Eleição manobrada só não: Pós-eleição também!

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Li em uma reportagem que Jair Bolsonaro estaria planejando voltar o processo eleitoral ao modo convencional, acabando com o uso de urna eletrônica. Mais um sinal de alta devoção ao seu patrão Estados Unidos.

Eu, pra dizer a verdade, sou totalmente a favor. Por mais que me doa lembrar o tanto de cédulas que tive que dobrar nas vezes em que fui mesário durante as primeiras eleições após a redemocratização.

Com uso de papel, além da possibilidade de fraude ser reduzida e a identificação do voto só não ser nula por haver a possibilidade de se examinar impressões digitais, é possível anular o voto enviando mensagens com poucas e boas para serem lidas pelos apuradores e registradas pelas bancas fiscalizadoras para que os candidatos – e a imprensa golpista – saibam o que o eleitor gostaria mesmo de estar votando.

Se na eleição do ano passado isso tivesse retornado, muita gente teria anulado seu voto escrevendo “voto no Lula”. Por falta de quorum o Bolsonaro não ganharia e teriam que fazer nova eleição, com outros candidatos. E mais o Lula.

O que me faz opor ao presidente despatriota quanto à sua proposta é ele alegar que correu o risco de não ser eleito por causa de tentativa de fraude nas urnas.

Ora, quem correu esse risco foram os outros candidatos. E olha lá se não houve o fato. A reta final com Haddad apertando a diferença e o número de abstêmios só crescendo, eu não engulo que foi por um milagre de Deus que a vitória da democracia escapou das mãos dos democratas.

Fraude é forjar atentado; é propagar fakenews; é fugir de prestar contas pro próprio eleitor em debates; é contar com a estranha condescendência do TSE em não apurar as suspeitas de irregularidades. Quem precisa se preocupar com urna batizada podendo fazer uso de todas essas regalias?

Águas passadas. Vamos agora verificar o que aconteceu depois da posse.

Quem é de Belo Horizonte e era acostumado a transitar pela Av. Antônio Carlos, do bairro Bonfim até o encontro desta avenida com a Abraão Caram, sabe como esse trecho dela expressava um miserê danado. Violência, assaltos, tráfico e uso de drogas ao ar livre, bebedeira, mendicância, prostituição.

O lugar não era tão feio, mas, os que populavam as encostas de morros, degraus do conjunto de prédios do IAPI, construções abandonadas enfeiavam, metiam medo e enchiam de repugnacão a quem passava por ali, mesmo que dentro de um veículo automotivo.

Durante a copa do mundo moveram aquele povo dali. E depois dela voltaram com ele. E esse quadro piorou. E até o fim da eleição do ano passado causou muito desânimo nos moradores de BH passar por ali, morar ali, ter negócio ou trabalhar ali. Ficou morta essa parte da cidade.

No dia Seguinte à posse do Bolsonaro, a região voltou ao padrão copa do mundo. É como está lá agora. E devo adicionar o fato de ter diminuído puladores de roleta dentro dos ônibus; babacas transitando nas ruas com som alto nos carros tocando funk cretino. De repente está todo mundo ordeiro e educado.

Valeu a pena o Bolsonaro vencer“, podem pensar. Ou concluírem que com medo do novo militarismo temperado com milicianismo e com a maior severidade da justiça nas punições, supostamente representada por Sérgio Moro como Ministro da Justiça, os meliantes resolveram cair fora porque a maré não ficou pra peixe.

Um fato eu admito: já no dia seguinte à posse, a presença da polícia nas ruas e o clima de ordem e segurança eu notei. Me senti seguro e parabenizei os novos tempos nesse quesito. Marginais sendo colocados nos muros e revistados no centro da cidade eu vi várias vezes nos primeiros dias.

A polícia agora parece que pode agir porque acabou a amarra que os governos anteriores colocavam nas mãos dos agentes pra eles não cumprirem a contento suas obrigações. Agora, parece que se vagabundo vai preso não é solto minutos depois pra ir atrás de quem o prendeu e acertar contas com mais vantagens, entre elas a proteção do Judiciário e da comissão dos direitos humanos. Sabe-se lá se não também de empresários.

Só que estamos falando também de drogados, que acham que usar droga em público não é crime, que som alto nas ruas é direito dado pela democracia. E temos que por em mente que essa limpeza ocorreu muito rapidamente. Logo, dá pra concluir que o caos urbano é manipulado.

Muitos dizem que os que estão por trás do Bolsonaro financiavam esse caos. Quando ele ganhou, objetivo cumprido, foi só dar o toque para o pessoal parar com as encenações repugnantes e como num passe de mágica a ordem se estabeleceu. Mandaram irem fumar e cheirar, roubar e espancar longe dos olhos da população.

Assim é fácil pagar de grande governante, que resolve os problemas que o povo precisa. Dá pra desconfiar até do prefeito, no caso Alexandre Kalil, se ele não teria ligação com o PSL ou se não participaria da fraternidade por trás deste partido.

Porém, não dá pra tirar o PT dessa suspeita. Durante a Copa era o PT quem estava no poder. Federal e estadual. E do jeito que tá lá a região agora esteve então por trinta dias.

E aí vem essa prisão do Temer. Bem em momento oportuno para o Bolsonaro, que perdia cabelos por causa do crescimento de rejeição ao seu atrapalhado e confuso governo tecido em ambientes virtuais. Com o até aqui seu aliado sistema judiciário pendendo a defender o estado democrático de direito, que Bolsonaro tanto quer eliminar do país.

Tal qual questiona sabiamente o vídeo acima, veio bem a calhar essa prisão. Como não desconfiar de que somos – nós povo – iludidos com as investidas dos governos para o fim de governar? Parece que quem está por trás do Bolsonaro, esteve por trás do PT e até mais anteriormente. Até à presidência do Collor.

E parece também que eles injetam seus projetos de governos e estão sempre coletando falhas. Aí, quando têm que consertar alguma coisa, fazem o público de criança, de imbecil, de ignóbil. Não podem nos tratar como civilizados e capazes de entender que erraram e que certas medidas terão que ser feitas para salvar o país. Preferem ver as pessoas se distraindo com os factóides que injetam na mídia. Dividindo opiniões sem saber quem está com a certa enquanto todas as personagens oponentes dentro delas estão unidas feito unha e carne.

Todo mundo sabe que a reformulação do trabalho, de modo a propiciar o empregador empregar para ter emprego, é necessária. Idem a da Previdência e as privatizações. Diminuição dos servidores públicos. Talvez o liberalismo econômico. Doa a quem doer essa conscientização. Discutirei isso em outro post mais detalhadamente.

Por isso, é no mínimo autoajuda o governo confiar no povo e discutir com ele saídas que beneficiem a todos. Sem essa de querer golpeá-lo para que ele aceite reformas estranhas e não volte a votar na esquerda.

3 comentários em “Eleição manobrada só não: Pós-eleição também!”

  1. Concordo em partes. Mas devo dizer que não acredito em manipulação pós eleição (da forma citada). E acho muito estranho essa “condenação” de muitos ao novo governo. Vou te falar uma coisa: depois de 14 anos de esculhambação (fora alguns anos anteriores), não se pode querer que qualquer governo acerte as coisas em dois meses e meio (no tempo certo eu concordo em admitir um possível fracasso). E também acho que se esse atual presidente tem os USA como patrão, não é nem um pouco diferente dos governos que o antecederam (esses, ainda piores, pois eram contra os norte-americanos, apenas enquanto eram oposição). Pra finalizar, sabermos que um político como o Lula (na sua atual situação) seria eleito Presidente, nos leva definitivamente a crer que há algo muito errado por aqui. Finalizo com essa célebre frase: “A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias.” (Winston Churchill)

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    1. Comentário muito bem tecido. Também concordo que os outros governos tinham seu encosto em políticos dos Estados Unidos, cada um com seu objetivo. Você sabe que concordo, pois, leu o livro Os meninos da Rua Albatroz e nele há essa insinuação de maneira bem contundente. A manipulação pós eleição é questionamento apenas. A menção ao Lula ter sido eleito teve o amparo de pesquisas de opinião pública divulgadas na época. No texto está como irreverência. E a frase do Churchill tem um problema: Miséria no socialismo não é a mesma coisa que no capitalismo. No capitalismo se você não tem um I-Phone ou um carro do ano você é miserável. Mas, muito obrigado pelo comentário! Podia aparecer mais gente na discussao.

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      1. Me desculpe, mas vivo em um país capitalista, não tenho nem I-Phone e nem carro do ano e nem por isso sou miserável (tenho certeza). Creio que a miséria para o capitalismo, seja a mesma para o socialismo. Acho que o primeiro sistema dá mais valor ao desenvolvimento como um todo (paga-se o preço por isso). Já o segundo sistema, precisa ter as pessoas sob seu controle (e para isso, ninguém pode se desenvolver por conta própria). Assim sendo, fico mesmo é com os Titãs quando dizem que “Miséria é miséria em qualquer canto…”. No mais, valeu!

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