A necessária trajetória do brasileiro até o fascismo – Pt. 2

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IMAGEM: Metropoles

Se procurarmos entender porque o brasileiro elegeu Jair Bolsonaro vamos concluir que o eleitor estava cansado de colocar na presidência da república políticos e partidos veteranos e estes serem envolvidos em escândalos.

O eleitor não é capaz de saber se procedem os escândalos e supostas roubalheiras com que seus candidatos são tecidos, mas, sabe que cansa ver a imprensa noticiar exaustivamente, supostamente apresentando material comprobatório do que acusa, os fatos que o levam a se encher de dúvida e a sofrer com sentimentos destrutivos como a frustração, a indignação e a cólera.

A imprensa é paga é para fazer isso mesmo. Criar ambiente para enganar seu espectador e obter dele o resultado exigido por um contratador. Quem a paga é que é o grande interessado que o eleitor colabore não mais elegendo quem ele anda elegendo e procure dar seu voto para outro candidato ou senão abster-se de votar.

É esse contratador que quer tirar do caminho quem estiver no poder e não o eleitor. E o motivo de ele querer isso não é exatamente o mesmo com o qual ele induz a massa a rejeitar políticos e partidos.

Às vezes, a trama não sai bem sucedida. Ultimamente, o público não tem confiado nos veículos de comunicação como já foi outrora. Então, os conspiradores forjam situações nefastas na realidade coletiva e associam essas situações aos seus adversários.

Eles inventam crises econômicas, alta de inflação, operações judiciais, caos social, aumento de violência, aumento de desemprego, rebeliões de toda sorte.

Sentindo na pele, vendo com os próprios olhos os problemas alegados, não tem como a didática não funcionar com quem quer que seja. A experiência é a melhor instrutora.

A coisa pode complexar ainda mais. O próprio adversário pode estar concubinado com a conspiração. Pode ele ou eles muito bem fazer parte dela. Apenas se faz de vítima e de resistência para que a massa não perceba a conexão.

Quando esse conluio contra a opinião pública acontece, a eleição pode ser forjada, caso não saia tudo conforme o plano. Se de-repente nas pesquisas a preferência de voto favorecer o candidato que deve ser derrubado, entra em ação a manipulação das urnas ou da contagem de voto.

Quem tem acesso a esse material e aos registros são pessoas que podem muito bem estar comprometidas com o esquema. O eleitor só sabe de seu próprio voto. Ele até estranha quando faz sua pesquisa particular com as pessoas que conhece e verifica no cômputo das respostas que quem deveria ganhar não é o que ganhou.

Quando a trama é bem armada, esses questionamentos não perturbam a conspiração. O ambiente de aversão ao partido ou político injustiçado e de suposto desejo de mudança proferido pela população serve como álibi até mesmo para os próprios questionadores se convencerem de que sua pesquisa particular está errada.

Só que nessa última eleição presidencial a manobra citada não funcionaria a contento se Lula tivesse concorrido. Por essa razão é que supostamente o colocaram numa prisão. E supostamente com o seu consentimento.

Seu substituto na eleição, Fernando Haddad, e a vice dele, Manoela D’ávila, em diversos momentos de suas campanhas eleitorais demonstraram fragilidades para disputar. Como se quisessem sutilmente se autossabotar.

Na minha opinião, não deveria sequer ter acontecido o Segundo Turno. A conspiração teria achado melhor que tivesse. Daria muito na cara se não tivesse? Conforme minha especulação eu creio que não seja esta a conclusão.

Jair Bolsonaro fez até mais do que a dupla do PT para que o eleitor não o elegesse. Não apresentou em público proposta alguma, permitiu que se levantasse vários factóides que manchavam sua imagem, não foi aos debates, sofreu várias acusações de concorrência irregular. Desde o atentado duvidoso que protagonizou até o emprego de fakenews.

Questões que inclusive dão margem para se suspeitar de haver conspiração, uma vez que o TSE apareceu como aliado do PSL não as apurando judicialmente e a grande mídia se negando a por em ação o contundente jornalismo investigativo que lhe é peculiar quando o interesse no caso tem bom valor-notícia.

A atitude da imprensa corporativa na investigação do caso da morte do jogador de futebol Daniel e agora na perseguição ao João de Deus mostra o quão desinteressados estavam em tirar a dúvida do eleitor quanto a pelo menos o episódio do atentado à faca. O mock “A facada no mito”, que circulou pela internet, deixa claro, pelo menos, que o agressor de Bolsonaro não agiu sozinho. Conclusão contrária chegou a polícia em questão de horas.

A campanha de Jair Bolsonaro pareceu que havia medidas duras demais para ele aplicar em sua gestão se eleito. Medidas que o povo não aprovaria se informadas antecipadamente. E que queriam ter certeza de que se o público o escolhesse perderia o direito de reclamar de qualquer implantação ou corte que adviesse em seu governo. Era a expressão legítima do bordão “é melhor Jair acostumando” pronunciado e escrito fartamente pelos simpatizantes da candidatura do PSL.

Bem, hoje já sabemos que medidas eram essas. E realmente, a maioria dos que elegeram Jair Bolsonaro não o faria se as conhecesse com antecipação. Em resumo, tudo aquilo que o PT proporcionou ao povo em seus mandatos será perdido. E mais a mudança na forma do país lidar com a economia e com o trabalho. Ruptura total com o que se acostumou o trabalhador desde os tempos do Estado Novo de Getúlio Vargas.

E nada disso ocorrendo por vaidade do governo e sim para socorrer a nação. À manter a política que vinham adotando os governos anteriores, não só o petista, o Brasil quebraria economicamente sem que tenha havido qualquer fato real de corrupção e roubalheira.

A tática embrenhada para se atingir o objetivo, conforme essa ilustração especulativa de minha autoria, é própria do fascismo. E foi usada para o bem. É verdade que o fascismo é fascinante e deixa a gente ignorante e fascinada. E também que é mais fácil ir adiante e esquecer que a coisa toda tá errada.

Do contrário o PT perduraria no posto e seria o partido o responsável por cumprir o papel que Bolsonaro e suas equipes junto ao STF terão que cumprir. E isso não funcionaria tão bem quanto se espera de funcionar com o governo implantado, pois, a quebra de identidade a que se sujeitaria o PT geraria crise social seguida de instabilidade governamental.

O povo se sentiria traído e predisporia a dar total crédito à corrupção atribuída ao PT. Uma onda de insegurança tomaria conta das cidades. Os ataques que temos visto noticiarem acontecer no Ceará ocorreriam por todo o país. E sem resquício de suspeitas de não serem naturais.

Por pressão popular a Operação Lavajato não pararia e prováveis imposições de verdades cometidas pelos juristas seriam descobertas. Cabeças iriam parar real e devidamente na cadeia por motivo de falsidade ideológica. Nada do que está mal contado escapará de ter prestado pela imprensa, sem truques, a informação correta.

Na próxima postagem novas especulações acusarão de ser esse panorama um plano de esquerda. A extrema-direita implantada no Brasil e no mundo seria só uma fachada para se chegar as coisas no eixo. O liberalismo econômico a advir não seria apenas uma ferramenta para salvar o capitalismo. Seria também uma última tentativa para que os conservadores não tenham que se sucumbir ao comunismo já neste final de década. O comunismo é um caminho inevitável.

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