Tragédia de Brumadinho: Nada melhor para salvar Flávio Bolsonaro?

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IMAGEM: Él País

Eram por volta de 13:30 quando uma amiga me mostrou no celular dela, com ar de exclusividade, imagens do socorro à vítimas do rompimento da barragem de Fundão. A TV ligada no pátio onde eu ocupava ao lado da amiga um dos bancos, ligada na TV Globo, não informava nada. Mas, foi só eu entrar para dentro do galpão por ter findado meu horário de almoço e o Whatsapp avisou para toda a galera, que mesmo sendo proibido utilizar celular na operação se amontoava aos grupinhos nos postos de trabalho, que era para ficar antenado pois nas vizinhanças uma tragédia acontecera.

O local onde ocorreu o desastre era bem próximo de nós. Pode até ser que por alguns dias tenhamos que sofrer com racionamento de água potável. Alguns de nós, que moram nas imediações do local catastrófico, haveriam de ter problemas com a locomoção de carros e ônibus para ir embora depois do expediente.

Rapidinho, uma senhora contaminou a todos com sua observação que legava a culpa pela tragédia ao governo Bolsonaro. Esta mesma senhora, na parte da manhã expunha sua indignação com o caso de corrupção envolvendo Flávio Bolsonaro, o filho do presidente da república. Ela achava que o novo governo será o pior de todos os tempos e que só acontecerá coisa ruim. À ela foi perguntado “quem é o mais corrupto: o filho do Lula ou o do Bolsonaro”. E ela respondeu irresoluta: os dois.

A tragédia da Samarco, em Mariana, também Minas Gerais, aconteceu há quase três anos. Na presidência estava Michel Temer. O governo atual é só uma extensão deste outro. Daí, fica muito difícil a gente não suspeitar de conspiração. De ter sido criminosa a fatalidade. Mas como? E por quê? Se pelo menos a Vale ainda fosse estatal dava pra saber que rolava uma operação fraudulenta visando privatização.

Bem, sabem que eu adoro inventar relação entre os fatos e os factóides que a grande mídia noticia. Então, no meio dos operários eu arranquei alguns risos. “Bolsonaro disse que precisam morrer 30 mil brasileiros e mais o FHC, não foi”, “Bolsonaro temia um ataque terrorista, só não contava que usariam armas climáticas”, “estão dizendo que petralhas sabotaram a represa para vincular a culpa e inibir a adesão ao governo Bolsonaro”, “Bolsonaro disse que queria acabar com o Ibama por causa da multa que levou por pesca ilegal, então, o Ibama respondeu arrumando uma tragédia ambiental para o presidente perceber a importância do órgão de defesa do meio-ambiente”.

Ah, e veio mais, afinal, minha mente é fértil para baboseiras. Não é pouca bosta não! Cheguei a articular um motivo que colocaria a bancada ruralista na roda. “Mais terra para plantar e menos para minerar”. Se bem que, conforme o Jornal GGN, há um surto econômico no campo da mineração. O preço do minério estaria em alta e as mineradoras têm pressionado os governos para obterem licenças para a ampliação das atividades no setor. Operando de forma predatória, totalmente irresponsável para aproveitar a safra.

Seguindo o que noticiou o El País, o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse que a barragem que rompeu estava desativada há três anos. E ainda deixou todos nós espantados com a sua explanação: “Nós não sabemos o que aconteceu”. Putz! Imagine nós que estamos tão distantes da administração das minas e sujeitos ao cotidiano delas! Que se for nefasto pagamos o preço. Enquanto eles não pagam nem se todas as evidências os responsabilizarem.

Bem, pode ser que outros soubessem que a mina estava desativada. E de maneira a pagar um preço bem baixinho pela área afetada tivessem providenciado uma hecatombe de leve. Podia ser que um governo integralista visse a área como uma rota entre a produção realizada em um ponto do Brasil e o escoamento em outro.

O Ministério da Agricultura liberou o uso de agrotóxicos proibidos nos Estados Unidos e na União Européia. Talvez o presidente tóxico não estivesse satisfeito com o envenenamento dos grãos e começa por Minas o envenenamento da água potável.

Só que um trem tombou na lama. E conforme a Agência Brasil: “O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, anunciou em um vídeo publicado nas redes sociais do ministério, que o governo planeja lançar três novas concessões de ferrovias até o início de 2020, num ‘programa ambicioso, mas possível'”. E o primeiro trecho ligará Tocantins à São Paulo. Ou seja: passará por Minas. Queimada de filme? Não, né: limpeza da área.

Passado brainstorming de teorias conspiratórias vieram as místicas. Uma jovem colega lembrou que nos últimos quatro anos, só o ano passado não aconteceu tragédia em Minas Gerais. 2015 foi a vez da Samarco em Mariana; 2016 o acontecimento fúnebre foi em Janaúba, quando um maluco chacinou crianças e professores em um jardim de infância; e agora acontece rompimento de barragem em Brumadinho, mais uma vez tendo a Vale como protagonista.

Eu não quis lembrar à essa jovem que ano passado teve a tragédia de elegerem Jair Bolsonaro porque ela votou nele. Então, pra manter conexão com o realismo fantástico lembrei que é só o começo, pois, não esqueçamos da “data limite” para o homem se consertar, 2019, dada por extraterrestres e psicografada por Chico Xavier.

Bem, se alguém ganhou alguma coisa com essa fatalidade trágica, esse alguém foi o Flávio Bolsonaro. Diante à suposta peleja da grande mídia para ligar os Bolsonaro à corrupção, que começou com os cheques pagos pelo motorista da casa à patroa do chefe, Flávio poderá respirar, pois, os holofotes que mostram ao público a verdade para ele acreditar não estarão acendendo seu terno.

A Folha de São Paulo, que parece ser o veículo da grande imprensa que Bolsonaro elegeu para perseguí-lo e confundir o público com notícias calamitosas que servem ao propósito de cegar a população para que projetos obscuros possam ser aprovados, lucra com suas denúncias.

Até mesmo aquela ridícula em que Bolsonaro, na cerimônia de formatura de novos procuradores de justiça, rola em uma mesa, providentemente debaixo do fucinho do jornalista da Folha – que não era nem pra estar na cerimônia se Jair anda mesmo evitando o jornal, um bilhete querendo saber se Fernando Collor era candidato a presidente do Senado.

Pode até ser que nesta o esperto presidente da república quis fazer aparecer o bilhete logo pra eles da Folha caírem na armadilha de propagar suspeitas de que o mesmo estaria a buscar aliança com alguém implicitamente lhe eleito inimigo por seus admiradores. Depois era dizer que o bilhete existiu e levar às claras do que se tratava, fazendo tudo muito sentido, e pronto: o jornal se lasca. Mas, eu acredito no mais duvidoso: a parceria obscura de Bolsonaro com a imprensa corporativa para que esta faça o trabalho de ir distraindo o povo ao mesmo tempo que supostamente dá notícias.

O mesmo jornal paulista diz agora que “Flavinho” lucrou R$813 mil com transações relâmpagos de imóveis. Cem mil de um deles teriam sido pagos em dinheiro por um ex-jogador de vôlei. Vai ver não tem nada de anormal nem nisso e nem no caso do Queiroz. Quando for o momento explicam tudo e só aqueles que são para ser desacreditados é que levarão tinta. Os acusados sairão com a imagem fortalecida de gente incorruptível.

A casa cai pra esse grupo manipulador se o excesso desses motes pró manipulação social fizer criar senso crítico. Se sim, as pessoas entenderão direitinho que a mesma didática foi utilizada para criar a imagem hoje gerada na massa de que Dilma é incompetente e cometeu deslizes dignos de um impeachment e de que Lula é ladrão e por essa razão está na prisão.

Essas manobras em que os mesmos que criam as crises dão as soluções e os mesmos que criam os réus dão as sentenças, esse fascismo que adora criar no povo a doença da indignação contra um corrupto e dar a ele a satisfação pela lavagem da alma dada pela punição ao mesmo, se essa didática, que em nada difere da corrupção literalmente descrita, não for abandonada, vamos ter um país bem pior do que aquele que os que votaram em Jair Bolsonaro diziam querer mudar.

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