornalístico tido como oficial e de grande credibilidade devido à sua história e preferir confiar nos demais com a mesma atribuição, que se mantiveram na neutralidade ou a omitir a informação prestada pelo suposto companheiro desagregado, o governo não teria mentido ou enganado o público não tendo prestado a informação da medida que teria adotado. Teoricamente teria apenas deixado a imprensa mais acessada do que o diário oficial à vontade para noticiar e o público teria tomado sua decisão de modo totalmente voluntário.

Os outros órgãos jornalísticos se mantendo na neutralidade de opinião ou omitindo o que o órgão marginalizado ou em perseguição informa é uma excelente tática para colocar como duvidosa uma informação oficial. Sem se correr o risco de perder a credibilidade de seu conteúdo para com o público os que praticam essa imparcialidade gerida e sem atrapalhar os planos do cliente, no caso o governo.

Discorrido, então, sobre o comportamento duvidoso dos organismos de comunicação e sobre a fragilidade da integridade das notícias que são nos impostas, vou discorrer sobre os objetivos das informações que nos chegam.

Já mencionei que ora intencionam desinformar – prestar informação falsa, sofismática – e com isso induzir o público a cometer erros úteis e ora intencionam desviar a atenção para que assuntos importantes passem despercebidos ou, quando é necessário que a informação seja conhecida e aderida, sejam passados no limiar da percepção.

Um exemplo de indução ao erro útil: O grupo contratador prepara ataques em uma localidade – reais ou não e com vítimas verdadeiras ou não – e a imprensa joga holofote em demasia no caso, deixando a população em pânico, sujeita a aceitar qualquer proposição de medida que a devolva a sensação de tranquilidade.

No caso dos ataques ocorridos no Ceará nessa primeira semana do ano de 2019, uma sugestão que o grupo controlador daria seria intervenção militar no Estado ou na cidade específica. Poderia também o grupo sugerir medida mais federal, como a aprovação da Lei Antiterrorismo, que tira as liberdades individuais das pessoas e autorizam o Estado a entrar onde bem entender, sem a necessidade de mandatos, ou prender quem quer que seja, não necessitando sequer se tratar de alguém suspeito.

Outro exemplo desse tópico, mas que também serve para distrair o público, é o Caso Queiroz, o motorista dos Bolsonaro que teria efetuado depósitos supostamente indevidos na conta corrente de Michelle Bolsonaro, a esposa do presidente da república.

O Caso Queiroz segue com a imprensa – todas elas – botando lenha para que todos os interessados na queda do presidente repercutam as supostas evidências de corrupção. É tudo muito mastigadinho, facílimo de deglutir, mas, a distância que mantém o Judiciário do caso não dá segurança nenhuma de que o que informa a imprensa é íntegro. A acusação de isso se dever à arrendamento do poder é facilmente combatida com o argumento de não existir registro de inquérito ou elementos jurídicos suficientes para se iniciar um processo. Quem vai fazer esse registro com base em notícia de imprensa? Quem vai fornecer esses elementos?

Os militantes de Bolsonaro, orientados pelo marketing dele, andaram espalhando para todas as imprensas, incluindo a Globo, fatos falsos que atacavam o presidente e seus auxiliares ou familiares e depois eles próprios desmentiram esses fatos, levando o público a desencorajar-se de acreditar na imprensa sob a alegação de conspiracionismo de oposição. O objetivo era exatamente este. Só que é ser ingênuo demais achar que a Globo cairia nessa jogada antiga e propagaria os fakes, senão por condescendência – acordo, melhor dizendo.

Quando chegar o momento, Queiroz vai aparecer e tudo será contundentemente explicado, Bolsonaro se fará de vítima, associará a propagação de fakenews às esquerdas, atacará o uso de tática de marxismo cultural para iludir o público, pedirá para que as pessoas não deem atenção para a mídia e procurem ajudá-lo a consertar o país, que é o que interessa a todos. E todos que aparecem como personagens nessa história sairão ilesos e com seus objetivos alcançados.

Outros possíveis fakes ou esquetes – esquete é quando se trata de um cenão ou uma gafe que repercute, por exemplo, como as cometidas por Damares Alves em seu discurso de posse – que vêm se propagando e distraindo a atenção das pessoas do movimento no Congresso são: A prisão do João de Deus; o suposto descontentamento de Bolsonaro com seu ministro da economia; a suposta censura ao Coaf.

Informações que a imprensa corporativa quer que passe no limiar da percepção são enterradas, dadas quase no rodapé, nas páginas dos jornais ou são exibidas sem busca de emoção do telespectador, em blocos intercalados entre dois com característica inversa (cheios de sensacionalismo), nos noticiários do rádio e da televisão.

Já o que querem que vire crença e repercuta recebe tratamento de notícia de capa. É tratado como matéria especial e incondicionalmente arrancam alterações emocionais de quem se expõe a ela. De acordo com o que for repercutido serve de feedback e o noticiador do fato deixa claro para o seu cliente seu poder de alcance.

Portanto, conforme este texto, desconfie sempre do que ganha destaque demais e vira febre na mídia, geralmente de indignação. Indignar o público é tática para viabilizar intenções. Proceder de modo contrário é se transformar em massa de manobra, ou seja, contribuinte da cúpula, que trabalha de graça e que às vezes atira no próprio pé.

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