Bolsonaro defendendo a liberdade de imprensa: Me engana, eu gosto!

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A margem para a teoria conspiratória começa com o caso em que um amigo do presidente, o comediante Danilo Gentili, teve uma suposta condenação em primeira instância de seis meses de prisão com base em censura de opinião levada ao público em um programa de televisão, mesmo que de baixa audiência o programa entre os que presam entretenimento de nível e são capazes de se opor a certos pronunciamentos.

Neste caso, os desavisados manifestaram-se contra a condenação, mesmo concordando com a opinião que enaltece que o comediante teria cometido abuso em seu humor idiota contra a deputada Maria do Rosário do PT gaúcho, conhecida inimiga – pelo menos política – do atual presidente da república. Segue o que seria a trama que coroa a divagação conspiracionista desta vez.

O atual presidente da república é famoso pela sua rejeição e traquinagens contra a imprensa. “Se você quer ser bem falado, derrube a imprensa” ensinaram os marxistas culturais. Porém, estamos num país que por mais que Bolsonaro e sua gente pense que a maioria é burra, isto lá não é verdade. A maioria é intelectualizada e de esquerda, sabe fazer oposição. Logo, para não cair aos pés da imprensa, o presidente viu-se a necessitar minimizar sua imagem de Trump dos trópicos, banindo suas atividades anti-imprensa.

Nada melhor, então, do que pegar um bode expiatório, pode ser o chefe do STF, Dias Toffoli, e criar um factóide o envolvendo. Alguns aliados indesconfiáveis do Governo, como suspeito serem o site O Antagonista ou a revista digital Crusoé, publicariam ataques contra ministros. E o factóide seria usado para que o Judiciário se veja com a missão de defender a liberdade dos políticos, encenando com isto uma operação visando sanção de lei censurando jornalistas, seguida de caça a tuiteiros.

Toffoli abriria um inquérito para inibir ataques ao órgão que preside, emitindo mandatos de prisões e viabilizando operações policiais em casas de usuários do Twitter no Brasil. Decisão que teria sido tomada pelo ministro Alexandre Moraes.

A ação mexeria com os brios dos encarregados de parecer serem defensores da Constituição de 1988 e um deles apareceria numa quarta-feira, tipo 17 de abril, chamando de “censura” e “retrocesso” a decisão de Moraes ao determinar a remoção de conteúdos jornalísticos, que a própria Globo, junto com a Folha de São Paulo, teriam noticiado serem verdades as acusações de ligação de Toffoli à Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato, que teriam sido transformadas em fakenews pelos magistrados. O papel de moralizador da questão e vigilante da Constituição teria sido exercido pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Um tempo é dado para o povo absorver o cenão montado e a TV Globo aproveitaria para inclusive fazer ganhar mais adesão à causa contra a Venezuela, exibindo em um telejornal de meio de tarde um quadro que coloca a Noruega em primeiro lugar como país em que há mais liberdade de imprensa e o Brasil em centésimo quinto, só perdendo na América do Sul para a temível Venezuela.

Após a grande mídia fazer o merchandising e cumprir a parte dela: ventilar a suposta perseguição e impressionar as massas com a audácia de juristas que pode afetar toda a população brasileira, o magistrado nomeado paladino, pode ser, por exemplo, o Moraes, revogaria a própria decisão e apareceria atando as mãos do promotor da censura à imprensa, Tofolli, que chegaria a ter cogitado para efeito de ibope um impeachment. Moraes esperaria a sua populista e quase crística atitude também ser ventilada para o público. É fácil no Brasil fabricar falsos heróis.

Para coroar, o presidente impopular também por causa do seu relacionamento com a imprensa apareceria nas redes sociais em uma live, vestido a la Collor de Mello com uma camiseta demagógica e demagogicamente acompanhado por um tradutor de libras, parabenizando, após usar sua credenciada imagem de presidente para promover ações do filho Eduardo, a atitude do ministro Moraes, confessando não saber muito o que acontece em seu governo ao usar as palavras “parece que” para se referir à revogação, e aproveitando também para fazer merchan das famigeradas grandes igrejas evangélicas.

Isso tudo, obviamente, sendo ventilado com louros e glamour pelo jornalismo subsidiado pelo governo, melhorando sua imagem com a imprensa de toda sorte e ainda ajudando o borburinho a tirar as atenções da aprovação da Reforma da Previdência. Por mim tá tudo bem, mas, eu gostaria de não ser tratado como caduco.

 

LINKS PARA LER OS FATOS

https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2019/04/18/interna_politica,1047389/bolsonaro-parabeniza-moraes-por-derrubar-censura-a-reportagens.shtml

LEIA: “Os meninos da Rua Albatroz“. Aprenda a construir opiniões críticas contundentes.

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